Confissões de Um Coração Morto - Parte 7: Madrugada Fria
Mais uma madrugada fria. Um hábito ruim em agonia. Rolando a tela — caçando migalhas de dopamina. Não achei o que procurava, mas tropecei no que outrora teria sido um pesadelo. Ela. Sorrindo como quem venceu, exibindo uma vida emoldurada, como se nada tivesse ruído. Só havia um detalhe. O sorriso parou do outro lado da tela, como um reflexo que não reconhece quem observa. E o frio voltou a ser só frio. Em mais uma madrugada fria. Cruzei uma das minhas feridas mais antigas. Mas algo estava diferente. Ela não ardia. Não coçava. Não chamava atenção. E, naquela madrugada fria, eu entendi: eu mudei. Mas é importante ressaltar: independente da mudança, a dor não sumiu. Ela só perdeu a voz, perdeu o peso, perdeu o poder. Ainda existe, mas agora… não dói como já doeu um dia. — Z —
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