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Crushedwave

@crvshedwaves · desde 2026

All the lonely people Where do they all come from? All the lonely people Where do they all belong?

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Amor

Antes de ser

Eu sabia. Meu corpo sabia antes da minha razão... Porque aquilo que eu temia ter imaginado agora respira ao meu lado. Toca a minha boca, desliza nas minhas mãos. ___ Você vai deixando suas marcas em mim. Há mordidas que deixam marcas que desaparecem devagar. Não era fantasia. Não era uma história que eu contei para superar um coração partido. Era você me encontrando no escuro da minha mente, na luz baixa do meu quarto, como vampiros. Aquela fome silenciosa que nasce quando teus olhos encontram os meus, como se criaturas antigas dentro de nós já se reconhecessem. Respirações perdidas, gemidos transformados em segredo, suor traçando caminhos sobre a pele ... E aí vem o amor. Esse tal amor que é ainda mais perigoso. Porque o desejo poderia ser apenas incêndio. Mas o amor permanece quando as chamas baixam. O amor permanece no toque. No olhar demorado. No cuidado. Na vontade absurda de ficar. Então agora eu sei: não era delírio Era presságio. Era amor, era verdade antes mesmo de ser.

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Alta velocidade

“I was always an unusual girl.” (Ride, Lana Del Rey) Talvez eu seja mesmo uma dessas mulheres que nunca souberam o que é ser amada por mãos leves. Tenho sonhos que parecem avisos, pesadelos que acordam antes de mim e uma estranha intimidade com aquilo que deveria me assustar. Às vezes acordo sabendo coisas que ainda não aconteceram, como se a noite deixasse bilhetes debaixo do meu travesseiro. Minha cabeça pede a fumaça de um cigarro. Meu corpo lembra aquilo que um dia me trazia uma falsa calma. Existe uma parte de mim que ainda sabe exatamente onde encontrar tudo aquilo que um dia me fez esquecer quem eu era. E existe outra parte, mais silenciosa, que só queria alguém capaz de fazê-la descansar. É essa a minha contradição, eu quero liberdade, mas também quero colo. Quero desaparecer pela madrugada e, ao mesmo tempo, ter alguém esperando a minha volta. Lamento que o amor tenha se tornado tão confuso para mim. Eu não procuro exatamente um salvador. Procuro alguém que me faça não precisar ser salva de mim mesma. Porque existe um precipício dentro de mim e, quando ninguém segura minha mão, eu começo a achar bonito cair. Então eu sigo. Entre sonhos e ressacas da alma, entre a vontade de recomeçar e a tentação de voltar para tudo aquilo que já conheço e que um dia me destruiu. Talvez eu seja feita dessa estrada. Talvez eu seja a mulher que passa a vida procurando uma casa enquanto destrói todas as portas antes de entrar. E talvez, no fundo, eu só esteja esperando alguém que entenda que eu não quero uma vida comum. Quero alguém ao meu lado quando o carro estiver rápido demais, quando a estrada desaparecer na escuridão e, por alguns segundos, minhas mãos deixarem o volante. Não para me salvar do acidente. Mas para não ter medo de viver em alta velocidade.

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Chove em Utopia

Utopia “Não estou exatamente triste, só estou com a certeza de que estou escrevendo as últimas páginas de Utopia.” Deitada no sofá, me sinto perdida e sozinha, então questiono a minha sanidade. Eu cheguei ao ponto de me render ao impossível apenas por solidão? Será que existe alguma versão de mim que teve sorte no amor? Aquela sorte de ter quem abraçar, beijar e dormir em paz. Eu deixei de assistir filmes românticos, mas cresci acreditando no meu final feliz. Meu pra sempre acabou e, no final, eu não estou feliz. Eu achei que em Utopia estava começando a reviver, a sentir aquilo que sempre quis, mas escapa pelos meus dedos, desaparece das minhas mãos como um presente dado e tomado de volta. Talvez esse seja o problema de acreditar, um dia percebemos que até o paraíso pode ter uma porta de saída. E eu ainda estou aqui, olhando para ela, maldita porta! Sem saber se devo fechá-la ou esperar. Talvez Utopia nunca tenha sido um lugar. Talvez tenha sido apenas a versão de mim que acreditou, por alguns instantes, que ainda era possível encontrar alguma coisa bonita depois de perder quase tudo. E talvez seja isso que esteja doendo. Não perder Utopia. Mas perceber que, pela primeira vez em muito tempo, eu realmente queria ficar. Mas vou ter que apelar para a saída de emergência.

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Talvez isso seja apenas literatura

_ É curioso como certas pessoas e situações entram na nossa cabeça e passam a morar ali como uma música que ninguém pediu, mas que o silêncio insiste em repetir. Há dias em que me pergunto se estou apenas assistindo a uma história que já começou antes de mim, sentada na plateia, tentando descobrir, ridiculamente, se existe algum papel reservado para quem chegou tarde demais. Às vezes sinto que estou entregando mais de mim do que deveria, enquanto tudo permanece como uma mão na porta, pronta para sair caso eu transforme o meu silêncio em alguma coisa real. Mas um barulho inquietante começou a me deixar agoniada. Sentimentos, esta noite, estão fazendo barulho dentro de mim. Como champanhe esquecido ao sol. Como um incêndio atrás das cortinas. Como uma música antiga tocando no quarto vazio depois que todo mundo foi embora. Descobri que o coração é um péssimo narrador. Ele costuma inventar finais para histórias que nem começaram. E talvez eu esteja fazendo exatamente isso, mas ainda assim, existe uma pergunta que insiste em voltar quando tudo fica quieto: Será que, quando sou olhada nos olhos, existe algo além de um instante? Eu acho que não. Eu enxergo todos os sinais de que não existe. Talvez isto seja apenas literatura. Talvez seja só mais uma história que inventei para explicar o inexplicável. E talvez, no fundo, eu só esteja tentando descobrir se alguém também escuta essa música lenta quando o silêncio começa.

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Possessão

A cama mergulhava na escuridão, e nós nela, sem pressa, como duas criaturas que já sabiam o idioma uma da outra. Suor e madrugada. Minha pele ardia onde a dele passava. Havia algo quase predatório na maneira como nos aproximávamos. Saliva, língua e calor, o gosto salgado do suor, lábios percorrendo lentamente aquilo que a sombra escondia. Eu sentia sua respiração contra mim e parecia que alguma coisa passava de um corpo ao outro, uma corrente densa, quente, pulsante, como se estivéssemos trocando toda a nossa energia. Por alguns instantes, éramos apenas fome e abrigo, gemidos, mordidas, calor e êxtase. E quando o silêncio voltou, a escuridão parecia diferente. Como se tivesse bebido de nós também. “Há um prazer em estar perdido na noite.”  (Charles Baudelaire)

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Ritual

Abracadabrante

Abracadabrante Havia qualquer coisa de profana na geometria daquele olhar, como se a noite tivesse aprendido a desenhar um corpo só para me provocar. Ele carregava nos lábios um silêncio venenoso, e eu, que sempre fui devota das coisas que deveriam ser evitadas, não soube evitar. Sua presença tinha um encanto abracadabrante, Uma maldição daquelas que ninguém deseja desfazer. Havia magnetismo na distância entre nossas bocas, uma eletricidade quase litúrgica correndo sob a pele, como se o desejo fosse uma criatura paciente esperando a hora de despertar. Ele não precisava tocar. Bastava se aproximar e todo o meu juízo virava fumaça. Meu corpo reconhecia o perigo antes mesmo que minha razão lhe desse um nome. E quando nossos olhos se prenderam, o mundo pareceu perder a luz, como se a noite, ciumenta, tivesse fechado as cortinas para assistir em segredo. Não sei se era paixão, feitiço ou alguma obscura anomalia do destino. Só sei que havia nele qualquer coisa de sobrenatural. E em mim, a vontade profana de descobrir até onde uma alma pode arder nas chamas sem se destruir.

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Presságio

Ele deveria sentir o que acontece em mim quando ouço seu nome. Apesar da minha obstinada negação, eu queria esse destino mais do que qualquer melodia seria capaz de traduzir. Ele não me queria, e eu, numa espécie de delírio voluntário, me convenci do contrário. Talvez um dia eu seja apenas uma lembrança insólita na mente dele. O irônico é que escreverei tantas canções sobre isso que acabarei eternizando aquilo que, talvez, só existisse na minha esperança. Minhas expectativas sempre foram desmedidas. Eu brinco com a intensidade como quem ignora o precipício. E às vezes me pergunto: teria sido tudo uma péssima ideia? Então por que eu já pressentia o desfecho naquela noite, enquanto bebia vinho em silêncio, perdida num canto, apenas observando? Havia sussurros por toda parte: É ele. E, ainda assim, por que não é meu? Queria que ele me olhasse sem desvios e respondesse: meu amor é realmente tão ruim assim? Lembro-me da primeira vez e ainda me pergunto por que, naquele instante, não percebi que deveria ser a última. Eu o tomaria como um comprimido, apenas para que sua presença me conduzisse ao sono. Não quero correr ao lado de um lobo para descobrir aquilo que meu próprio instinto já sabe. Tenho um oceano de coisas por dizer, uma constelação de sentimentos sem nome. Mas já são 20:44. Minha razão exige que eu o exile da mente. Que ironia. Eu já tive o suficiente? Ou que outra ruína precisa acontecer para que eu finalmente compreenda que ele não me quer no destino dele e também não quer ser o meu. (Continua)...

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Vida

Peças

“Não. Eu não quero voltar para uma situação em que eu tenha que adivinhar o que um coração sente enquanto a mente decide o que pode ou não ser dito.” Quão rápido eu mudo de sentimentos? Talvez eu não mude tão rápido. Talvez eu apenas perceba rápido demais quando alguma coisa dentro de mim se sente ameaçada. Passei tanto tempo tentando voltar a ser mulher aos meus próprios olhos que quando finalmente me enxerguei, talvez tenha esquecido de perguntar o que aconteceria depois. Eu quero ser vista. Mas não quero qualquer olhar. Quero aquele que consiga me enxergar sem tentar me possuir ou me dirigir como uma peça de teatro. Eu detesto que mandem em mim. Existe uma diferença brutal entre deixar alguém tocar você e deixar alguém conduzir você. Eu gosto de colo, de toques nas mãos, de existir entre a minha língua e a minha necessidade mental de alimentação sexual. Existe em mim uma criatura que caça mas está cansada e perdeu as asas, e que, por alguns instantes, só quer ser cuidada e esquece que também sabe morder. E eu sei que posso morder tão forte e em seguida mastigar lentamente quem me provoca. Mas eu estou extremamente cansada e sem a motivação certa, preciso que alimente a minha mente. Eu não quero ser domesticada. Todas as minhas ações são pensadas, "meus impulsos não são impulsivos". Existe uma linha quase invisível entre alguém que segura meu rosto porque quer a minha boca e alguém que começa a decidir como eu devo ser. Entre alguém que me conduz porque percebe o que eu quero e alguém que presume saber. Não me compare. Me ame desesperadamente. Eu preciso tanto de energia, aquele humano inútil que gastou anos da minha vida, tirou minha vitalidade, talvez meu maior erro tenha sido acreditar que, depois de tudo, eu já saberia escolher e perceber quem realmente me quer. Não sei se isso é defesa ou lucidez. Talvez seja as duas coisas. E talvez esses dias alguma coisa dentro de mim morreu outra vez. Será que eu nunca mais irei renascer? Mas e se?

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Poema

Vertigem

Há um bloqueio. Uma febre escondida na curva de um olhar, uma fome proibida que não sabe onde parar. Chamo essa tortura de lascívia, para não chamá-la de paixão, porque a palavra desejo já me lembra obsessão. Busquei aquela presença que sabia me entorpecer, que me condenava à vertigem e fazia meu juízo desaparecer. Havia concupiscência no ar, havia pecado na respiração. Eros sussurrava baixinho dentro da minha contradição. Agora eu quero o incêndio sem chama, a febre sem explicação, a volúpia que reclama um lugar na minha razão. E quando o silêncio me invade, aquele fantasma vem me tocar, feito uma antiga obscenidade que insiste em me despertar. Eu gosto do lento, do quase, do depois. Gosto da espera que antecede aquilo que acontece entre dois. Busco a calmaria, mas não suporto o vazio. O silêncio entre dois corpos me parece frio. Quero a delicadeza obscena de uma vontade contida, a volúpia paciente de uma presença sentida. Há mais erotismo no intervalo, mais pecado na contemplação, do que em qualquer gesto brutal disfarçado de sedução. E talvez essa seja minha heresia: Me entedia a imposição. Quero ser conduzida pelo desejo, E desarmar essa maldita negação. Preciso engolir, preciso te respirar Eu quero a adrenalina de um segredo prestes a se espalhar.

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Poema

Eclipsis Sacra

Há uma noite morando entre os teus olhos. Noite que não pediu licença. Invade. Uma energia densa entre os dedos. A distância é de um passo da vontade. E eu, que sempre fui ruína bem construída, desmorono com uma elegância trágica. Porque esse é um tipo de incêndio que devora tudo, transforma tudo, feito mágica. Há algo profano na tua graça. Há algo ingênuo na tua presença. Liturgia, silêncio, blasfêmia. Tempestuosa sentença. Minha alma antiga é visceral, aura quase espessa, maldita e animal. Você não me conhece o suficiente. Tem certeza de que quer me despertar, como num eclipse ritual? Minha memória é embaçada e, ainda assim, absurda. Entra, olha nos meus olhos, cala a minha boca... Me deixa muda? É que eu desabo sob o peso das palavras, na falta da minha própria loucura, na minha ausência. Mas, na minha mente, eu estou ajoelhada diante de você, em reverência. _ "Quem sabe se não teremos de ultrapassar muito a natureza para perceber o que ela nos quer dizer?" (Marquês de Sade)

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