Z @Zenith
Poema

Registro Zero: Entropia

"Onde o 'Eu' termina, o Horizonte de Eventos começa. Bem-vindos ao lugar onde os segundos não passam, eles apenas colidem." Tempo, doce e amargo senhor das horas, que permeia a brevidade de vossa ínfima existência. Fluxo que não admite espera. Vácuo que desconhece regressos. Eis o Tempo: a força que transfigura impérios, consome civilizações e silencia estrelas moribundas na vastidão indiferente do cosmos. Diante dele, até mesmo a eternidade parece apenas um instante mal calculado. O Tempo arrasta nomes, corrói rostos, apaga vozes e converte memórias em ruídos dispersos ecoando no escuro. Nada permanece. Nada resiste. Nem mesmo os deuses escapariam da erosão dos segundos. E ainda assim… há algo cruelmente fascinante em observá-lo. Porque enquanto galáxias colapsam, corpos envelhecem e consciências desaparecem como poeira atravessando um horizonte de eventos, o universo permanece em silêncio. Frio. Imóvel. Como se toda a existência não passasse de uma reação esquecida ocorrendo tarde demais. E no âmago silencioso do infinito, o Tempo continua: mudando tudo… enquanto, no fundo, não muda absolutamente nada. — Z —

Comentários

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.