Minha alma não pede calmaria,
Pede asfalto, vento, agonia
De uma corrente acelerada
Num pacto selvagem, perfeito.
Liberdade não é quietude,
É na curva, na atitude
De desafiar o abismo aberto,
Com o coração quase deserto
De medo, mas cheio de vida,
Nessa linha tênue, partida
Entre o que respira e o que finda —
É nesse fio que a vida ganha
mais razão, mais chama, mais espanto:
O perigo me ensinou a amar tanto!
Entre as rodas, dança meu ser:
A dianteira a me conduzir,
A traseira a me sustentar
Neste voo sem parar.
É no quase, no precipício,
Que sinto o divino ofício
De existir — total, profundo,
Um relâmpago furando o mundo.
Se um dia o asfalto me chamar,
Se a velocidade me levar,
Não vistam luto, nem lamento...
Morri abraçando o vento,
Com os lábios no paraíso
De um risco que foi preciso.
Meu epitáfio? Só um verso:
"Aqui jaz quem amou o universo
Num segundo que não tem fim,
E escolheu viver — assim."
- Escritora Lua 🌙
Continuar lendo
Parte 2: Meu raiozinho de sol,
E então... 18 de julho de 2024. Nosso primeiro encontro que era tudo, menos casual:
- O pôr do sol pintando o mundo de âmbar enquanto te observava;
- O hambúrguer de bacon com risos tolos;
- Tua mota a 60km/h — minha adrenalina preferida;
- A ida ao mercado como um casal doméstico (pão, presunto, fingindo normalidade);
- E tua casa na UFT: escuro consentido, corpos entrelaçados na cama estreita, respirações sincronizadas.
Na manhã seguinte, preparaste café com tuas mãos e levaste-me até a rodoviária. Mas foi no beijo que deixaste no meu pescoço — suave, íntimo, esperado desde 2019 — que senti o fecho deste ciclo. Era Natividade, Paranã, Porto e Pindorama se fundindo num único ponto de luz.
Alguns diriam que são coincidências.
Eu chamo de calendário escrito pelas estrelas.
Porque o que vivemos não é acidente:
é o mapa que traçámos com paciência de arqueólogos do afeto,
escavando tempo até nos encontrarmos.
Obrigada.
Por existires.
Por me receberes de braços abertos em Paranã.
Por me dares beiju de frango em Porto.
Por me levares na mota como se fôssemos invencíveis.
E por aquele beijo no pescoço que não foi adeus,
mas um "até já" escrito na linguagem secreta
de quem sabe que algumas histórias
são maiores que a distância.
Com todo o meu arco-íris interno,
Tua eterna buscadora de sóis
Continuar lendo
Parte 1: Meu raiozinho de sol,
Escrevo esta carta com o cheiro do café que coamos naquela manhã em Porto ainda pairando no ar — e o calor do teu beijo no meu pescoço ecoando na pele. Como explicar o que somos? Talvez começando pelo início...
Lembro perfeitamente de 2017, na UMADETINS em Natividade. Dois estranhos numa foto de grupo, representando Pindorama e Luís Eduardo Magalhães. Nem sequer soubemos nossos nomes, mas teu rosto ficou gravado em mim como uma profecia. Dias depois, revirei o grupo do WhatsApp perguntando: "Quem é aquele príncipe de sorriso fácil?". Algo em ti já me chamava.
Então veio 2019, em Paranã — nosso primeiro reencontro. Quando te vi de braços abertos, sorrindo como quem reencontra um tesouro perdido, meu coração entendeu: "Ele existe. E me vê." Não havia palavras para aquele abraço. Só silêncio sagrado e a certeza de que eras especial.
E depois... o longo intervalo. Até que em fevereiro de 2024, cinco anos depois, cruzei a porta da tua casa em Porto. Tu, quase historiador; eu, quase enfermeira. Madrugada adentro, ouvindo tua voz fluir sobre assuntos aleatórios, pensei: "Não dormiria nunca se ele não me pedisse." Era tudo tão natural, tão certo como se fössemos peças que se encaixaram após anos separadas.
Na manhã seguinte, encontrei-te dormindo como um anjo. Quase parti em silêncio, mas tu pressentiste. Ergueste com olhos sonolentos e fizemos aquele ritual simples que guardo como relíquia: café coado, beiju de frango, e teu abraço de despedida no Uber - tão apertado que parecia querer costurar nossa distância.
23 de maio de 2024: o dia em que vi minha cidade finalmente te engolir! Corri até a prefeitura só para te ver por minutos. "Ele veio!" - pensei, rindo sozinha nas ruas que testemunharam minha alegria desmedida.
Continuar lendo
Natividade, 2017
Quando a UMADETINS nos uniu na foto,
não trocamos nomes — só destinos.
Teu rosto de príncipe desbotou no grupo,
mas no meu peito ficou, latente.
Procurei-te no WhatsApp:
"Quem é o riso que ilumina Pindorama?"
Paranã, 2019
Dois anos depois, o reencontro:
teus braços abertos como asas,
teu nome — afinal — um hino na minha boca.
E eu, muda diante do milagre:
você existia. E me via.
"Te amei por mil anos..."
— jurou a canção no rádio
enquanto o destino cosia nossas vidas
com linha invisível.
Porto Nacional, fevereiro de 2024
Cinco invernos depois, tua casa:
história quase formada nos teus livros,
enfermagem nas minhas mãos.
Madrugada: tua voz fluindo rios
sobre assuntos aleatórios.
Eu bebia cada sílaba.
Não dormiria se não me pedisses.
Manhã:
acordei e vi — anjo dormindo.
Quase parti em silêncio...
Mas teu corpo pressentiu:
despertaste.
Beiju de frango, café coado,
Uber até o evento.
Teu abraço de despedida:
minha alma rasgada no portão.
23 de maio de 2024
Minha cidade, enfim!
Corri até a prefeitura —
breves minutos de eternidade.
"Você veio!" — pensei,
enquanto meu sol nascia
no asfalto de ruas que nunca te viram.
18 de julho de 2024
Primeiro encontro dos encontros:
o poente dourando teus olhos castanhos,
hambúrguer com bacon, risos,
tua moto a 60 km/h —
minha adrenalina santa!
Mercado noturno: pão, presunto,
fingindo ser um casal comum.
Tua casa na UFT:
nós dois no escuro,
respirações entrelaçadas,
corpos aprendendo geografia íntima.
Manhã: café feito por tuas mãos,
mota até a rodoviária.
E então —
o beijo no pescoço:
fogo brando que esperei
desde 2019.
Meu raiozinho de sol:
cada intervalo entre nossos abraços
foi só um compasso
para o verso seguinte
deste poema
que escrevemos
com o calendário inteiro
das estrelas.
Continuar lendo
Eu também penso em você.
Talvez mais do que deveria. Talvez mais do que admito até para mim mesma. Seu nome vive em pensamento, em silêncio, em saudade. E mesmo quando tento não sentir, há uma parte minha que ainda se inclina na sua direção — como se amar você fosse algo que meu coração aprendeu sozinho, sem me pedir permissão.
Eu entendo o teu silêncio. Sei que ele não é vazio, nem descaso. É medo. É confusão. É o tempo tentando colocar em ordem o que a gente sente tão fora de qualquer lógica. Mas mesmo entendendo, às vezes dói. Porque eu te vejo — mesmo quando você se esconde. Eu te sinto — mesmo quando você se cala.
Você fala de amor com um cuidado que só quem ama de verdade consegue. Você se afasta, mas não nega o que sente. E, mesmo assim, eu fico aqui, entre a espera e o instinto de seguir. Entre a vontade de te acolher e o medo de me perder tentando te alcançar.
Mas eu não vou correr. Não mais.
Se for pra ser amor, que venha com coragem. Que não viva só no papel. Que me abrace de verdade — com presença, com planos, com entrega.
Enquanto isso, vou cuidar de mim.
Vou me fazer lar, me fazer inteira. Porque quando (ou se) você voltar, quero estar tão firme em mim mesma que te amar não me custe a mim.
Com carinho, verdade e tudo que ainda pulsa aqui,
– Lua 🌒❤️
Continuar lendo
Ela não precisou dizer nada.
Só olhou.
E naquele instante,
o tempo inteiro ficou em suspenso.
Não era sedução forçada,
nem aquela fome que invade —
era como quem já sabe.
Olhar amadeirado não pede licença.
ele se encosta devagar,
como sombra de árvore ao entardecer.
Tem mulher que carrega floresta no olhar.
e dentro dela:
tronco antigo em corpo jovem.
Raízes que sentem o chão,
mesmo quando ninguém mais escuta.
Não grita.
Não acelera.
Só toca onde precisa.
Olhar amadeirado é esse:
feito de intuição,
feito de pausa,
feito de reconhecer sem explicar.
Quem tem, sabe.
Quem já foi atravessada por um, nunca esquece.
Continuar lendo
Ontem, pela primeira vez,
Um ciúme frio me atravessou:
Vi tua amiga a sussurrar
Os nomes que eu jamais te dei.
Palavras doces que eu congelei,
No peito, um rio seco de afeto...
Ela repete o que eu calava,
E traz meu nome — eco de um segredo.
"Será que em mim ainda se perde?"
Pergunto ao vento, sem razão.
Encontrar cópia exata é absurdo,
Ou prova de tua contradição?
Sorri lembrando da canção antiga,
Versos que o tempo não apagou:
"Não vou te esquecer, nem que eu
tenha que achar a cópia
exata de você"
Não somos mais laço que se ata,
Mas brilha em mim serena luz:
Alegria por quem te acalenta
Com vozes que eu jamais produzi.
Amor silente foi minha sina,
Meu coração, agora, é paz.
Encontraste quem canta alto o afeto,
Eu encontrei quem canta em mim, talvez.
E na estrada que o destino traça,
Ambas ganhamos ao seguir:
Levo comigo minha alma gêmea,
E tu, a sombra que te faz sorrir.
No fim, o amor não tem derrotas —
Cada um colhe o que plantou.
Dois pares perfeitos se completam...
A vida acerta quando o coração dançou.
- Escritora Lua 🌙
Continuar lendo
Antes que os lábios confessem o desejo,
há um mapa de luz nos teus olhos:
constelações que traço com meus votos,
língua de sombras onde meu nome é sussurro.
Meu corpo é um rio que se desvia
para encontrar o mar do teu abraço,
mas antes da corrente, antes da maré,
meus olhos já navegaram teu rosto,
beijando, em segredo, cada curva do tempo.
O olhar é a poesia que o silêncio não cala —
versos de puro fogo escritos na pupila,
onde o amor se revela sem véu, sem medo.
Vês? As palavras são frágeis, tropeçam no ar,
mas nos meus olhos mora a verdade crua:
o céu inteiro cabe num instante de ti,
e antes que as mãos se encontrem,
já nos perdemos no dilúvio de um só segundo.
Se a voz falhar, olha-me:
haverá um jardim inteiro a brotar no escuro,
pétalas de ânsia, raízes de adeus...
E quando, enfim, os lábios se renderem,
será apenas o eco do que os olhos cantaram:
dois sóis colidindo em silêncio,
na aurora de um beijo que já existia.
- Escritora Lua 🌙
Continuar lendo
Eu nunca entendi o que é a vida _ ou qual é, afinal, o propósito dela.
Seria mais fácil vivê-la se eu a compreendesse?
Por muito tempo, tenho caminhado com o medo do arrependimento, como um nó preso no tempo, enroscando o futuro em um passado que nunca chegou a acontecer.
Carrego pensamentos pesados, cheios de perguntas sem resposta, ancorados no abismo da cegueira. Cegueira de quem vive deixando tudo para depois.
E se, de repente, eu estivesse na solitude da velhice, vivendo o meu próprio medo _ o arrependimento _ Melancolicamente arrependida por não ter vivido. Nem errado, nem chorado, nem amado... Ou até arrependida por ter vivido demais.
E se a morte fechasse o livro antes que eu escrevesse meu capítulo favorito? E se ninguém jamais soubesse qual era o meu final?
Eu nunca entendi o que é a vida ou qual é, afinal, o propósito dela.
Mas, o que valeu a pena até aqui?
- Kaily ( kailyoliveira )
Continuar lendo
Não te peço que desmontes os muros—
aprendi a amar o modo como a luz
se refrata nos teus prismas de gelo,
criando arco-íris em noites de granizo.
Seus espinhos são só raízes ao contrário,
e eu cavo a terra macia onde elas podem
descer, virar florestas subterrâneas,
sem medo de geadas ou perguntas.
Traga-me tuas guerras sem medalhas,
as cicatrizes que você chama de fracasso.
Vou costurá-las com fios de lua minguante,
até que virem colares de histórias sem dono.
Teu silêncio não é um monstro—
é um rio que eu navego de barco a remos,
respeitando as correntes, pescando
as palavras que você solta em sussurros.
Não preciso que sejas pão ou faca:
sê fogueira que esquenta, cinza que fertiliza,
gato selvagem que vem e vai,
mas deixa pelos de luz no meu sofá.
Quando a armadura tilintar de cansaço,
minhas mãos são um lago sem fundo
pronto para engolir metais e devolver
escamas de prata, leves como suspiros.
Você, mulher-feita-de-enigmas,
pode ser mapa rasgado e bússola quebrada:
amo teus nortes desgarrados,
as rotas que inventamos no escuro.
- Escritora Lua 🌙
Continuar lendo