Chove em Utopia
Utopia “Não estou exatamente triste, só estou com a certeza de que estou escrevendo as últimas páginas de Utopia.” Deitada no sofá, me sinto perdida e sozinha, então questiono a minha sanidade. Eu cheguei ao ponto de me render ao impossível apenas por solidão? Será que existe alguma versão de mim que teve sorte no amor? Aquela sorte de ter quem abraçar, beijar e dormir em paz. Eu deixei de assistir filmes românticos, mas cresci acreditando no meu final feliz. Meu pra sempre acabou e, no final, eu não estou feliz. Eu achei que em Utopia estava começando a reviver, a sentir aquilo que sempre quis, mas escapa pelos meus dedos, desaparece das minhas mãos como um presente dado e tomado de volta. Talvez esse seja o problema de acreditar, um dia percebemos que até o paraíso pode ter uma porta de saída. E eu ainda estou aqui, olhando para ela, maldita porta! Sem saber se devo fechá-la ou esperar. Talvez Utopia nunca tenha sido um lugar. Talvez tenha sido apenas a versão de mim que acreditou, por alguns instantes, que ainda era possível encontrar alguma coisa bonita depois de perder quase tudo. E talvez seja isso que esteja doendo. Não perder Utopia. Mas perceber que, pela primeira vez em muito tempo, eu realmente queria ficar. Mas vou ter que apelar para a saída de emergência.
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