Cerraram suas pálpebras para despertar
Teus olhos noutro
Universo
Pranteamos
Tua partida
Não por que fostes triste,
mas porque eras amor e serás saudades.
Se não disse-lhe antes;
Digo agora aos ventos
Para que tua memória
Recolha estas minhas palavras:
Te amava, Te amo, te amarei nessa
Eternidade breve
Nesse meu tempo
De existência.
Voa agora alma
Irmã, amiga
Para junto dos anjos
E das estrelas
Cabe você no céu ,
Brilhante, a nos guiar
Ilunima nossos dias com as bonitas recordações
Ficamos aqui
Nesta terra
Amarrados
Pelo fio invisível
Pela força que nos uni e separa
Por essa estranheza
Que chamamos vida.
Autora Stela Sartori
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Moestes minha carne
Com sovas, sangue e dor
Conspurcou minha inocência
Com tua depravação
Teu deboche
Teu cinismo
Teu controle
Fizestes da terra
Um caminho de brasas e espinhos
Uma cama de pregos
Onde não repousam os sonhos
Minha infância morreu precipitadamente
E tornei-me sombra
Se o diabo amassou o pão
Foi esse o meu sustento
Anos a fio e mesmo livre
Os grilhões arrastavam-se
Junto com os passos miúdos
Encolhi tanto que senti
ser menor que um átomo
E pensei que o último ato seria redentor
Então deixei enterrar-me
1, 2, 3, inúmeras vezes
Pra matar qualquer recordação
Do que foi você,
Do que fui eu,
Engodo...
Cresci,
A contragosto
Não mais subserviente
Não mais inocente
Não mais vítima
Não mais vil
Não mais infeliz
Cresci
Senhor de mim
As cicatrizes
Viraram escudos
Não sangram mais
Não temem mais açoites
Fostes tu que com tua furia
Cega e insana
Ensinaste minha bravura
Minha resistência
Minha dignidade
Minha coragem
Meu valor
Sim, toda vez que
Meus joelhos vergaram
Minha inconformidade
Cresceu, ganhou tamanho
De ciclope e venceu a mim.
Se foi o ódio o primeiro impulso
Foi a compaixão o caminho mais árduo
Que perdão não é justiça,
Não é esquecimento,
Não é permissão,
É perceber que o outro seja o que for
Não é seu próprio coração
E quem sou eu?
A força dos sobreviventes
A gana dos miseráveis, marginalizados,
A constância dos idealistas
Dos utópicos, dos que levantam bandeiras e derrubam muros
A imaterialidade dos poetas, dos enamorados,
A criatura e o criador de mim .
Autora Stela Sartori
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Quase esqueci
Desse amor
Que contam os poetas,
Os enamorados,
Me distanciei tanto...
Temerosa das dores
Do abandono
Da marginalidade
Do gostar unilateral
Do que era real
Pra não abrir
As feridas cicatrizadas
Quase esqueci
Que meu corpo
É uma ilha a ser
Descoberta
Desnuda
Povoada
Cultivada
Pra desabrochar
Pra amanhecer
E brilhar
Como a estrela
Do meu nome
Quase esqueci
Que meus braços
São afetuosos
Impetuosos
E querem abraçar
Abraços intermináveis
Quase esqueci
Meu coração
Num canto
Num muro
Cercado de
Trepadeiras
E espinhos
De tão protegido
Esse sujeitinho
Esqueceu-se tantas vezes de si
Sem perdoar
Quase esqueci
Que lembrar
É também saudade
E que foi tudo
Por muito pouco
Por muito menos
Por muito tempo
Um tal de poupar
Não se poupa a vida
Nem os rancores
Nem os temores
Nem os amores
Nem o despertar
Lembrei hoje
Tudo em mim
Do avesso ao verso
É feito para amar.
Autora: Stela Sartori
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A faca escorregou e cortou a pele como se fosse folha de papel. O sangue jorrou quente e farto. Não me assustei, não senti dor. Assustei-me, contudo a ordem era prioritária, limpei o chão, a faca, guardei a louça, troquei de roupa e só então fui ao hospital. Fiz piadas, o medico não sorriu. Costurou os pontos num tédio escandaloso. Doeu a alma. Latejou a mão, os pontos, a falta de empatia. Ele estava num dia ruim e eu? Sou apenas desastrada. Doeu não ser acolhido com brandura na minha fragilidade. Foi um pequeno corte, mas exagero os fatos. Me medicaram, vacinaram e despacharam com a mesma alvura das paredes do hospital, com seus sorrisos discretos. De certo o silêncio deva prevalecer na dor, seja qual for, pra qualquer outra pessoa. Quanto mais dor eu sinto, mais sorrio e tagarelo. É preencher lacunas com isopor pra depois atear fogo e tudo virar cinzas, fumaça. Sou assim, uma fartura de palavras. Meus silêncios, muito sérios, muito íntimos raramente são partilhados. Pirralha. Achas? As vezes, nem sempre faço questão de ter razão ou razões fundamentadas. Voltei com o dedo enfaixado em gaze. Exausta deitei esperando a dor abrandar pra conciliar o sono. Adormeci sem lembranças. Despertei mais um dia, longe das facas. O dedo continua enfaixado, até cicatrizar. Já meu coração, esse não cicatriza tão fácil, é teimoso demais, manhoso demais, afetado demais, demasiadamente imenso e insano, teatral, visceral, melodramático. É coração de poeta e de quebra as dores que sente mente ou exagera só pra poder versar. Blá, blá, blá...
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Quando cansa o convívio social
É tanto esforço pra tolerar maltratos,
Destratos, falta de educação,
Arrogância e até estupidez...
Que o mundo anda abarrotado de soberba
Anda emtulhado de mesquinharias...
Ah os abraços afetuosos e sinceros!
Ah a empatia e a simpatia!
Os bons sentimentos
Rareando como os rinocerontes em extinção
Somos rinocerontes e não nos percebemos...
Acaba a tolerância? A clareza?
Bem vinda a era do umbigo próprio.
Espulsemos os emigrantes
Linchemos os marginalizados
Voltem os Muros de Berlim
As senzalas, os campos de concentração.
É a contramão da história,
Derrota, tão mais vergonhosa que a de Napoleão...
E que ilha havemos de nos esconder
Desse bicho tosco e irracional
Desse sangue suga
Que sabota toda vida
Inclusive a própria
Que legado seu é meu, é de todos...
Mas que desaforo
Vale só essa vista curta
Esse pensamento pequeno
Esse concretismo
Em corações de aço
Que é mais uma morte? Estatística
Uma violência? Rotina
Um desrespeito? É o jeito...
É sofrimento amigos...
É sofrimento...
E eu me embruteci
Diagnóstico: alergia social
Que mal a humanidade me causou
Fartei-me de loucuras,
De bravuras e futilidades.
Virei nuvem, vento, orvalho,
Qualquer coisa outra
Que não me defina
Pessoa, gente,
Humano, não, nem tanto
Pena, só não soube nascer máquina.
Autora Stela Sartori
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Choveu interminávelmente
Hora a hora
Caía um dilúvio recatado
O dia vestido com as brumas da noite
Molhei os pés, o rosto, o cabelo
Colaram as roupas frias no corpo quente
E foi-se embora uma ou outra tristeza
Parada na alma, escorrendo
Para a guia da calçada
Bueiro abaixo as mágoas
Encharcada dos pés a cabeça
Dos pelos aos poros
Permiti transbordar
O doce, o salgado
Chovi por inteiro
Um dia inteiro
Uma noite inventada
Pra amanhecer florida a alma
Que cura traz a água
Permeando todas as minhas
Camadas
Revirando
As lembranças
Soterrando o passado
Pra abrir passagem
As coisas outras
Seja a esperança
Ou o amor reinventado
Espaço, era preciso...
Espaço e tudo
De novo,
novamente esse ciclo
Interminável,
Sol e chuva,
Azar e sorte,
Sul e Norte
Vida e morte...
É sina minha morrer e renascer
a passagem do sol, das
Tempestades.
Autora: Stela Sartori
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O chá fumegando,
Delícia...o olfato saboreia esse
Odor adocicado de jasmim
e erva doce
Minha avidez em sorver
Sua quentura, queima os lábios
Rapidamente afasto a xícara
Arde a céu da boca
As entranhas
Assim como a palavra
Cuspida sem medida
E ai de mim
que essa ardência
Espalha-se até diluir-se
Nos vasos sanguíneos
Escorre quente
O sangue nas sangrias
Desnecessárias
Sobrevivência
Condição humana
Sofrimento
Condição humana
Felicidade
Engulo outro gole
Já dormente a língua
Mente o paladar
Sinto essa doçura
Do amargo
E trago num gole só
Aquelas gotículas
Choveu o chá goela abaixo
Como a garoa lá fora
Que molha a flor e o asfalto
Sem discriminação
Consolada por
Essa sensação
Deito no pires a xícara
Vazia, sentida de não ter
Mais utilidades
Mas como ela, também
Tenho deitado
Minhas utilidades
Numa nulidade constante
Foi o tempo levando
A mocidade
Fui eu chovendo
Sem discriminar
Tantas lágrimas
Pra sorrir
Esse sorriso bobo
Pra entender
Meus desentendimentos
E findar no tic tac
Das 17:00 horas.
Hora do chá.
Autora: Stela Sartori
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Que venha até mim ...o amor.
Sonhei com esse encontro
Era tua alma saudando a minha
Num caloroso abraço
Num silencioso reconhecimento
Primeira vez meus olhos
pousando em tua face...
Que surpresa encontrar nas feições
Imaginadas uma realidade refletida
Os vincos, as marcas, as cicatrizes
Tudo tão crível , tão próximo
No peito explodindo o coração...
Era os olhos teus que eu buscava
Será que acharia a mesma afeição?
Seria mais estranhamento
Que proximidade nos teus gestos,
Nas tuas palavras?
Aqueles temores tolos
De adolescentes apaixonados
Que a idade tem haver com
Sentimento?
Amo com a mesma intensidade
Um novo amor, um amor qualquer
sentimento não envelhece , não ...
Enternece até ao tempo que
Não vence em vencer o amor
Sonho com esse encontro,
Conto aos anjos,
Oro em segredo o credo
Pra que não lhe espante
Minha simplicidade
Meus pés calejados
Minhas pequeninas mãos
E o corpo pesado de tanto
Passado, será que gostaria
De como eu sou?
Eu me gosto bastante
Mesmo um tanto triste
Um tanto errante
Cheia dessas esquisitices
Que só os poetas tem
Sou impregnada de imaginação
E será em vão
Amar meus sorrisos
Sem minhas tristezas
Me fiz bonita assim
Enfeitada de estrelas e espinhos
Sabes que não minto
Mas enfeito de vermelho
Os lábios, a paixão
Sonho esse encontro
Num de repente
Surge você aí em frente
Acenando
Sorrindo
Correndo de encontro
Ao nosso encanto
Daí já não sei a história
Me conta outra hora
Na hora exata, na hora
Esperada, quando for
Hora de me encontrar,
Amor
Autora:Stela Sartori
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Eu li em teus olhos essa dor antiga, muda,
latente, a espera pra transbordar
como uma avalanche
Vi teus soluços contidos chacoalhar
Teu espírito, torcer em nós e anéis
cada músculo do teu corpo
Até dobrar teus joelhos
Num oração involuntária
Fervorosa
Por essa tão
Almejada paz
Não disse nada...
Que palavra abraça
Um coração sangrando
Angústia?
Não fiz nada...
Fiquei ali como uma estátua
Pra que pudesse deitar
No meu colo tua cabeça,
Sem medo de desabar
Sem medo de encolher
Até o estado do átomo
E todo meu silêncio
Respirava amor
Que a cura vem do tempo, das ausências,
Dos vazios, dos espaços
Criados para o recomeçar
Esgotados deixamos
Salgar as faces
Até encher o
córrego ao lado
Misturamos o adeus,
Os pontos finais
Até a chegada
Da esperança
E amanhecemos
O próprio despertar.
Autora: Stela Sartori
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Fosse apenas um coração partido
Colaria os cacos
Esparramados
Mas estilhaçado
Como está é preciso
Moer o que restou
Fundir o pó, o vidro,
A liga e remodelar
Cada centímetro
De pulsar
E os sofrimentos antigos
As memórias dolorosas
As cicatrizes profundas
Poderiam assim evaporar?
Se lhe pregam as mãos
E os pés, como não temer o barulho do martelo?
Se acorrentado num tronco não é o uivo
Do açoite mais temido
Que as próprias amarras?
Pregadas a nova
Forma as antigas
Escaras teimam
Em sangrar
Virar do avesso o verso
Morrer ou matar
Moer o pó
Ou simplesmente
Para longe soprá-lo.
Escravo do meu próprio pesar.
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