Alta velocidade
“I was always an unusual girl.” (Ride, Lana Del Rey) Talvez eu seja mesmo uma dessas mulheres que nunca souberam o que é ser amada por mãos leves. Tenho sonhos que parecem avisos, pesadelos que acordam antes de mim e uma estranha intimidade com aquilo que deveria me assustar. Às vezes acordo sabendo coisas que ainda não aconteceram, como se a noite deixasse bilhetes debaixo do meu travesseiro. Minha cabeça pede a fumaça de um cigarro. Meu corpo lembra aquilo que um dia me trazia uma falsa calma. Existe uma parte de mim que ainda sabe exatamente onde encontrar tudo aquilo que um dia me fez esquecer quem eu era. E existe outra parte, mais silenciosa, que só queria alguém capaz de fazê-la descansar. É essa a minha contradição, eu quero liberdade, mas também quero colo. Quero desaparecer pela madrugada e, ao mesmo tempo, ter alguém esperando a minha volta. Lamento que o amor tenha se tornado tão confuso para mim. Eu não procuro exatamente um salvador. Procuro alguém que me faça não precisar ser salva de mim mesma. Porque existe um precipício dentro de mim e, quando ninguém segura minha mão, eu começo a achar bonito cair. Então eu sigo. Entre sonhos e ressacas da alma, entre a vontade de recomeçar e a tentação de voltar para tudo aquilo que já conheço e que um dia me destruiu. Talvez eu seja feita dessa estrada. Talvez eu seja a mulher que passa a vida procurando uma casa enquanto destrói todas as portas antes de entrar. E talvez, no fundo, eu só esteja esperando alguém que entenda que eu não quero uma vida comum. Quero alguém ao meu lado quando o carro estiver rápido demais, quando a estrada desaparecer na escuridão e, por alguns segundos, minhas mãos deixarem o volante. Não para me salvar do acidente. Mas para não ter medo de viver em alta velocidade.
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