Musgo Resiliente
Não se permita enganar pela curvatura dos meus lábios.
Tão pouco almeje um sabor constante de mel.
Há mais do que um gosto metálico
estalando em minha língua.
Há também pedras de sal,
um musgo resiliente
e citações de tantos excessos
que guardei onde couberam.
Não se permita enganar pelas epifanias mal pontuadas,
pelos parágrafos travessos
ou mesmo pelo ponto, que interrompe o voo.
Há manchas suficientes que não me permitem mentir das rasuras.
Todas apagadas.
Em camadas cinzas.
Vestindo minhas pedras de sal,
E ainda sim, pingando doce.
O bastante
Para te confrontar.
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Censurava-me por não ama-lo com urgência.
Sobre a arrogância de um estoicismo ufano
me prendi na frieza espartana.
Assim, não esqueci meu cadáver
em florestas lamacentas.
Decadas de rugas me foram poupadas por não expressar em favor a amores guardados.
Mas ti, anjo de versos,
fez-se digno da minha entrega.
Pois é desses que lambe as feridas
sem procurar as ondas que os quadris produzem.
Observe, a recente vaidade
que trinca meus olhos
quando inverto teu nome na mente.
É farol em tempestade.
Impulsos de ondas telepáticas
que por ventura extrai minha sanidade escondida.
Sem regressar a colheita,
ardeu em mim seu voto incomum.
Razão e emoção no uivo de um lobo negro.
Salto intensa e imaculada
da torre que me submeti,
só para me encaixar em tuas asas.
copyright - © Tamires Lunardelle 🌺
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O cravo amarelo na minha sacada
concretiza o amor que morreu.
Jaz nessa casa um desamor
que desabrocha por um cravo.
Findou-se!
Cansado de abastecer sobra
descansa em paz e em planos,
enquanto um abutre negro toma sol
com seus grandes olhos de águia,
a espera dos restos.
O desamor é o sumo da empatia
a fartar os infelizes.
E ha nele uma compaixão úmida,
regrando em lágrimas um cravo esbelto.
Na minha sacada,
levanta o sol, uma flor de sua cor.
No meu peito,
levanta a dor, por morrer um amor.
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Visto sua ausência
com pano indolente.
Em farrapos, maltrapilho
e em todo, bem coberto.
Exponho o sorriso em batom negro.
É luto!
É luta!
Tal como a dama da canção,
troco as pernas meio embriagada de solidez.
Os soluços, um trapo esconde
enquanto a traça rói.
Mas tapei a intimidade.
Vesti sua ausência e corri.
Fui mendiga nas ruas,
dessas que se sobressai
em cantos.
Livre e perdida.
Suja e pura.
Reduzida a 0
quando transbordada
pela nudez da sua ausência.
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Sou gota!
Que se desprende de um ar.
Rumo a ser algo complexo, como chuva.
Que cai em rio e vira mar.
Sou gota!
Pingo aqui e ali.
Almejando um balde sem fundo,
para derramar-me em terra
e ser a vida de um broto azul.
Sou gota!
No papel sem pauta,
que escorre virando arte abstrata.
Não serei um disperdicio na vida.
Sou gota!
Conheço meus limites
e a possibilidade de ser ampla.
Mesclar-me em qualquer coisa- um átomo.
Sou gota!
Mas nunca sou uma só!
Quando tenho forças,
encho o copo de um titã,
dou vida a um deus mitológico.
Sou gota!
As vezes nuvem.
As vezes trovão.
Quase sempre, nem isso
e nem aquilo.
Só sou.
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As folhas do outono refrescam minha memória.
O som dos ponteiros do relógio, acentuam o tom da sala ausente.
É como um trago, de algo aceso e constante.
Um oco enlouquecido por instantes.
Não me procuro mais
nas presilhas de suas fotos.
Não te deixo pedaços
dos meus gostos em votos audíveis.
Mas sonho com espaços preenchidos de fragmentos do inacabável.
É surreal?
Querer sempre mais do que se espera?
As vezes, tenho a visão de mim mesma em outra esfera.
Nunca me reconheço na dimensão oposta.
É uma sala de dó! Sempre a sala.
Mais intensa que minha presença em vida.
Carregada dos fantasmas ocos de ponteiros mórbidos.
Um trago, de algo acesso e constante.
No outono ou em Janeiro.
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Perdi minha visão.
Quem pudera imaginar?
Deixei pedida em algum lugar!
Na escrivaninha, por cima do óculos amarelo?
Não estava!
No colo, adormecida como uma criança?
Não há vi!
Nem mesmo nos olhos de outra pessoa.
Não encontrei!
Perdi minha visão que voou,
em plumagem escura,
como um abutre em fuga.
Mentirosa e covarde, como só ela.
Não mais verei o mundo,
que ela dizia belo.
Não mais verei as ruas,
que ela dizia saudáveis.
Perdi minha visão.
Mesmo de óculos.
Agora, vejo tudo mais claro,
na visão de um cego.
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As chaves me senduzem!
Sim! As chaves.
Não pelo que elas abrem!
Nem por quem as segura!
Mas pelo que elas representam.
Gosto de chaves!
Não o Chaves! As chaves!
Gosto dos chaveiros pretos.
Aqueles simples sem elementos.
Embora as minhas tenham dez pendurados.
Através delas vejo a maturidade,
a responsabilidade
e a ousadia de ir e de vir.
A saída com certeza de volta.
O cansaço no jogar na mesa.
O abrir para uma vida nova.
A ansiedade em quem a segura.
O medo de quem a perde.
As chaves me senduzem!
As mãos que a segura,
alcançam minh'alma.
em poesia exaltada.
Abstrata, chaqualhada e inibida.
Única em sua segurança.
Elas trazem as visitas.
Elas lacram o silêncio.
Ha sempre alguém em casa.
Há sempre alguém lá fora.
Tendo o único elo de toque entre si,
através das impotentes chaves.
Elas fundem a sua fechadura em pura gama.
Yin-yang.
De uma porta ou de uma alma.
As chaves me senduzem!
Sim! As chaves.
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Viver não basta em inexistente.
Recua-se de mente ausente quem sente.
Abstrato em compasso do acaso.
Perdido em contidas vontades monótonas.
Flutua o tempo no presente
fardando o futuro em fracasso.
Dentro de sua cápsula protetora,
se vive na sombra de dentro
e se morre de olhos aberto.
Fecha em si mesmo
onde vive no mundo dos loucos.
Jeito bom. Confortável.
É na real é corpo penado.
Estilhaçado no sedentarismo da alma.
Remendado por linhas imaginárias.
Acordai, acordai.
Veja a janela da vida lá fora.
Se jorre ambivalente,
no mundo dos vivos.
Seja um e não outro.
Inteiro e disposto.
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A vacina chegou
A vacina chegou, mas para muitos ela foi apenas um sonho distante, demorando menos que o previsto e mais que o suficiente.
A lista de sua espera está menor a cada dia, por cada leito que aquece, por cada leito que esfria.
O alívio proporcionado pela picada mágica, que deixou muitos aicmofobicos ansiosos para a visão da agulha, não supera a triste fadiga de quem lutou a batalha invisível durante o ano. Ano pesado! Tema pesado! Até mesmo para as páginas futuras dos livros de história.
Vejo cadeiras isoladas nos postos de vacinação, medida usada para o distanciamento social, porém- na mesma simbologia- elas representam as pessoas que teriam ocupado o seu lugar. E agora se manifestam em forma de fita isolante lacrando.
Há uma briga de cabo, governamental, gritada aos quatro ventos em nosso país, enquanto um vírus microscópico age silenciosamente, vangloriando sua vitória imensurável.
A queima calórica da briga política, de nada é benéfica para a população representada, nesse momento. Enquanto é acionado um caos de instabilidade em ações e medidas de isolamento, os hospitais tornam a preencher sua capacidade máxima de enfermos.
Mas a vacina chegou!
Com passos de formiga e saudada por cadeiras de fitas fanstamagoricas. Mas chegou! E com ela a esperança, o sorriso por trás das máscaras, os olhos lagrimejantes ofuscados pelo sol do lado de fora, as mãos alcoólicas embriagadas de insegurança e desejo e os abraços, que no breve, não mais serão vazios.
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