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@abrubs · desde 2019

oi, sou a bru

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entrega

O amor mais completamente ridículo É o que não serve nem pra ser entregue.

perspectiva

Num mundo onde as flores morrem A vista da minha janela é bonita. Quero ser capaz de ver o micro, sem perder o macro. Ser capaz de ver o macro, sem perder o micro. Amar o que foi, sem nunca deixar de amar o que há. E vice-versa. É por isso que Num mundo onde flores morrem Aprecio as flores E, ainda mais, a vista.

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rudez

Sua falta de olhar meus olhos quando se zanga Suas mudanças bruscas, sua rudez Torna borbulha e carmim minha palidez Faz rolar quente água, por minha tez E assim a tristeza lenta e pesada se fez Sem raiva, sem mágoa Apenas... Cansada Eu repenso a gente O quanto devo me entregar? Quanto devo tentar e acreditar? O quanto devo rezar Antes de recuar? Quanto vou saber se te amo E se sei bem te amar? Como escolher  Entre ficar ou terminar? Deveria ser tênue linha A que faz-me duvidar? Por que não parece te importar Com o meu machucar? O que eu preciso fazer por você? Quem eu devo ser? Quanto preciso crescer? Tudo bem, eu mudo, feliz Mudo, ajusto, cuido Por um cabeça que me cuida Responsável e diligente Mas não posso fazê-lo por alguém tão displicente.

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aliança

aliados, enfim eu, você e confiança somamos bem e crio esperança mas caiu a pedrinha da aliança... me perdoa, querido que não a vi se soltar tornou-se ainda mais solitário o solitário, em meu anelar passou a engarranchar o frio e escuro aço inox agora tinha pontinhas a me furar é que ontem você me contou que escolheu tal pobre par porque ainda não sabia se queria me namorar se ao me conhecer irias me gostar tão pouca fé creditava a nós e não nos via durar fundo respirei e ficou pior quando disse, rindo que me conheceu e realmente quis terminar mas deixou rolar pra saber onde iria dar duplamente pisquei onde foi que eu errei? foi quando por você dois estados cruzei? foi quando confiei em ti o primeiro a quem beijei? O anel perdeu a pedra, mas a memória perdeu o brilho então... chorei.

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catedrais

A vida ganhou textura menos peso de armadura uma riqueza alucinante em detalhes como catedrais em Versalhes Amor, não pares acredita em milagres? em mudança dos ares na influência da lua nos mares? Sinto a densidade ruidosa da chuva sem nem estar sob efeito da uva o ressoar dos trovões aos cotovelos ao peito, novelos, à cabeça, novelas E penso em você no seu jeito de ser... e troveja de novo grave, gostoso Nesse farfalhar ruidoso que cai molhado sobre a cidade eu ouço a tempestade Ai que saudade do que a gente ainda não viveu Tu e eu naquelas tu e eu e luz de velas Sorrio lenta e boba cairia bem uma sopa ao sopé do ombro teu boto fé no que me deu Escrevo na madrugada dos quatro pneus arriada nunca me senti assim... Amando e amada sem defesa nem arma só crueza e a beleza que isto encarna.

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pangeia

Declame em minha janela: 'Buon giorno principessa!' Carabinas e caravelas! Bambina está indo à capela Neste exato momento  Que debruço-me ao beiral Não vejo só o clamor do jogral Porque o tempo congela, espesso Vislumbro o dolce princípio  Dos capuccinos e carpaccios Duma inteira serene vida Provando sabores gelatos A uníssono de nós Desejo tudo: tempo! Para que tempo tenhamos Nós dois e o fresco vento Tu, velas Eu, pavio Mãos ao leme Do navio Elas contornam Meu quadril Calor ou frio Não nos resta vazio Dediques tempo Ao torso mio Que eu decore cada fio Que decora seu rosto Que me encara E me cora ao encosto Para que eu conheça Cada uma das tuas costelas Até saber quem sou eu entre elas Qual sou eu, entre elas Moço Que eu me molhe Em só teu riso Em só teu poço,  Pozzetti Para que tempo tenhas de conhecer  A circunferência de minha cintura Meu peso quando me levantas E debaixo do teu queixo, minha altura Sobre tua pele cobre, cobrem Óleos jasmin perfumados Patchouli e almíscar refinados Cheiro de blends sagrados Nossos dias são contados E a conta quero perder Ter suficiente tempo Para o tempo não ver A nós? Tudo! Tato, tempo, alento Capriche Capiche? Sonho com tal odisseia Não tenho dúvidas: Verbos e ideias líricas Recriam pangeia Volto, para a janela Vejo amoré mio Paciente sorrir 'Desce, ma Bela!'.

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pertencer

Você me é todas as palavras que vêm da França, Monsieur (E todos os timbres também) Vestindo apenas o chambre cambraia o molda ideal para noites quentes de Chagny Quero falar com você sobre onde palavras não chegam Onde apenas sons tateiam bombeiam imitam fluxo do sangue na gente Sibilam aos lábios como estática aos rádios silenciosos, por vezes mas tremulam estádios Podes ouvir e vir a saber o que proponho a discorrer? São securas amadeiradas dum cello rouco e escuro que se curvam a acordes que dançam como lordes Corajosos jocosos jograis honrosos São flautinhas felizes por se render às matizes onde se cabem entre brechas nas partituras São muito felizes ao estar lá e poder ressoar pungentes ao ar sensíveis ao soprar São notas agudas dum piano lambido urgente e desesperado que falha ao ser tocado Um pouco soberbo por ser dedilhado invés de soprado ou friccionado Não caberia em tantas páginas se eu ainda ousasse descrever o baixo e todos os outros que compõem a melodia que ouço, quando relaxo Pertencimento é tão gostoso inda assim, algo curioso de sentir, transmitir e explicar Só possuir é pouco pois ainda posso ir Mas pertencer... é o tensionar do ter esticar, percorrer toda a posse do saber ao ser Per tensiono uma vez e permanece Deixo de ter passo a ser um pouco do que tu me é Propriedade que belamente se transforma em identidade É para sempre mesmo se vou ou volto se voo ou revolto se aperto ou solto É presente que não depende de presença ato poético de liberdade É nota que soa e ressoa enquanto durar o ar Termina mas se atina ao ouvido e ouço enquanto lembrar Címbalo e símbolo retumbante, compreensível à língua dos homens e dos anjos Amor que toca que não é só toque é canção e ressonância Te pertenço ao me ler por estas quadras de versos e efêmeras linhas.

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toque

Toque, Toque! Quem é? Meu preto, café! Toque, toque... Só toca, Toca. Eu abro, A porta! Te vejo, Como quem o vê... e lampejo isto que vos escrevo. Num chalé de madeira. Está mui frio lá fora... Me namora à mesa, Falando asneira. Massa ao molho sugo, E suco seco âmbar (cê prefere o tinto, logo distinguo). De tinta, eu entendo! Eu te pinto... com tu me vendo. tu recita desvendando esta cita nos descrevendo esboça a artista rabisca, atiça me belisca! 'Relaxa, Cê tá em casa' Você diz... Eu fico fraca. 'Aí, Carrascal!' diferente dos iguais. se acha em mim e se perde no fim me segura a cintura me assegura à altura me vira a taça e atura meu bem arrasta o pé dancemos xote cheiro no cangote que todo tempo enquanto houver pra mim também é pouco pra dançar com meu benzinho numa sala de reboco ergue-me me deixa no ar, fico sem ar e rio... sem parar. desliga o resto. eu, você. cafuné. sem tv. Sento no teu colo, demoro... mas relaxo Deixo meu peso vir à baixo de graça me ama descalça me amassa vem peito a peito me abraça direito me cuidas e Lho respeito que quero você seus gominhos das laterais e suas costelas duras me esmagando tateia minha veia desenha minha lombar modela minha anca e sussurra um samba unhas das costas ao coração selando a condição Lho permito a condução com uma condição... me cases primeiro me diz 'eu te amo, amor' me ama mais, Senhor que sou doce e simples lho trago ao lar, paz toque, toque! te quero como nem sei... nem sei querer O Rei, Te quero, Como nem sei... Espero o sinal e a Lei. te bem quero como nunca até me assusta te quero cheiro da nuca doce e terroso meu preto charmoso Preciso de sabedoria. Quero, quero você hoje... E todo dia, Tu toparia? bate à porta forte bate à aorta que sorte! toque, toque, entres! marcas de batom nocê inteiro no queixo, no colarinho no joelho e nos nós dos dedos nocê inteiro toque toque preâmbulo me lambe me aquece o sangue Que Haja Paz! Na calma, para a alma. E na cama, de pijamas, me diz, querido... Que me amas.

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cantares

Como nos cantares... Meu querido é meu E eu sou dele Para guiares Se destaca dentre dez mil Tive certeza Quando sorriu Entre plantações de lírio e jasmin No rural de abril Se destaca dentre cem mil Agraciado ao dom Rei do desenrolo Fui domada Meu camarada Cria de praia E do Jabaquara Depois que tu acorda O sol até raia Compondo e o dia se pondo Durmo, contigo sonhando Acordo ouvindo Tim Maia Até o espelho notando Acho lindo de ver A gente se achando Queda livre Ou tropeço ao tombo? Não importa Se somente há combo Jamais morra por mim De que me serviria? Mas viva por mim E eu reviveria Contigo estou E meu peito faz pazes Bandeiras brancas Em todos os lugares Me belisca É real ou só é sonho,? Como nos cantares... Meu querido é meu E eu sou dele Para guiares Se destaca dentre dez milhares (Como nos cantares) Vem me encontrar (Como nos cantares) Vem me buscar (Me leva ao mar) Como nos cantares... Meu querido é meu E eu sou dele Para guiares.

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píer

Plumas de pombas brancas Se eriçam e se chacoalham sob o sol quentinho Do chão às sancas Hum... Novas manhãs farfalham Com sabor de chantininho A mocinha está extasiada Há três semanas Aprendeu a beijar Após deixar Seu dedo ser circundado Por jóia anelar Seu primeiro namorado Para enfim namorar E se permitir suspirar A priori estranhou Lábios molhados De encontro selar Ao píer frio Onde o mar colide ao rio Ele a levou, a abraçou Dois pares de pés Suspensos a balançar Havia lua e havia luar Esperou o tempo passar Para que ela pudesse se conformar Da superfície, vapor a arrebatar Risas aos olhos molhar Adstringentes sabores mentol Pasta aos dentes refrescar Depois, mais dois, três ou quatro selares Entre cinco, seis ou sete olhares E uma mordiscada na maçã marcada Ela sorriu ainda mais profundo, Envergonhada Pende-se ao lado a donzela Passou-lhe a ponte do nariz Para cheirar toda ela Por finde A jugular aquiesceu Quando tua face a tocou Riu de nervosa Doce, mimosa E estremeceu 'Mo bem... Assim não, Que me perco e também o chão'. Ergueram-se lânguidos Dos joelhos trocados Bêbados e ensopados Ode ao dia, viu Que menina moça Carinho e calor se permitiu E pouco mais moça que menina Se sentiu.

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