Escritora Lua 🌙 @aline_barros
Amor

Carta ao meu calendário de milagres

Parte 1: Meu raiozinho de sol, Escrevo esta carta com o cheiro do café que coamos naquela manhã em Porto ainda pairando no ar — e o calor do teu beijo no meu pescoço ecoando na pele. Como explicar o que somos? Talvez começando pelo início... Lembro perfeitamente de 2017, na UMADETINS em Natividade. Dois estranhos numa foto de grupo, representando Pindorama e Luís Eduardo Magalhães. Nem sequer soubemos nossos nomes, mas teu rosto ficou gravado em mim como uma profecia. Dias depois, revirei o grupo do WhatsApp perguntando: "Quem é aquele príncipe de sorriso fácil?". Algo em ti já me chamava. Então veio 2019, em Paranã — nosso primeiro reencontro. Quando te vi de braços abertos, sorrindo como quem reencontra um tesouro perdido, meu coração entendeu: "Ele existe. E me vê." Não havia palavras para aquele abraço. Só silêncio sagrado e a certeza de que eras especial. E depois... o longo intervalo. Até que em fevereiro de 2024, cinco anos depois, cruzei a porta da tua casa em Porto. Tu, quase historiador; eu, quase enfermeira. Madrugada adentro, ouvindo tua voz fluir sobre assuntos aleatórios, pensei: "Não dormiria nunca se ele não me pedisse." Era tudo tão natural, tão certo como se fössemos peças que se encaixaram após anos separadas. Na manhã seguinte, encontrei-te dormindo como um anjo. Quase parti em silêncio, mas tu pressentiste. Ergueste com olhos sonolentos e fizemos aquele ritual simples que guardo como relíquia: café coado, beiju de frango, e teu abraço de despedida no Uber - tão apertado que parecia querer costurar nossa distância. 23 de maio de 2024: o dia em que vi minha cidade finalmente te engolir! Corri até a prefeitura só para te ver por minutos. "Ele veio!" - pensei, rindo sozinha nas ruas que testemunharam minha alegria desmedida.

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