@tamara soares @Violetlasting

Os varais.

Não faz muito tempo, estive lá. Caminhando em seus sonhos com cuidado, para não te acordar. O caos era rígido, a calma, fingida. Desnudei sua alma flácida, refleti o que escondia. Notoriedade , amizades fatídicas. Sala fria, olhos invernais. Casas quentes, fontes naturais. Sangue pingando no piso de um quarto lívido, nunca havia visto um suicídio por causas passionais. Lençóis avermelhados, não mais perolados. Bilhetes desgarrados, para um antigo namorado, espalhados pelo rico espaço adornado por lírios delicados. Amigos inventados, em um diário recortado. Grito aprisionado , em um corpo condenado. Morte à espreita, sorrindo com seu belo cajado, tinha os olhos fatigados de seu pai alcoolizado. Curiosidade, para onde vou retornar quando o vento leste me convocar? A passividade é uma flâmula para a qual se fará ludibriar. Me meti entre os varais, os destinos sazonais. Possuí seu corpo por razões ilegais. Andarilha da colina, deveria me manter à espreita. Mas o vislumbre de sua vida perfeita, me transformou em arqueira certeira. Reprimi seu clamor, sustentei seu calor. Afugentei seu terror, congelei seu amor. Me fundi em seu redor, condenei seu algoz. Recusei-te os cipós, te reduzi a pó feroz.

Comentários · 1

  1. Leonardo Vitorino

    Mds, isso é uma obra de arte 😳👏👏❤️.

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    1. @tamara soares

      Ah, lin, obrigada por entender meus poemas.