Débora Roner @deb31

Fumaça

Quando o desespero toma Quando a penumbra tranquila da noite Sufoca e se transforma em tormento Quando se está sozinho e o vazio bate a porta Vejo o coelho ansioso me chamando E minha única escolha se torna o entorpecimento Eu acendo a chama admirada com um calor esquecido Aos lábios levo o cigarro tal qual uma chupeta Mas não sou mais criança E não há quem me segure Puxo o ar como meu último fôlego Odiando cada segundo disso Mas ansiando pelo conforto do torpor me cobrir Invejando as memórias esquecidas Dos abraços quentes que não sufocam Do instinto materno de cuidado sem dividas Do calor e segurança Que não me deixem cair Mas agora eu caio E não há quem me segure Não há conforto no meu desespero

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