Demônios que ninguém quer ver
Faço dos meus livros empoeirados meus sábios conselheiros Das páginas amareladas meu cobertor no terror da noite Os personagens minhas inspirações honrosas Das palavras e versos um ouvinte quando minhas vísceras se derramam sob cada parágrafo Neles rio, choro, sofro e sangro com cada batalha perdida Sangro sob as poesias quando minha veias se secam Quando minhas palavras são engolidas e meu corpo está prestes a explodir Transformo em gritos e assassinatos sob o papel as mentiras Meus versos são agressividades veladas Vontades esquecidas no abismo do meu inconsciente São meus corpos empilhados sob uma mente exausta Meus silêncios carregam anos de aperfeiçoamento Tornando a espera e atuação meu espírito mais afiado Construindo uma mente forte quando meu corpo não foi Me matando e me reconstruindo Feridas sob feridas fibrosas Deformam meu retrato Canto as emoções que nunca poderão ganhar voz Danço com as notas quando quero rasgar carne Canto sobre fantasmas de um castelo de mentiras Cada canção uma invocação de uma verdade enterrada Canto sobre verdades que pairam sob vidas mentirosas Demônios que ninguém vê Demônios que ninguém quer ver
Raíssa Amorim
uau! amei! parabéns pelo poema!