Foto de Crispina Pedreira

Crispina Pedreira

@chrisPedreira · desde 2022

299 poemas 79 seguidores 50 seguindo

Seguir

O NORDESTE QUE MORA EM MIM

Eu venho de uma terra onde o sol não apenas nasce ele ensina a resistir. Venho de gente que aprendeu a esperar a chuva sem perder a fé, a dividir o pouco como quem oferece o mundo, a rir com a alma inteira e a transformar saudade em canto. Trago no sangue o cheiro da terra molhada, o café coado na memória, as vozes que me ensinaram a ser quem sou e histórias que o tempo jamais conseguiu apagar. Tenho orgulho do meu sotaque, da minha origem, das mãos calejadas que vieram antes das minhas, dos sonhos que nasceram no sertão e atravessaram distâncias para chegar até aqui. Ser nordestino é mais que nascer em uma terra. É carregar uma força ancestral no peito. É saber que, mesmo depois da seca, a vida encontra um jeito de florescer. Eu sou Nordeste. Sou raiz, resistência e poesia. E onde quer que eu vá, levo comigo a certeza bonita de que o meu lugar de origem também é o meu lugar de orgulho. Porque o Nordeste não ficou para trás. O Nordeste veio comigo. E mora em tudo o que sou. 🌵❤️

Continuar lendo

As Prisões Que Moram em Nós

Todos nós somos prisioneiros de alguma coisa. Ninguém é inteiramente livre. Até mesmo na liberdade há prisões que não se veem. Há quem esteja preso aos próprios medos, aos desejos que não se realizam, às lembranças que insistem em voltar e às feridas que o tempo ainda não conseguiu curar. Há quem seja prisioneiro de um amor que não corresponde, de uma saudade que não passa, de um passado que insiste em morar no presente. Há quem esteja preso ao que possui, e há quem permaneça prisioneiro daquilo que deseja possuir. Alguns são cativos das palavras que disseram. Outros, das palavras que guardaram, por não terem encontrado coragem para pronunciá-las. Existem prisões sem grades, algumas sem correntes, mas que podem ser ainda mais difíceis de romper: são as celas que construímos dentro da própria consciência. E talvez a mais cruel de todas seja aquela em que o carcereiro mora dentro de nós. Porque, muitas vezes, somos nós mesmos que alimentamos os medos, reabrimos antigas feridas, revivemos o que passou e colocamos limites onde poderia existir liberdade. Talvez ser livre não seja viver sem prisões, mas reconhecer as grades que nos cercam e ter coragem de escolher, a cada novo dia, quais delas ainda merecem permanecer. Porque algumas prisões não precisam de chaves. Precisam apenas de coragem para serem deixadas para trás.

Continuar lendo

O que permanece

O amor mudou de rumo, sem romper o coração. Fez silêncio, fez-se bruma, mas deixou a gratidão. O que ardia em chama viva hoje é afeto sereno, um carinho que cultiva a paz do tempo ameno. Quando a paixão se despede, nem tudo se perde, enfim. Há um laço que permanece, delicado dentro de mim. E assim, entre a saudade e a ternura que ficou, a amizade, em sua verdade, foi o mais belo amor.

Continuar lendo

À, minha mãe

Teu amor nunca coube no tempo, nem nas paredes simples da infância onde teu colo era abrigo e tua voz espantava meus medos. Foste força quando o mundo pesava, cuidado nas noites silenciosas, proteção constante mesmo quando eu já caminhava sozinho pela vida. Cresci, mas teus olhos continuam os mesmos: vigias ternas do meu destino, mãos que ainda sabem curar as dores que não digo. Há amores que passam, há lembranças que o tempo leva. Mas o teu, mãe, não tem medida, distância ou fim — vive em mim como luz acesa desde sempre.

Continuar lendo

Maturidade

Não é para os fracos. Um dia você acorda e entende que o tempo passou... Mas, com ele se vai as inseguranças, a pressa a necessidade de agradar. Agente aprende a andar mais devagar, mas com mais certeza... Dispedir-se sem medo,dar valor a quem fica. Amadurecer é saltar, é aceitar, é descobrir que a beleza, nunca esteve na pele,mas na história que carregamos dentro de nós. E assim aprendemos a contemplar a beleza do agora, a dádiva de entender a si mesmo. É assim celebrar o agora. O silêncio do agora. Buscando dias só seu! Amo momento comigo e para mim! Que chamo de " dias só meu!

Continuar lendo

Silêncio que Dói

É cansativo existir assim, quando o corpo grita e ninguém escuta. É carregar o peso invisível de uma dor que não descansa, que não tira folga, que não pede licença. Todos os dias ela vem firme, constante, como se fosse rotina como se fosse normal sofrer. E dizem: “é comum”, “é coisa da sua cabeça”, “é frescura”. Mas não sentem o cansaço que atravessa os ossos, o ardor que mora na pele, o desespero quieto de não ter onde descansar. Não sabem o que é sorrir por fora enquanto por dentro algo se desfaz em silêncio. Não sabem o que é querer gritar e só conseguir calar, porque já cansou de tentar explicar o inexplicável. Assim a gente vai… morrendo devagar, um pouco a cada dia, sem fazer barulho, porque até a dor precisa ser aceita para ser ouvida. Mas aqui, no silêncio que ninguém vê, ela continua: real, profunda, e impossível de ignorar.

Continuar lendo

Paixão de Cristo

Na quietude da noite que antecede a dor, o mundo parece suspenso entre o medo e o amor. Há um silêncio antigo, quase sagrado, como se o tempo soubesse: algo será consumado. É a Paixão que se aproxima, lenta e profunda, não como grito de guerra, mas como entrega que inunda. Não há coroas de ouro, nem tronos de glória, há espinhos, madeira,e a redenção na história. Cada passo é pesado, mas firme no chão, carregando não só a cruz, mas toda a criação. Nos ombros feridos, o peso do humano, nos olhos, ainda, o perdão soberano. E quando o céu escurece em pleno dia, não é só dor, é divina poesia. É o amor que sangra, mas não desiste, é Deus tão próximo que por nós sofre e registe. A data não é apenas memória distante, é um chamado vivo, urgente, pulsante: lembrar que no gesto mais simples de amar, há ecos daquele que escolheu se entregar. Na cruz, o fim que também é começo, no silêncio do túmulo, um eterno recomeço. E a Paixão, tão íntima, tão viva em nós, sussurra ainda: “o amor é maior que a voz.” Que este tempo sagrado não passe em vão, mas encontre morada no nosso coração. Pois mais que lembrar o que um dia se deu, é viver o amor que por nós se rendeu.

Continuar lendo

Gratidão meu senhor

Um café quente uma oração. Hoje eu sei: vai ser um dia incrível. Com Deus à frente, tudo é possível. Estou pronto pra viver, pro que vier, pro que acontecer, carrego comigo mil motivos pra agradecer. A vida… ah, como é boa! Pra quem faz o certo, corre atrás e confia Deus abençoa. Obrigado, Senhor, por tudo que tenho, por tudo que sou. Que eu seja mais amor, e que minha luz brilhe por onde eu for. Meu lema é reclamar menos, agradecer mais, Em cada passo que dou eu busco paz. E sigo, blindada, firme, em fé,fazendo o bem, do jeito que der. Obrigada, Senhor, Pelo que tenho, por tudo que sou. Que eu seja mais amor, e que minha luz brilhe por onde eu for. Minha meta de viver é simples, é verdadeira:não reclamar da vida, apenas agradecer a ela inteira.

Continuar lendo

Luta e resistencia

Hoje levantei cedo como sempre, o relógio não espera, nem o dever. Sou servidora, não de um sistema frio, mas de gente de rostos cansados, de histórias urgentes, de quem chega precisando mais do que eu posso dar. E ainda assim, eu fico. Fico mesmo quando cortam direitos como se fossem excessos, quando chamam de gasto aquilo que é cuidado, quando esquecem que por trás da função existe um corpo,uma mente, uma vida inteira tentando fazer dar certo. Não é sobre privilégio. Nunca foi. É sobre respeito, sobre dignidade, sobre não transformar vocação em desgaste silencioso. A gente luta. Luta no corredor, no balcão, na rua,luta nos papéis que não param, nas decisões que ninguém vê, no cansaço que ninguém mede. Porque servir também é resistir. E resistir não é escolha bonita de discurso é necessidade. Seguimos, não porque é fácil, mas porque é certo. Melhorar não é favor. Valorizar não é luxo.É dever, nosso,de continuar. E de quem governa, de enxergar.

Continuar lendo

Dias raros

Como quem recolhe conchas numa praia esquecida pelas ondas. Há um silêncio antigo que ainda sabe meu nome, sussurrado pelas tardes em que o tempo não tinha pressa. Na infância, os dias eram pássaros leves passavam sem peso, sem pedir licença, sem deixar marcas visíveis,mas levavam consigo um brilho impossível de esquecer. Eu corria entre pequenas coisas: o cheiro do café na cozinha, o chão morno sob os pés descalços, o riso solto sem motivo e ali, sem saber, eu tocava o infinito. Hoje, conto esses dias raros como quem tenta reconstruir um conto esquecido. E é no gesto simples de lembrar que ele renasce inteiro, pulsante,com o mesmo poder de fazer o peito apertar e os olhos marejarem sem aviso. Porque há histórias que nunca nos abandonam: apenas se escondem, quietas, em algum canto do coração,esperando um instante de silêncio para florescer de novo. Para reviver dias raros.

Continuar lendo