Silêncio que Dói
É cansativo existir assim, quando o corpo grita e ninguém escuta. É carregar o peso invisível de uma dor que não descansa, que não tira folga, que não pede licença. Todos os dias ela vem firme, constante, como se fosse rotina como se fosse normal sofrer. E dizem: “é comum”, “é coisa da sua cabeça”, “é frescura”. Mas não sentem o cansaço que atravessa os ossos, o ardor que mora na pele, o desespero quieto de não ter onde descansar. Não sabem o que é sorrir por fora enquanto por dentro algo se desfaz em silêncio. Não sabem o que é querer gritar e só conseguir calar, porque já cansou de tentar explicar o inexplicável. Assim a gente vai… morrendo devagar, um pouco a cada dia, sem fazer barulho, porque até a dor precisa ser aceita para ser ouvida. Mas aqui, no silêncio que ninguém vê, ela continua: real, profunda, e impossível de ignorar.
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