Leonardo Vitorino @Clemenza

Proporção absurda

Panfletos foram espalhados por toda a cidade, convidando uma única pessoa. Declararam festividades nacionais. Ninguém soube exatamente o motivo. Ainda assim, todos compareceram. Olhe no espelho. Perceba como ele insiste na mesma versão de você. É apenas a pintura de algumas letras. Um verso esquecido na banca que nunca fecha. Uma soma perdida em um bloco de notas. Decorei o poema. E essa é uma vaidade. O pianista desafina de propósito. Os garçons servem silêncios em taças de cristal. Alguém comenta que tudo isso parece exagero. Talvez seja. Ou talvez todo sonho precise de um bom cenógrafo antes de convencer a realidade. No fim, era apenas a sinopse de um sonho que decidiu vestir um smoking. ✠ L.V. .•.

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