SWlys @SWlys
Amor

Salvação

Eu me pergunto, várias e várias vezes: o que é o amor? Eu já senti amor — ou acho que senti. Mas o quão sã eu estou para afirmar que essa dor que me atravessa tem nome de amor? Ou será apenas um eco antigo, uma ausência antiga, uma ferida que nunca fechou e continua latejando como se implorasse por sentido? Talvez meu peito doa pela falta dele, desse sentimento que o mundo tanto vangloria, e que eu, presa em mim mesma, não consigo tocar. Talvez eu deseje amar da mesma forma que desejo respirar — um instinto desesperado, mas nunca fácil, nunca simples. O querer possuir e o pânico de ter; o desejo de sentir e o terror de não sentir nada. Tudo coexistindo dentro de mim, como um paradoxo cansado, um espelho partido refletindo mil versões tortas. Tudo dentro de um espectro. Dentro de um transtorno. Dentro da cabeça de uma garotinha que, quando mais precisava, não recebeu o mínimo: acolhimento, segurança, colo. E por isso cresceu com a sensação constante de que o amor é algo que se pede ajoelhado, e não algo que se recebe de braços abertos. Eu vejo essa garotinha ainda. Ela vive em mim, apertada, sufocada, com medo de tudo e de todos. Ela só queria ser amada antes de aprender a se machucar. E agora, adulta demais por dentro, eu quero segurar a mão dela. Eu quero dizer que está tudo bem — mesmo que eu mesma não acredite nisso. Eu fiz o que pude. Amadureci. Cresci ao redor da dor como um organismo que aprende a sobreviver nas piores condições. Mas não consegui me livrar do que ela sentiu primeiro: a dor constante a sensação de abandono, o buraco no peito que não se preenche. Ainda assim… eu quero salvá-la. Eu preciso salvá-la. Com o amor que nunca deram pra nós, eu vou salvar ela. E talvez — só talvez — quando eu finalmente conseguir abraçá-la sem medo, sem repulsa, sem dúvida ela sorria pela primeira vez. E talvez eu sorria junto.

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