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@tamara soares

@Violetlasting · desde 2022

vamos mergulhar no mais lindo paraíso lírico. onde sempre a primavera, e o sol brilha tão bonito. o luar nos acalenta e o bosque é florido.

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Baladas latinas duma barista

conservei baladas latinas para florear em teus ouvidos seletivos montando manhosa em teu colo te imagino dedilhando meu corpo desnudo. experimentando vocativos preliminares de folhetim medieval. amolecendo tonteando estimulando meu goso invejo tuas donzelas modernistas. intérpretes dum espetáculo de artesã com uma conduta rigorosa, ambiciosa quis que me relacionasse. Emoldurasse confeccionasse como se dedica a morfologia sensual do romance embriagado que te consagra cineasta. quis que me conduzisse dançando pela sua paisagem favorita fotografa-me em Polaroid enlace-me: deixe de lado o empenho duma amizade estranha, marcante por uma noite de glória. teus modos frios, às vezes galantes, fazem-me arder em tua prosa provocante. articule línguas mortas em meus sonhos de época hesitante, clamo teu nome tocando óperas italianas que costumava odiar enquanto me ignora, devota de tua confidência. mulheres maduras te cativaram, te inebriaram; embebedaram teu caráter vassalo. não conhecem tua alma problemática como esta barista. foragida da irresponsabilidade de teu vislumbre sacana Me masturbo arfando lascívia e gírias safadas poesias sujas aceitei a proximidade platônica mas desejei tua manha e apelidos de cama por algumas semanas. agora é tarde: meus feitiços caducaram; restam anagramas das músicas que derramaste em versos bacantes em telefonemas.

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Galeria artistica

Outro poema datilografado por mim e meu venerado melhor amigo.repare as diferenças, você não vai viver bem se fizer. Eles querem você bem vivo, vivido e nem um pouco vívido. São poucos rostos vistos, dispidos do cansaço. Mas não pense nisso. Transforma aí a tua raiva em energia. Ou se não tiver sentindo nada, melhor ainda. Melhor seguir o manual corretamente, pra evitar algumas punições tranquilinhas. SIGA OS CONSELHOS CATEDRÁTICOS. NADA DE PARECER PROBLEMÁTICO. Nada importa se tu passou noites aplicado. ENERGÉTICO E drogas no corpo pra assegurar o resultado máximo, LÚCIDO. Assistindo às estrelas, calculando espectros, desenhando o topo do teto. De ponta-cabeça. Eu rezo contra sua religião pra ter sucesso. Ninguém torce por um cientista quando ele é pequeno. Ninguém aplaude uma artista que ainda tá no concreto. E isso não é culpa do teu mérito, sabia? Pra eles, ignorar nois é como uma profecia. Entregue um livro de sua autoria, somente pra que observem as primeiras 8 linhas. E depois, assista, destruírem sua galeria artística. Pra que você retorne com uma história mórbida. E então eles vão te perguntar, o porque dela ser tão distópica.

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Cronica besta de sexta.

não respiro eu não tenho coragem de te abordar olho de canto pro teu fichário bordado tuas canetas roxas esferográficas apontadores laranja perto das folhas de resposta incendiárias se olhar fosse um Modus Operandi eu já teria me fodido não respiro direito e você está bem aí paradinha assinando apoiando suas mãozinhas no queixo eu nem senti você chegar sentando do meu lado organizada aplicada na lista meu discurso é indireto gostaria de ser coesa livre igualzinha Rupi Kaur se eu fosse o tipo de menina que corteja despeja se enfeita de sílabas de pedrarias e espigas vestidos espartilhos colares Swarovski e jaquetas de couro e sem vergonha se monta num penteado se maqueia e te chama pra assistir uma demonstração de interpretação falada no microfone aberto da travessa mas na real eu fico boba sentindo que se você me desse um apelido eu tatuaria queimaria tipo nome artístico nunca te ouvi tocando e não quero que conclua que eu sou alguma santificação renovação alquimista de vida não sou uma contravenção monja tola do conto amor da Clarice juro que presto atenção se eu fosse outra celebridade daquelas que escrevem declamam pro povo ter noção do teu dom se expõem te flertam por obi e dissimulação eu seria tua feiticeira parceira te chamaria pra dividir fone no parque de Madureira que sábado é só nosso te incentivaria a sussurrar tuas poesias e canções dengosas de cereja e avelã no meu corpo

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Eu vou morrer de qualquer maneira, fds o que eu digo.

Eu não sou uma garota profunda. Num desses dias caldalosos tranquei o constrangimento. apatia parasita. fui pular de casaco na piscina do complexo Esportivo Mandei a despersonalização pra puta que pariu. Adotei um cachorrinho num canil. Me julguei filosófica cedo pra caralho. esses meses catatônicos fizeram de mim otária, obcecada por estética. Perdi o refino. A adaga caneta. Por vezes travessa. Mamãe me esculpiu feito revolucionária prodígio. hoje já nao me identifico. Desisti de denunciar regentes cretinos. Ultrapassei as colunas do Testemunho sentido. Me enterrei no arcadismo. Mas Odeio Carpe diem Se for um túmulo disfarçado de convento. Aí Me convenço. Invento roteiros sobre estrelas de cinema se matando. Desmantelando esquemas monárquicos. Alunos Rebeldes. Envenenados pelo reformismo. O materialismo também é inimigo. Se mal gerido. Como a porra do anarquismo. Já avisei! foda-se o que eu digo. Me entregue uns comprimidos. Agora sim, menos VIVA.

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Calipso. Pt:2

entre nós, posso ser sincera? secretamente... invejo minhas melhores amigas. todas puras e recatadas. são do tipo que se convida pra passear em longas tardes por enseadas e jantares lunares. você nunca se cansaria de exibi-las. eu posso estar predestinada nunca sendo vista, ou escutada. sumida por anos, mártir condenada. datilografando manuscritos espectrais sem ser creditada. eu não quero ser Calipso mas já vimos guerreiros convictos desviando de seus destinos. todos mortos, renegados ou retidos em reinos desconhecidos. se houver qualquer varal. pra me ouvir pelo portal. entreguem meu bilhete dentro deste pergaminho neon manchado de agonia me permitam sair dessa maldita profecia.

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Aqui estamos nós.

Um poema brutal que escrevi com meu melhor amigo. Se você triunfou no COLÉGIO, sua vitória é nossa penitência. Nós, antílopes submersos, somos párias causando desordem. Vocês, gênios condecorados com penas douradas adornando cabelos arco-íris, são prodígios dignos de aplausos e fogos purpurinados. Enquanto nós, perigosos soturnos, somos ingratos por ocupar espaços abençoados por Atena, quando jamais fomos agraciados com talentos revolucionários. Com sangue escorrendo pelo nariz, chicletes grudados em camisas sociais que não nos servem, manchados até os ossos com sangue de cordeiro, abaixamos a cabeça em ato de clemência. Nós, com pais insatisfeitos que nos conduzem pela corda bamba: “Não erre, não erre”, a arma está apontada para a sua cabeça. “Vou girar o tambor, vou girar, girar, girar”, até o gatilho afiar, trema, trema, torne-se um pardal, trema, se contorça! Se encolha nesse lugar fechado, essa sala trancada pela Alohomora impenetrável. Trema! Se Esconda como uma lebre! Estou te caçando, arma em riste, gatilho afiado, tambor carregado. “Eu disse pra não errar! Eu disse pra não me decepcionar! Eu disse que desejava seu melhor! Eu disse que você é meu troféu!” Mas mi enganei com tigo. Você é apenas um pequeno inútil. É menos do que eu esperava. Apareça para morrer, não si preocupe. De você todos esperam menos do que o nada. Aceite seu destino e pronto, já que o fracasso é teu melhor amigo. Enquanto vocês em suas respectivas casas. Não quebre esse play5, ou te deixarei de castigo. É que seu talento atrai aplausos. É foda. O nosso atrai lágrimas. Teu mínimo esforço atrai sorrisos, abraços. Nosso fracasso após a tentativa é como um ímã, nos puxando até às lâminas. Vocês, com suas penas douradas e brilhantes asas flutuam perto do sol, si aquecendo no inverno. Nós, com nossos trapos e esparadrapos somos jogados em vão ou por um vão, nos aquecemos no inferno. I é isso. Alguma festa ou formatura especial? Aí estão vocês. Enquanto por aqui. Em qualquer fresta ou estrutura superficial? Sim. Aqui estamos nós.

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Os varais.

Não faz muito tempo, estive lá. Caminhando em seus sonhos com cuidado, para não te acordar. O caos era rígido, a calma, fingida. Desnudei sua alma flácida, refleti o que escondia. Notoriedade , amizades fatídicas. Sala fria, olhos invernais. Casas quentes, fontes naturais. Sangue pingando no piso de um quarto lívido, nunca havia visto um suicídio por causas passionais. Lençóis avermelhados, não mais perolados. Bilhetes desgarrados, para um antigo namorado, espalhados pelo rico espaço adornado por lírios delicados. Amigos inventados, em um diário recortado. Grito aprisionado , em um corpo condenado. Morte à espreita, sorrindo com seu belo cajado, tinha os olhos fatigados de seu pai alcoolizado. Curiosidade, para onde vou retornar quando o vento leste me convocar? A passividade é uma flâmula para a qual se fará ludibriar. Me meti entre os varais, os destinos sazonais. Possuí seu corpo por razões ilegais. Andarilha da colina, deveria me manter à espreita. Mas o vislumbre de sua vida perfeita, me transformou em arqueira certeira. Reprimi seu clamor, sustentei seu calor. Afugentei seu terror, congelei seu amor. Me fundi em seu redor, condenei seu algoz. Recusei-te os cipós, te reduzi a pó feroz.

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Conexões.

Minha participação no poema do Linnus A luz do meu dia despertou, eu devo ter dormido por dias. Durante meu sono você estava lá, minha princesa; totalmente perdida em meus devaneios.  Dias milagrosos, Dias tenebrosos, dias superficiais, dias sobrenaturais!! "Dançando ela veio bem perto de mim,  dançando ela foi para bem longe de mim". Você, macia e única. Você, perdida e solitária. Você, tão estranha como os anjos Dançando nos oceanos mais profundos Girando na água. Você é como um sonho. @Violetlasting Não sou um sonho, "SOU UM PESADELO Lupino".  Você tem "MEDO DO MEU DESTINO, JUSTICEIRO CONVICTO?".  "EU, UMA GUERREIRA TREINADA, JAMAIS ME PERMITIRIA SER PROTEGIDA". Como diplomata, eu sabia minha hora de ir embora.  Ela disse- Como é tola nossa idade my lord. Você só me oferecia falsas liberdades-.  Os grilhões estavam apertados, tentávamos a todo momento fugir do controle da realeza. A última dança era o prenúncio da DIVINDADE SOBERBA. Tocando Blue Moon no rádio, nunca nos sentimos tão solitários.  Era questão de tempo até que eu fosse chamada para retornar ao OCEANO DE ATLANTA.  Infelizmente não haveria despedida Eu partiria COM O PRIMEIRO SINO DA MATINA. Talvez eu seja uma eterna egoísta, pois deixei que me tivesse como fantasia satírica. sem alternativa, transformei seus sonhos em faísca vivida!!

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Quando luna se apaixona.pt2

Luna conheceu um jovem provinciano mutilado pela melancolia, ferido, sangrando na calçada do parque estadual abarrotado a luz do dia. ela o encontrou, se agachou na frente dele, sorriu para seus olhos doloridos e disse: "Vou te levar para um lugar seguro. Feche os olhos e apenas confie." Apontou sua varinha cintilante e curou gentilmente seus machucados profundos sem deixar uma cicatriz. Ofereceu suas mãos delicadas e o conduziu para sua carruagem prateada e lhe mostrou sua ilha dos cisnes. E hoje ele é tão grato. Dizem para ele o quanto é sortudo por cativar o coração da princesa mais cobiçada do castelo A verdade é que ela é a sortuda por curar aquele coração vibrante. Acontece que ele é um pintor talentoso que também conseguiu curar as asas dela, expôs sua própria aquarela com os tons do cabelo dela. Eu falei sério quando disse que quando Luna se apaixona, a música acústica ambiente é persuasiva, quando Luna se apaixona, todos os estilhaços são remendados pela mãe natureza. Quando Luna se apaixona, esse poema ganha forma como nenhum que você já leu.

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Carta aberta a minha biblioteca favorita.

Emplorei pro velho computador da biblioteca ligar. Juntando os punhos, uma oração desesperada atendida pela manhã Antes mesmo de acordar. Não sei ao certo quantos minutos vou conseguir escrever. Sem minhas mãos tremerem, sem a taquicardia. estou prestes a morrer. Quando vim parar aqui? Não devia estar aqui. Um fluxo de consciência me alertou que não devo conversar com ninguém de que adiantaria? Todo mundo especula meu drama infortúnio. Isso é minha maldição ociosa até a morte súbita do colegial. Não devia estar sentada nessa sala de aula movimentada pelo caos. Concluí com um acesso de fuga repentina. A professora me viu, mas foi atingida pela conformidade da rotina. Eu corri o mais rápido que consegui ir com mãos oscilantes, pés deslizantes e cabeça esvoaçando. Neurose fritando pela esquizofrenia. Eu corri até encontrar meu lugar seguro. Eu corri até que vi a porta trancada. Eu cai, sem ar nem um para implorar por misericórdia. Eu quis chorar até soluçar. Eu quis um motivo pelo qual o mundo ainda era meu lugar. Eu quis um motivo pelo qual lutar. Eu me escondi sob a tela luminosa do computador como uma menininha assustada no chão. Até que a porta se abriu. A lufada de ar era satisfatória para meu espírito febril. Ar. Ar benígno! Sim, eu o queria.. Uns veteranos me viram. Não me importei se me proclamassem psicotica. Não me importo agora, sou casca, inóspita.. Tenho medo que alguém abra essa porta e me arraste para fora.. Me arraste para a jaula de vidro. Eu gosto da biblioteca. Sei que pode soar categórico. Mas gosto da paz lívida dos livros, testemunhas silenciosas de meu delírio. Gosto do gelo viscoso que corre pelo aposento como um refresco solícito. Gosto das pessoas que não perguntam idiotices sobre meu estado dúbio. gosto de existir em um lugar que considero meu refúgio.

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