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Stela

@Stelinha · desde 2020

As histórias mais bonitas não contam as palavras...são elas: a emoção, o silêncio, a alma.

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Cerraram suas pálpebras para despertar Teus olhos noutro Universo Pranteamos Tua partida Não por que fostes triste, mas porque eras amor e serás saudades. Se não disse-lhe antes; Digo agora aos ventos Para que tua memória Recolha estas minhas palavras: Te amava, Te amo, te amarei nessa Eternidade breve Nesse meu tempo De existência. Voa agora alma Irmã, amiga Para junto dos anjos E das estrelas Cabe você no céu , Brilhante, a nos guiar Ilunima nossos dias com as bonitas recordações Ficamos aqui Nesta terra Amarrados Pelo fio invisível Pela força que nos uni e separa Por essa estranheza Que chamamos vida. Autora Stela Sartori

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Moestes minha carne Com sovas, sangue e dor Conspurcou minha inocência Com tua depravação Teu deboche Teu cinismo Teu controle Fizestes da terra Um caminho de brasas e espinhos Uma cama de pregos Onde não repousam os sonhos Minha infância morreu precipitadamente E tornei-me sombra Se o diabo amassou o pão Foi esse o meu sustento Anos a fio e mesmo livre Os grilhões arrastavam-se Junto com os passos miúdos Encolhi tanto que senti ser menor que um átomo E pensei que o último ato seria redentor Então deixei enterrar-me 1, 2, 3, inúmeras vezes Pra matar qualquer recordação Do que foi você, Do que fui eu, Engodo... Cresci, A contragosto Não mais subserviente Não mais inocente Não mais vítima Não mais vil Não mais infeliz Cresci Senhor de mim As cicatrizes Viraram escudos Não sangram mais Não temem mais açoites Fostes tu que com tua furia Cega e insana Ensinaste minha bravura Minha resistência Minha dignidade Minha coragem Meu valor Sim, toda vez que Meus joelhos vergaram Minha inconformidade Cresceu, ganhou tamanho De ciclope e venceu a mim. Se foi o ódio o primeiro impulso Foi a compaixão o caminho mais árduo Que perdão não é justiça, Não é esquecimento, Não é permissão, É perceber que o outro seja o que for Não é seu próprio coração E quem sou eu? A força dos sobreviventes A gana dos miseráveis, marginalizados, A constância dos idealistas Dos utópicos, dos que levantam bandeiras e derrubam muros A imaterialidade dos poetas, dos enamorados, A criatura e o criador de mim . Autora Stela Sartori

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Quase esqueci Desse amor Que contam os poetas, Os enamorados, Me distanciei tanto... Temerosa das dores Do abandono Da marginalidade Do gostar unilateral Do que era real Pra não abrir As feridas cicatrizadas Quase esqueci Que meu corpo É uma ilha a ser Descoberta Desnuda Povoada Cultivada Pra desabrochar Pra amanhecer E brilhar Como a estrela Do meu nome Quase esqueci Que meus braços São afetuosos Impetuosos E querem abraçar Abraços intermináveis Quase esqueci Meu coração Num canto Num muro Cercado de Trepadeiras E espinhos De tão protegido Esse sujeitinho Esqueceu-se tantas vezes de si Sem perdoar Quase esqueci Que lembrar É também saudade E que foi tudo Por muito pouco Por muito menos Por muito tempo Um tal de poupar Não se poupa a vida Nem os rancores Nem os temores Nem os amores Nem o despertar Lembrei hoje Tudo em mim Do avesso ao verso É feito para amar. Autora: Stela Sartori

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A faca escorregou e cortou a pele como se fosse folha de papel. O sangue jorrou quente e farto. Não me assustei, não senti dor. Assustei-me, contudo a ordem era prioritária, limpei o chão, a faca, guardei a louça, troquei de roupa e só então fui ao hospital. Fiz piadas, o medico não sorriu. Costurou os pontos num tédio escandaloso. Doeu a alma. Latejou a mão, os pontos, a falta de empatia. Ele estava num dia ruim e eu? Sou apenas desastrada. Doeu não ser acolhido com brandura na minha fragilidade. Foi um pequeno corte, mas exagero os fatos. Me medicaram, vacinaram e despacharam com a mesma alvura das paredes do hospital, com seus sorrisos discretos. De certo o silêncio deva prevalecer na dor, seja qual for, pra qualquer outra pessoa. Quanto mais dor eu sinto, mais sorrio e tagarelo. É preencher lacunas com isopor pra depois atear fogo e tudo virar cinzas, fumaça. Sou assim, uma fartura de palavras. Meus silêncios, muito sérios, muito íntimos raramente são partilhados. Pirralha. Achas? As vezes, nem sempre faço questão de ter razão ou razões fundamentadas. Voltei com o dedo enfaixado em gaze. Exausta deitei esperando a dor abrandar pra conciliar o sono. Adormeci sem lembranças. Despertei mais um dia, longe das facas. O dedo continua enfaixado, até cicatrizar. Já meu coração, esse não cicatriza tão fácil, é teimoso demais, manhoso demais, afetado demais, demasiadamente imenso e insano, teatral, visceral, melodramático. É coração de poeta e de quebra as dores que sente mente ou exagera só pra poder versar. Blá, blá, blá...

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Quando cansa o convívio social É tanto esforço pra tolerar maltratos, Destratos, falta de educação, Arrogância e até estupidez... Que o mundo anda abarrotado de soberba Anda emtulhado de mesquinharias... Ah os abraços afetuosos e sinceros! Ah a empatia e a simpatia! Os bons sentimentos Rareando como os rinocerontes em extinção Somos rinocerontes e não nos percebemos... Acaba a tolerância? A clareza? Bem vinda a era do umbigo próprio. Espulsemos os emigrantes Linchemos os marginalizados Voltem os Muros de Berlim As senzalas, os campos de concentração. É a contramão da história, Derrota, tão mais vergonhosa que a de Napoleão... E que ilha havemos de nos esconder Desse bicho tosco e irracional Desse sangue suga Que sabota toda vida Inclusive a própria Que legado seu é meu, é de todos... Mas que desaforo Vale só essa vista curta Esse pensamento pequeno Esse concretismo Em corações de aço Que é mais uma morte? Estatística Uma violência? Rotina Um desrespeito? É o jeito... É sofrimento amigos... É sofrimento... E eu me embruteci Diagnóstico: alergia social Que mal a humanidade me causou Fartei-me de loucuras, De bravuras e futilidades. Virei nuvem, vento, orvalho, Qualquer coisa outra Que não me defina Pessoa, gente, Humano, não, nem tanto Pena, só não soube nascer máquina. Autora Stela Sartori

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Choveu interminávelmente Hora a hora Caía um dilúvio recatado O dia vestido com as brumas da noite Molhei os pés, o rosto, o cabelo Colaram as roupas frias no corpo quente E foi-se embora uma ou outra tristeza Parada na alma, escorrendo Para a guia da calçada Bueiro abaixo as mágoas Encharcada dos pés a cabeça Dos pelos aos poros Permiti transbordar O doce, o salgado Chovi por inteiro Um dia inteiro Uma noite inventada Pra amanhecer florida a alma Que cura traz a água Permeando todas as minhas Camadas Revirando As lembranças Soterrando o passado Pra abrir passagem As coisas outras Seja a esperança Ou o amor reinventado Espaço, era preciso... Espaço e tudo De novo, novamente esse ciclo Interminável, Sol e chuva, Azar e sorte, Sul e Norte Vida e morte... É sina minha morrer e renascer a passagem do sol, das Tempestades. Autora: Stela Sartori

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Hora do chá

O chá fumegando, Delícia...o olfato saboreia esse Odor adocicado de jasmim e erva doce Minha avidez em sorver Sua quentura, queima os lábios Rapidamente afasto a xícara Arde a céu da boca As entranhas Assim como a palavra Cuspida sem medida E ai de mim que essa ardência Espalha-se até diluir-se Nos vasos sanguíneos Escorre quente O sangue nas sangrias Desnecessárias Sobrevivência Condição humana Sofrimento Condição humana Felicidade Engulo outro gole Já dormente a língua Mente o paladar Sinto essa doçura Do amargo E trago num gole só Aquelas gotículas Choveu o chá goela abaixo Como a garoa lá fora Que molha a flor e o asfalto Sem discriminação Consolada por Essa sensação Deito no pires a xícara Vazia, sentida de não ter Mais utilidades Mas como ela, também Tenho deitado Minhas utilidades Numa nulidade constante Foi o tempo levando A mocidade Fui eu chovendo Sem discriminar Tantas lágrimas Pra sorrir Esse sorriso bobo Pra entender Meus desentendimentos E findar no tic tac Das 17:00 horas. Hora do chá. Autora: Stela Sartori

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Que venha até mim ...o amor. Sonhei com esse encontro Era tua alma saudando a minha Num caloroso abraço Num silencioso reconhecimento Primeira vez meus olhos pousando em tua face... Que surpresa encontrar nas feições Imaginadas uma realidade refletida Os vincos, as marcas, as cicatrizes Tudo tão crível , tão próximo No peito explodindo o coração... Era os olhos teus que eu buscava Será que acharia a mesma afeição? Seria mais estranhamento Que proximidade nos teus gestos, Nas tuas palavras? Aqueles temores tolos De adolescentes apaixonados Que a idade tem haver com Sentimento? Amo com a mesma intensidade Um novo amor, um amor qualquer sentimento não envelhece , não ... Enternece até ao tempo que Não vence em vencer o amor Sonho com esse encontro, Conto aos anjos, Oro em segredo o credo Pra que não lhe espante Minha simplicidade Meus pés calejados Minhas pequeninas mãos E o corpo pesado de tanto Passado, será que gostaria De como eu sou? Eu me gosto bastante Mesmo um tanto triste Um tanto errante Cheia dessas esquisitices Que só os poetas tem Sou impregnada de imaginação E será em vão Amar meus sorrisos Sem minhas tristezas Me fiz bonita assim Enfeitada de estrelas e espinhos Sabes que não minto Mas enfeito de vermelho Os lábios, a paixão Sonho esse encontro Num de repente Surge você aí em frente Acenando Sorrindo Correndo de encontro Ao nosso encanto Daí já não sei a história Me conta outra hora Na hora exata, na hora Esperada, quando for Hora de me encontrar, Amor Autora:Stela Sartori

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Eu li em teus olhos essa dor antiga, muda, latente, a espera pra transbordar como uma avalanche Vi teus soluços contidos chacoalhar Teu espírito, torcer em nós e anéis cada músculo do teu corpo Até dobrar teus joelhos Num oração involuntária Fervorosa Por essa tão Almejada paz Não disse nada... Que palavra abraça Um coração sangrando Angústia? Não fiz nada... Fiquei ali como uma estátua Pra que pudesse deitar No meu colo tua cabeça, Sem medo de desabar Sem medo de encolher Até o estado do átomo E todo meu silêncio Respirava amor Que a cura vem do tempo, das ausências, Dos vazios, dos espaços Criados para o recomeçar Esgotados deixamos Salgar as faces Até encher o córrego ao lado Misturamos o adeus, Os pontos finais Até a chegada Da esperança E amanhecemos O próprio despertar. Autora: Stela Sartori

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Fosse apenas um coração partido Colaria os cacos Esparramados Mas estilhaçado Como está é preciso Moer o que restou Fundir o pó, o vidro, A liga e remodelar Cada centímetro De pulsar E os sofrimentos antigos As memórias dolorosas As cicatrizes profundas Poderiam assim evaporar? Se lhe pregam as mãos E os pés, como não temer o barulho do martelo? Se acorrentado num tronco não é o uivo Do açoite mais temido Que as próprias amarras? Pregadas a nova Forma as antigas Escaras teimam Em sangrar Virar do avesso o verso Morrer ou matar Moer o pó Ou simplesmente Para longe soprá-lo. Escravo do meu próprio pesar.

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