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@Zenith · desde 2025

"Reconstruo-me em versos — um caos buscando sentido." E-mail: [email protected]

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Poema

Registro I : Causa & Efeito

Nós evoluímos ou mudamos? Durante anos tratei minhas mudanças como evolução, como se cada nova versão de mim fosse necessariamente superior à anterior. Como se avançar fosse, por si só, uma forma de progresso. Mas talvez eu apenas confundisse movimento com crescimento. Porque mudar não significa tornar-se melhor. Significa apenas tornar-se outro. E talvez o “eu” que deixei para trás não tenha sido destruído. Talvez apenas tenha se tornado invisível. Cada escolha, cada erro, cada abandono, cada sonho esquecido, permanece como uma marca naquilo que veio depois. Não como memória, mas como consequência. Porque o passado não precisa ser lembrado para continuar produzindo efeitos. Um "eu" produz o seguinte. O seguinte abandona o anterior. E, ao fazê-lo, torna-se a causa de outro. Assim seguimos: mudando, substituindo, enterrando. Até que aquilo que um dia chamamos de “eu” se torna apenas uma lembrança distante de alguém que já não reconhecemos. Seu rosto mudou. Sua voz mudou. Seus sonhos mudaram. Talvez até sua própria ideia de existência tenha sido substituída. E, ainda assim... se aquele homem desapareceu, por que ainda encontro suas digitais em tudo aquilo que sou? Talvez porque ninguém desapareça por completo daquilo que ajudou a construir. Podemos abandonar suas crenças. Negar seus erros. Esquecer seus sonhos. Mas não podemos desfazer aquilo que eles causaram. E talvez seja esse o verdadeiro paradoxo: cada versão de mim precisa morrer para que a próxima possa existir. Mas nenhuma delas desaparece completamente. Porque aquilo que fui continua causando aquilo que sou. E aquilo que sou já começou a causar aquilo que ainda não fui. No fim... Talvez eu não seja uma sucessão de pessoas. Talvez eu seja apenas uma sucessão de consequências. E talvez evoluir não seja tornar-se alguém melhor. Talvez seja apenas aprender a carregar as causas que nos trouxeram até aqui. Talvez mudar seja apenas isso: morrer em pequenas partes, sem jamais deixar de existir. — Z —

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Poema

Registro Zero: Entropia

"Onde o 'Eu' termina, o Horizonte de Eventos começa. Bem-vindos ao lugar onde os segundos não passam, eles apenas colidem." Tempo, doce e amargo senhor das horas, que permeia a brevidade de vossa ínfima existência. Fluxo que não admite espera. Vácuo que desconhece regressos. Eis o Tempo: a força que transfigura impérios, consome civilizações e silencia estrelas moribundas na vastidão indiferente do cosmos. Diante dele, até mesmo a eternidade parece apenas um instante mal calculado. O Tempo arrasta nomes, corrói rostos, apaga vozes e converte memórias em ruídos dispersos ecoando no escuro. Nada permanece. Nada resiste. Nem mesmo os deuses escapariam da erosão dos segundos. E ainda assim… há algo cruelmente fascinante em observá-lo. Porque enquanto galáxias colapsam, corpos envelhecem e consciências desaparecem como poeira atravessando um horizonte de eventos, o universo permanece em silêncio. Frio. Imóvel. Como se toda a existência não passasse de uma reação esquecida ocorrendo tarde demais. E no âmago silencioso do infinito, o Tempo continua: mudando tudo… enquanto, no fundo, não muda absolutamente nada. — Z —

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Sorria :)

Eles me perguntam: "Como é que você tá mal?" Logo eu. Logo eu. Logo eu. Logo eu, que sempre apareço com um sorriso estampado no rosto. Que respondo: "Tá tudo bem." "Tá tudo tranquilo." Que chego dando um salve animado, como se a vida estivesse em ordem perfeita. Mas, se olharem com atenção, se pararem por um instante, talvez percebam que meus olhos contam uma outra história. A história de alguém cansado. Sem vontade. Sem brilho. Um olhar tão vazio quanto o próprio espaço. Não há estrelas aqui. Só uma imensidão silenciosa. Às vezes sinto que me tornei apenas uma casca, movendo-se conforme o piloto automático, cumprindo rotinas, respondendo perguntas, sorrindo quando esperam um sorriso. Vazio por dentro. Mas por trás dessa casca há camadas sobrepostas de proteção: Fingir. Camuflar. Sorrir. Inventar piadas sem graça. Fazer parecer que ainda estou aqui. Que ainda sou eu. E no fim, quando todos vão embora e a madrugada fria toma conta da sala, resta apenas a consciência. Eu. O silêncio. E o frio. Sem ninguém por perto para ouvir. Então espero. Espero o dia raiar. Porque quando o sol nascer, o personagem volta ao palco, volta a brilhar. E, para o resto do mundo, ao normal tudo voltará. Como se nada tivesse acontecido... — Z —

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Rotatória

Eu mudei, ou achei que mudei. Tentei ser diferente, tentei tomar outro rumo. Trocar a faixa, a estrada, a rota. Mas nada adiantou. Voltei ao lugar onde comecei essa jornada. Com novas roupas, novas palavras e novos sonhos, mas novamente a mesma estrada, o mesmo horizonte, a mesma caminhada. E foi então que percebi algo perturbador: Talvez eu nunca estivesse tentando escapar do caminho. Talvez estivesse tentando escapar de mim. Sabe qual é a pior parte da depressão? Não são as lágrimas. Não são as noites em claro. Não são os dias em que levantar da cama parece impossível. É quando ela permite que exista esperança. Um lampejo de felicidade. Um breve instante de paz. Um momento em que você acredita que finalmente está melhor. Mas ela sempre vem com prazo de validade. E quando termina, leva consigo tudo aquilo que havia construído. Como uma maré que recua, arrastando consigo os castelos que você passou tanto tempo tentando erguer. Então você começa a se perguntar se algum dia realmente mudou. Se toda essa jornada significou alguma coisa. Se cada passo adiante não passava de um círculo disfarçado de estrada. E, no fim, surge o pensamento que mais assusta: Talvez a depressão não habite minha alma. Talvez ela esteja impressa nela. Como uma cicatriz antiga. Como uma marca permanente. Como uma assinatura deixada em algum lugar que nunca conseguiu se curar. E então eu percebo que o medo não é carregá-la comigo. O medo é descobrir que, depois de todo esse tempo, ela não está comigo. Ela sou eu. — Z —

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Uma Chamada do Outro Lado: Deus...?

"A ciência não pode provar Sua existência, mas o universo parece insistir em sussurrá-la." Deus, posso chamá-Lo assim? Talvez eu esteja sendo informal demais. Mas imagino que o Senhor saiba o motivo. Se esteve comigo durante toda esta jornada, então conhece minhas falhas. Meus vícios. Minhas escolhas. As cicatrizes que escondo dos outros e aquelas que escondo de mim mesmo. O Senhor sabe das ações das quais não me orgulho. Sabe o quanto já me odiei. Sabe o quanto odeio estar exatamente onde estou. E então eu me pergunto: de quem é a culpa? Minha? Sua? Existe mesmo um culpado? Sou eu quem falhou por não conseguir seguir em frente, ou foi o Senhor quem permaneceu em silêncio quando eu mais precisava de um guia? No fundo... acho que estou reclamando demais. Reclamando das coisas erradas. Eu só... cansei. Cansei de chorar. Cansei de me partir em pedaços e passar anos tentando recolhê-los. Cansei de me perder em cada novo cruzamento. Tenho apenas uma vida, e ainda assim, parece que estou vivendo da maneira errada. Por que não posso alcançar aquilo que tanto sonhei? Por que alguns caminhos parecem tão longos? Por que existem tantas provações? Tantas quedas? Tantos desvios? Tenho muitas dúvidas. Mais do que consigo contar. Mas existe uma que retorna todas as noites, como uma velha companhia. Se o Senhor existir... ainda me aceitará depois de tudo? — Z —

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Confissões de Um Coração Morto - Parte 7: Madrugada Fria

Mais uma madrugada fria. Um hábito ruim em agonia. Rolando a tela — caçando migalhas de dopamina. Não achei o que procurava, mas tropecei no que outrora teria sido um pesadelo. Ela. Sorrindo como quem venceu, exibindo uma vida emoldurada, como se nada tivesse ruído. Só havia um detalhe. O sorriso parou do outro lado da tela, como um reflexo que não reconhece quem observa. E o frio voltou a ser só frio. Em mais uma madrugada fria. Cruzei uma das minhas feridas mais antigas. Mas algo estava diferente. Ela não ardia. Não coçava. Não chamava atenção. E, naquela madrugada fria, eu entendi: eu mudei. Mas é importante ressaltar: independente da mudança, a dor não sumiu. Ela só perdeu a voz, perdeu o peso, perdeu o poder. Ainda existe, mas agora… não dói como já doeu um dia. — Z —

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Sou machista por...?

Sou machista por respirar no mesmo ar dos que matam? Por carregar no peito o mesmo gênero dos que não sabem amar? Sou machista por querer lógica num mundo que só grita? Por pedir igualdade onde só querem plateia e holofote de mártir? Sou machista por achar que toda vida pesa o mesmo no prato torto da existência? Por negar a hierarquia da dor que a internet inventa? Sou machista por não vestir bandeira, por não marchar em fila, por não transformar opinião em culto nem dor em moeda política? Sou machista por não odiar homens? Por odiar apenas a violência — vinda de qualquer nome e de qualquer pele? Sou machista porque nasci? Porque outros erraram antes de mim? Porque um algoritmo decidiu que eu era culpado antes mesmo do crime? Sou machista por não pedir desculpa por algo que não fiz? Por não ajoelhar diante do tribunal viral? Sou machista por ficar em silêncio quando o mundo só quer guerra? Por não transformar o globo num ringue eterno de “nós contra eles”? Me diga: se toda discordância é crime, se toda nuance é traição, se todo homem já nasce réu… Onde termina a justiça e começa apenas a necessidade de apontar um inimigo? — Z — Nota do Autor: Sem hate por favor, se não curtir apenas pule, pare de seguir ou vá cuidar da sua vida, tmj. É só um desabafo.

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Vibe ReLoad

"Às vezes, a lembrança vem como um sussurro, um som distante de algo que um dia fez sentido. Sem perceber, voltei a te procurar entre as fronteiras da realidade e da insanidade." Nessa busca incessante de te procurar, eu me esqueci que também podia me perder. (Silêncio...) E me perdi. Tentei seguir em frente. Dei diversos passos, sem olhar para trás. Mas a vida cobra — e cobra caro. Ela mostra que o orgulho é a saída mais fácil, mas não a melhor. Busquei a raiva, o ódio, a vontade de provar que seria melhor sozinho. Mas não busquei melhorar de verdade. Só fugi. Fugi dos problemas, das rachaduras, e dos espelhos da minha consciência — ou da falta dela. Encontrei abrigo na raiva, no ódio, nas desculpas esfarrapadas de que viver no caos era melhor do que encarar o meu próprio vazio. Acreditei que produtos ilícitos valiam mais que o embriagamento lírico. Mas sabe de uma coisa... Eu realmente não sinto mais saudade dela. Porém, ainda sinto falta de quem ela era. De quem eu era. Daquela época. Época boa de viver, de felicidade simples estampada no rosto a cada viela cruzada. (Silêncio...) Agora eu entendo. Nem sempre a vida é sobre vencer. Nem sempre é sobre amar. Mas quase sempre é sobre perder. Perder um pouco de si. Se reconstruir, de pouquinho em pouquinho, um tijolo por vez. Criar alicerces em poucos versos, mas versos tão profundos quanto o oceano. — Vibe ReLoad (Silêncio...) Um silêncio à parte... No fim dessa história, percebi que somos iguais. Meu eu atual é o reflexo da tua imagem. E eu ainda não sei se essa percepção é boa... ou ruim. — Z — Nota do Autor: Tem nada a ver com você (Load), mas admito que seu pseudônimo e uma conversa no PV me inspiraram em certos versos kkkkk. Esse texto não foi programado, sequer imaginei ou pretendia voltar para tal assunto, mas acabei retornando com uma outra visão... A maioria aqui pode nem entender do que se trata e tudo bem, acima de todo o contexto, acredito que ficou muito bom, mas se possível me dêem suas opiniões aí... ☺️

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Confissões de Um Coração Morto - Parte 6: Um Brinde aos Espíritos Livres

Muitos dizem que me tornei ríspido, vazio, raso. Mas a verdade é outra: eu mudei. Parei de me importar com o que não posso controlar. Parei de sentir falta de um futuro que nunca existiu. Parei de assistir à minha própria vida no modo espectador. Hoje, aproveito cada pequeno detalhe. Cuido de mim como ninguém jamais cuidou. Vivo cada dia como se fosse o último — não por desespero, mas por gratidão. Nem sempre os resultados são bons, e tudo bem. Ninguém ganha na loteria todos os dias. Talvez eu tenha machucado pessoas como outras um dia me feriram — mas isso também faz parte. Tentei ser perfeito por muito tempo, até entender que perfeição é só outra forma de prisão. Então, desde já, ergo meu copo e digo: — Um brinde a todos os espíritos livres! Aos que aprenderam a cair, aos que amam sem correntes, aos que seguem em frente — mesmo feridos, mas vivos. — Z —

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🌌 A Casa Vazia

[ Além do Tempo ] A casa está em pé, paredes firmes, telhado inteiro, mas não há voz alguma entre seus corredores. As janelas guardam o vento, as portas rangem como ossos velhos, e o chão, mesmo limpo, carrega marcas invisíveis de passos que não voltaram. Cresci dentro desse eco, entre móveis que me observavam mais do que acolhiam. Ali aprendi a silenciar vontades, a sorrir sem perguntar, a obedecer como se fosse destino. O lar que deveria ser colo se fez espelho: mostrou-me tudo o que eu era, e tudo o que eu não poderia ser. Cada parede guarda uma memória — algumas doces, outras que sangram sem corte mas nenhuma delas responde quando chamo. A casa nunca foi abrigo, foi cenário. E eu, personagem preso no roteiro, repetindo falas que não escrevi. Hoje caminho por dentro dela como um visitante que não encontra seu quarto, e percebo que talvez nunca tenha tido um. A casa é cheia de coisas, mas sempre foi vazia de mim. — Z — #saga #alemdotempo #poema #poesia #existencial #Z

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