Eu me pergunto, várias e várias vezes:
o que é o amor?
Eu já senti amor — ou acho que senti.
Mas o quão sã eu estou
para afirmar que essa dor que me atravessa
tem nome de amor?
Ou será apenas um eco antigo,
uma ausência antiga,
uma ferida que nunca fechou
e continua latejando como se implorasse por sentido?
Talvez meu peito doa pela falta dele,
desse sentimento que o mundo tanto vangloria,
e que eu, presa em mim mesma,
não consigo tocar.
Talvez eu deseje amar
da mesma forma que desejo respirar —
um instinto desesperado,
mas nunca fácil,
nunca simples.
O querer possuir
e o pânico de ter;
o desejo de sentir
e o terror de não sentir nada.
Tudo coexistindo dentro de mim,
como um paradoxo cansado,
um espelho partido refletindo mil versões tortas.
Tudo dentro de um espectro.
Dentro de um transtorno.
Dentro da cabeça de uma garotinha
que, quando mais precisava,
não recebeu o mínimo:
acolhimento, segurança, colo.
E por isso cresceu
com a sensação constante
de que o amor é algo que se pede ajoelhado,
e não algo que se recebe de braços abertos.
Eu vejo essa garotinha ainda.
Ela vive em mim, apertada, sufocada,
com medo de tudo e de todos.
Ela só queria ser amada
antes de aprender a se machucar.
E agora, adulta demais por dentro,
eu quero segurar a mão dela.
Eu quero dizer que está tudo bem —
mesmo que eu mesma não acredite nisso.
Eu fiz o que pude.
Amadureci.
Cresci ao redor da dor
como um organismo que aprende a sobreviver
nas piores condições.
Mas não consegui me livrar
do que ela sentiu primeiro:
a dor constante
a sensação de abandono,
o buraco no peito que não se preenche.
Ainda assim…
eu quero salvá-la.
Eu preciso salvá-la.
Com o amor que nunca deram pra nós,
eu vou salvar ela.
E talvez — só talvez —
quando eu finalmente conseguir abraçá-la
sem medo,
sem repulsa,
sem dúvida
ela sorria pela primeira vez.
E talvez eu sorria junto.
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“Entre os Estilhaços do Relógio”
Havia um tempo onde o tempo era nosso —
corríamos sem destino, com os joelhos ralados
e o coração inteiro.
Entre engrenagens partidas e promessas infantis,
eu te vi se partir… em cores berrantes,
em vozes que não eram suas.
Eu tentei te alcançar,
gritando o seu nome antes que ele virasse outro.
Antes que você deixasse de existir.
Mas você…
Você se prendeu no eco do estouro,
e se fez trovão,
e se fez loucura.
Enquanto eu quis ser abrigo.
Enquanto eu guardei sua risada como se fosse relíquia
de um passado que me queimava nas mãos.
Você dança com granadas como quem quer voar,
e eu apenas… queria que voltasse a andar.
Te odiei por me forçar a lembrar.
Te amei por nunca ter me esquecido de verdade.
Cada tiro seu era uma pergunta —
"Por que você me deixou?"
e cada silêncio meu era resposta:
"Porque eu também era criança."
E mesmo assim...
tentei congelar o tempo.
Tentei consertar a ampulheta que nos virou de cabeça pra baixo.
Mas nada segura o que quer explodir.
Você sorria com olhos vazios,
mas eu via um reflexo...
A menina de antes, com as tranças tortas,
a que ria alto quando a gente roubava pão,
a que me fazia acreditar
que a paz era só uma esquina de distância.
Será que você ainda se lembra?
Do balanço improvisado,
das histórias que inventamos antes de dormir,
do jeito que eu sempre te protegia das sombras...
Agora você é a sombra.
E mesmo assim —
Eu ainda voltaria no tempo
mil vezes,
mil vidas,
só pra segurar sua mão de novo
antes do primeiro tiro.
Sabe, às vezes sonho com o dia em que nada disso aconteceu.
Em que eu te puxei pra fora do fogo.
Em que você chorou no meu ombro.
E nós seguimos vivos, mesmo que quebrados,
juntos.
Mas acordo e você não está lá.
Só a cidade ferida,
só o relógio marcando o atraso da minha coragem.
E você?
Você ainda dança nas ruínas,
com olhos que não me reconhecem,
mas mãos que hesitam antes de puxar o gatilho.
Eu entendo.
Eu entendo tudo, tarde demais.
Se eu tivesse dito que te amava antes do mundo desabar...
*Baseado em Arcane
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Você me mata aos poucos,
gota a gota, sem pressa, sem culpa.
Cada palavra sua é um convite ao fim,
cada olhar, um empurrão silencioso.
Suas ações gritam o que sua boca não diz,
seu toque queima como lâmina afiada.
Você me odeia, mas sorri,
me manipula, mas finge amor.
Eu te odeio, mas fico.
Eu te odeio, mas ouço.
Eu te odeio—
ou talvez só odeie o que me tornei com você.
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Acostumada a toques invasivos,
olhares que me despiram antes mesmo que eu notasse,
palavras afiadas em duplo sentido,
como se meu corpo fosse uma sentença sem escapatória.
Mas então veio você,
e seu toque não queimava, apenas aquecia.
Seus olhos não devoravam, apenas viam.
Suas palavras não enredavam, apenas eram.
Foi ali, no espaço seguro dos seus gestos,
que percebi:
eu sou mais do que uma forma,
sou mais do que uma função.
Não sou carne, sou existência.
Não sou objeto, sou um organismo que pulsa.
A dor que me ensinaram a aceitar
não precisa ser minha única verdade.
Posso sentir seu carinho,
posso acreditar que há algo além do medo.
Você me fez perceber
que não preciso me moldar a perfeições inventadas,
não preciso me odiar pelos erros que projetaram em mim.
Eu posso ser eu.
No meu tempo.
Na minha aprendizagem.
E com você.
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Eu te odeio,
Não apenas pelo que fez,
Mas pelo que me tornei ao acreditar em você.
Você desenhou suas mentiras com precisão,
Escreveu promessas vazias na minha pele,
E eu, tola, as tatuei na alma.
Agora, cada memória sua
É uma faca cravada no meu peito,
E cada palavra que você sussurra na minha mente
É um eco que me consome.
É minha culpa, não nego.
Eu sabia.
Sabia que seu amor era veneno,
Mas bebi mesmo assim.
Você fez sua escolha.
Morra para mim,
Como eu já morri para você.
Saia da minha cabeça,
Desapareça das sombras dos meus pensamentos.
Deixe-me em paz,
Deixe-me esquecer o gosto de ser destruída.
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Poderia me amar,
como eu me despedaço em silêncio?
Poderia encontrar beleza
nos cacos que corto ao tentar me remontar?
Poderia me confortar,
não com palavras vazias,
mas com a paciência
de quem sabe que eu nunca vou ser inteira?
Poderia me abraçar,
mesmo quando o sangue
manchar suas mãos,
e fingir que o peso da dor
não afunda você junto?
Poderia ficar,
quando eu me esconder de tudo,
inclusive de você,
e o eco do vazio for a única resposta
ao som da sua voz?
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Mentiu pra mim,
com palavras tão doces que envenenaram minha alma.
Sua promessa fria aqueceu meu coração
e me fez acreditar no calor de um sonho falso.
Mentiu pra mim,
quando me colocou no centro de um palco vazio,
dizendo que eu era a única em seu coração.
Meu peito pulsou em sintonia com a ilusão,
e eu dancei ao som de mentiras bem ensaiadas.
Mentiu pra mim,
ao me chamar de sua, com a voz de quem pertencia a todos.
Eu me entreguei, inteira, sem perceber
que era apenas mais um nome na sua lista.
Agora, só resta o eco das palavras que acreditei,
um silêncio que pesa mais do que qualquer verdade.
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Me beije,
como se o mundo fosse acabar,
como se sua boca fosse lâmina
e eu, carne exposta.
Me ame,
com a intensidade de um fogo voraz,
que consome até as cinzas
e deixa marcas eternas.
Me rasgue,
abra minha pele com suas mãos,
dilacere minha alma
como quem brinca com o inevitável.
Me mate,
com a doçura do veneno,
com a brutalidade do abandono,
e depois me ressuscite
com o calor do seu toque,
como se eu fosse apenas sua criação.
Eu sou sua,
uma oferenda quebrada,
uma poesia de dor e desejo,
uma existência que só respira
porque você permite.
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Quando você me disse que a morte seria melhor que minha existência, eu fui arrancada de mim mesma.
O presente que você recebeu, mas rejeitou, um erro embalado em carne e ossos.
Eu era a luz no fim do túnel mas só porque era o trem que te esmagava.
Eu carregava o peso das suas promessas vazias, um sonho impossível, costurado na realidade fria
que você nunca quis enxergar.
E naquele instante, meu coração parou.
O ar deixou meus pulmões, os sentidos se apagaram, e a sombra do que eu fui desapareceu.
Agora, não respiro.
Não sinto.
Não rio.
Eu sou o vazio que você me deu,
o nada que restou do tudo que eu tentei ser.
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Você é responsável por me amar.
Não é isso o que seria certo?
Dizer que me ama,
abraçar-me até que minhas dores se dissolvam
no calor do seu aconchego.
Deveria agradecer o esforço que faço,
a luta que travo para ser o que você espera.
Sorrir ao olhar para mim,
sua obra, sua criação.
Amar-me, apesar de tudo,
pois sou quem mais te ama.
Mas seu olhar não cruza o meu.
Seu abraço encontra outro corpo,
e seu coração pulsa com uma intensidade
que nunca foi para mim.
Você vive assim:
ignorando-me, esquecendo-me,
despedaçando-me com sua indiferença.
E eu, no silêncio de quem espera,
vou morrendo aos poucos,
uma morte lenta e invisível,
causada por quem eu mais amei.
Mãe, me perdoe por não ser o suficiente.
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