Vertigem
Há um bloqueio. Uma febre escondida na curva de um olhar, uma fome proibida que não sabe onde parar. Chamo essa tortura de lascívia, para não chamá-la de paixão, porque a palavra desejo já me lembra obsessão. Busquei aquela presença que sabia me entorpecer, que me condenava à vertigem e fazia meu juízo desaparecer. Havia concupiscência no ar, havia pecado na respiração. Eros sussurrava baixinho dentro da minha contradição. Agora eu quero o incêndio sem chama, a febre sem explicação, a volúpia que reclama um lugar na minha razão. E quando o silêncio me invade, aquele fantasma vem me tocar, feito uma antiga obscenidade que insiste em me despertar. Eu gosto do lento, do quase, do depois. Gosto da espera que antecede aquilo que acontece entre dois. Busco a calmaria, mas não suporto o vazio. O silêncio entre dois corpos me parece frio. Quero a delicadeza obscena de uma vontade contida, a volúpia paciente de uma presença sentida. Há mais erotismo no intervalo, mais pecado na contemplação, do que em qualquer gesto brutal disfarçado de sedução. E talvez essa seja minha heresia: Me entedia a imposição. Quero ser conduzida pelo desejo, E desarmar essa maldita negação. Preciso engolir, preciso te respirar Eu quero a adrenalina de um segredo prestes a se espalhar.
Sakura 🌸🍃
linda escrita parabéns
Crushedwave
muito obg ✨️