Crispina Pedreira @chrisPedreira

As Prisões Que Moram em Nós

Todos nós somos prisioneiros de alguma coisa. Ninguém é inteiramente livre. Até mesmo na liberdade há prisões que não se veem. Há quem esteja preso aos próprios medos, aos desejos que não se realizam, às lembranças que insistem em voltar e às feridas que o tempo ainda não conseguiu curar. Há quem seja prisioneiro de um amor que não corresponde, de uma saudade que não passa, de um passado que insiste em morar no presente. Há quem esteja preso ao que possui, e há quem permaneça prisioneiro daquilo que deseja possuir. Alguns são cativos das palavras que disseram. Outros, das palavras que guardaram, por não terem encontrado coragem para pronunciá-las. Existem prisões sem grades, algumas sem correntes, mas que podem ser ainda mais difíceis de romper: são as celas que construímos dentro da própria consciência. E talvez a mais cruel de todas seja aquela em que o carcereiro mora dentro de nós. Porque, muitas vezes, somos nós mesmos que alimentamos os medos, reabrimos antigas feridas, revivemos o que passou e colocamos limites onde poderia existir liberdade. Talvez ser livre não seja viver sem prisões, mas reconhecer as grades que nos cercam e ter coragem de escolher, a cada novo dia, quais delas ainda merecem permanecer. Porque algumas prisões não precisam de chaves. Precisam apenas de coragem para serem deixadas para trás.

Comentários · 1

  1. ỌHAR

    que poesia reflexiva, muito forte cada verso , muita verdade, afinal a maior prisão estar dentro da nossa insanidade, e a razão é como um vigilante, observando as oscilações do prisioneiro Em cada decisão que ele se puser. 👌👏