Neo-Eboracensis em epifania,
é somente um estado colorido.
Agora vamos ao encontro
debaixo do seio lateral da Lua,
onde a luz escorre pelos vales
e as estrelas deixam seus rastros
na fronteira remanescente
do congresso estelar.
Confiaremos de forma arriscada
nesse seu balancear maroto.
E iremos apostar na chance
que tenho de dar certo
com o futuro palpável.
Esse animal inquieto
que já se ajoelha,
inteiramente rendido,
aos pés daquela senhora
de seios monumentais.
✠ L.V. .•.
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Estar contigo é viajar entre paradas para comprar tempo.
O motor ainda quente,
o sol morrendo lentamente no retrovisor,
e nós inventando motivos
para não chegar.
Chegar seria interromper a canção,
uma canção que atravessa o rádio
e faz até os céticos perderem
a linha da sensatez.
Sensatez que se dissolve
nas ondas sonoras dos anos 80,
enquanto a melodia da noite acende seus letreiros
e a nossa jornada parece saída de um filme.
Um romance incurável,
feito sob os termos de Hollywood:
luzes baixas, sentimentos molhados
e um beijo que demora a acontecer.
✠ L.V. .•.
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Acho que já te contei tudo sobre como fui convidado a subir naquele andar?
É como um flashback em DVDs piratas.
A imagem falha, o passado pulando em cenas futuras,
sempre chegando exatamente ao mesmo lugar.
Uma tergiversação em saber
que tudo corre para o mesmo
e vistoso pensamento.
Sempre no quinto andar,
aquelas convicções chegam prontas.
Outras recebem apenas uma nova embalagem.
Será que dentro de alguns dias
lançaremos aquela fragrância
chamada Integridade?
Imagino que terá boa saída.
Talvez venha em edição limitada,
com distribuição exclusiva
e validade até a próxima temporada.
A embalagem será discreta.
Nada muito honesto à primeira vista.
Se perguntarem pelo conteúdo,
basta dizer que está em falta.
✠ L.V. .•.
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Maximizando sonhos
num lugar onde ainda sou
o poeta da minha própria história.
Adorno o céu entre cometas
e estrelas que queimam sem ninguém perceber,
entregando nossos corações
ao Santíssimo Deus.
Há uma corrida entre as esferas.
Ninguém sabe quem chegou primeiro.
Eu desconfio que nunca tenha havido uma chegada.
Em algum lugar abaixo da luz,
Sophia ainda recolhe os fragmentos
daquilo que caiu com ela.
A matéria sempre permanece acordada.
E cada toque no escuro é um lembrete
de que nem toda centelha
quer ser encontrada.
Ainda vou àquelas reuniões.
Não sei se por fé,
curiosidade
ou pela comida.
O conceito, entretanto,
não deixa ninguém sair.
As portas continuam abertas.
É justamente por isso
que parecem fechadas.
✠ L.V. .•.
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Panfletos foram espalhados por toda a cidade, convidando uma única pessoa.
Declararam festividades nacionais. Ninguém soube exatamente o motivo. Ainda assim, todos compareceram.
Olhe no espelho. Perceba como ele insiste na mesma versão de você.
É apenas a pintura de algumas letras.
Um verso esquecido na banca que nunca fecha.
Uma soma perdida em um bloco de notas.
Decorei o poema. E essa é uma vaidade.
O pianista desafina de propósito. Os garçons servem silêncios em taças de cristal.
Alguém comenta que tudo isso parece exagero.
Talvez seja.
Ou talvez todo sonho precise de um bom cenógrafo antes de convencer a realidade.
No fim, era apenas a sinopse de um sonho que decidiu vestir um smoking.
✠ L.V. .•.
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São tantas as situações.
A vida passa pela euforia de um simples momento.
É um filme francês pós-moderno;
um pré-diálogo clássico que finge simpatia antes de dizer o que é necessário.
Quantas idas e vindas nesta jornada específica?.
Estou pensando em você.
Lentamente, os corações se enganam, derrapando na sombra de uma noite lenta. E, mesmo assim, quero provocá-la um pouco mais.
✠ L.V. .•.
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Dançando de cueca pela casa, cantando hinos históricos de compreensão sentimental.
A recepção insistia que as manhãs começassem exatamente assim.
Sonhei com um tratamento estelar e um romance burocrático com um robô de 2038.
Ele recitava, com a serenidade de quem nunca conheceu o ciúme, que é perfeitamente aceitável irritar-se com as carreatas tecnológicas.
Depois, serviram café.
Negociamos com negacionistas durante o intervalo da programação.
A conclusão permaneceu inevitável.
Disseram que somos fantoches de uma televisão de tela plana.
Sorri.
A tela apenas renderizou melhor aquilo que eu já pretendia sentir.
✠ L.V. .•.
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Venha. A água está limpa.
A recepção acabou de acender as luzes do Quinto Andar.
Há constelações servidas em bandejas de barro
e um silêncio cuidadosamente polido, esperando novos hóspedes.
Sinta a vibração.
Alguns lugares não aparecem nos mapas;
aparecem quando a saudade muda de vestimenta.
Somos fantoches em cartas psicografadas desde o Êxodo, tentando parecer importantes diante de um movimento que mal lembra nossos sonhos.
Cinco estrelas. Três direções possíveis. Um brinde ao teatro de Kubrick, onde até o silêncio ensaia sua melhor atuação.
Dizem que o Plenário Sideral encerrou a sessão mais cedo. Alguém votou a favor da esperança, e ninguém teve coragem de recorrer.
Venha.
É um voo surpreendentemente curto para quem desistiu de medir distâncias.
Easy Money.
✠ L.V. .•.
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Aqui, neste horário da tarde,
olhando pela janela da alma,
observo que o pôr do sol
é o mesmo de ontem.
A mesma luz repousando nos telhados,
o mesmo silêncio caminhando pelas folhas,
a mesma despedida dourada
sobre as árvores.
E espero que amanhã
ainda faça sentido vê-lo.
Que ainda exista alguma beleza
nessas pequenas coisas que brilham tanto.
E que um simples poema
possa encontrar um coração desesperado.
Porque, às vezes,
é tudo o que temos:
um pouco de luz,
algumas palavras,
e a esperança de que alguém
as escute.
✠ L.V. .•.
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Um céu para se ver, um momento para guardar.
Não há mais o que permitir.
Durante a última luz do pôr do sol, o coan canta seu murmúrio, riscando o horizonte com superstições.
Tudo tão real, tudo tão normal.
Um lar para construir, um momento para lembrar.
Não há mais o que decidir.
A fumaça sobe da chaminé, o vento a leva, e eu fico esperando pelo café.
As estrelas acendem devagar sobre os telhados do mundo.
As janelas ganham luzes douradas.
E por um instante, entre o calor da casa e o frio do mundo, tudo parece estar em seu devido lugar.
✠ L.V. .•.
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