Crispina Pedreira @chrisPedreira

Paixão de Cristo

Na quietude da noite que antecede a dor, o mundo parece suspenso entre o medo e o amor. Há um silêncio antigo, quase sagrado, como se o tempo soubesse: algo será consumado. É a Paixão que se aproxima, lenta e profunda, não como grito de guerra, mas como entrega que inunda. Não há coroas de ouro, nem tronos de glória, há espinhos, madeira,e a redenção na história. Cada passo é pesado, mas firme no chão, carregando não só a cruz, mas toda a criação. Nos ombros feridos, o peso do humano, nos olhos, ainda, o perdão soberano. E quando o céu escurece em pleno dia, não é só dor, é divina poesia. É o amor que sangra, mas não desiste, é Deus tão próximo que por nós sofre e registe. A data não é apenas memória distante, é um chamado vivo, urgente, pulsante: lembrar que no gesto mais simples de amar, há ecos daquele que escolheu se entregar. Na cruz, o fim que também é começo, no silêncio do túmulo, um eterno recomeço. E a Paixão, tão íntima, tão viva em nós, sussurra ainda: “o amor é maior que a voz.” Que este tempo sagrado não passe em vão, mas encontre morada no nosso coração. Pois mais que lembrar o que um dia se deu, é viver o amor que por nós se rendeu.

Comentários

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.