Carta aberta a minha biblioteca favorita.
Emplorei pro velho computador da biblioteca ligar. Juntando os punhos, uma oração desesperada atendida pela manhã Antes mesmo de acordar. Não sei ao certo quantos minutos vou conseguir escrever. Sem minhas mãos tremerem, sem a taquicardia. estou prestes a morrer. Quando vim parar aqui? Não devia estar aqui. Um fluxo de consciência me alertou que não devo conversar com ninguém de que adiantaria? Todo mundo especula meu drama infortúnio. Isso é minha maldição ociosa até a morte súbita do colegial. Não devia estar sentada nessa sala de aula movimentada pelo caos. Concluí com um acesso de fuga repentina. A professora me viu, mas foi atingida pela conformidade da rotina. Eu corri o mais rápido que consegui ir com mãos oscilantes, pés deslizantes e cabeça esvoaçando. Neurose fritando pela esquizofrenia. Eu corri até encontrar meu lugar seguro. Eu corri até que vi a porta trancada. Eu cai, sem ar nem um para implorar por misericórdia. Eu quis chorar até soluçar. Eu quis um motivo pelo qual o mundo ainda era meu lugar. Eu quis um motivo pelo qual lutar. Eu me escondi sob a tela luminosa do computador como uma menininha assustada no chão. Até que a porta se abriu. A lufada de ar era satisfatória para meu espírito febril. Ar. Ar benígno! Sim, eu o queria.. Uns veteranos me viram. Não me importei se me proclamassem psicotica. Não me importo agora, sou casca, inóspita.. Tenho medo que alguém abra essa porta e me arraste para fora.. Me arraste para a jaula de vidro. Eu gosto da biblioteca. Sei que pode soar categórico. Mas gosto da paz lívida dos livros, testemunhas silenciosas de meu delírio. Gosto do gelo viscoso que corre pelo aposento como um refresco solícito. Gosto das pessoas que não perguntam idiotices sobre meu estado dúbio. gosto de existir em um lugar que considero meu refúgio.
Yedír Ramaliel
Que poema incrível... Geralmente não leio nada grande até o final, mas este poema... O detalhar da situação de uma perspectiva tão além dos meros fatos me cativou! 👏👏
@tamara soares
uaaau! obrigada por gostar de ler esse escrito até o final. sim, a verdade é que é bem assombroso: escrevi esse poema em um momento dissociativo em uma escola que não gostava
@tamara soares
mas que paralelamente tinha a biblioteca mais Fabulosa do mundo e a minha favorita. e quando me despedi daquele Colégio, escrevi uma carta aberta de saudades para essa biblioteca tão queridas
Leonardo Vitorino
que magnífico 👏
@tamara soares
obrigadaa, cavaleiro da colina. Tu disse que minha escrita tinha elementos de fantasia, pensei em um para colocar em meu agradecimento, risos.