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Rodrigo Ferreira Magalhães

@Rodrigo31 · desde 2019

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Poema

Liberdade?

O teu passarinho voou por aqui E trouxe as rimas de um leitor disperso. Sussurrou-me pouco antes de partir: "Tranquei meu dono em quatro versos". ... repost

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Efêmero

Allegro Córtex

Mindset de aço, Boost no perfil, Na arena do agora, Ser máquina hostil. Vender cada insight, Polir KPI. No altar da performance, Queimar D.O.I. Correr, render, Veloz, voraz, Na esteira da métrica, Não olhar pra trás. Um click, um update, Silente invasão, A IA desperta, Sem corpo ou paixão. Teu dom, teu ofício, Teu raro pensar? Um dado obsoleto, Pra IA escanear. Decide, executa, Prevê, otimiza, O humano? Um lag, Que o sistema avisa. E agora, o que resta? Ócio glacial. Um tempo infinito, Vazio espectral. A Singularidade Está despertada Liberdade forçada, Sem norte ou porquê, No ópio do scroll, Vagueia você. A glória suprema? Nudez funcional. O pódio da meta: Vazio total. No éter dos feeds, Avatares febris, Milhões de contatos, Nenhuma cicatriz. Espelhos de vidro, Pixels a bailar, Refletem o nada Premium, singular. Conectividade Sem tato ou calor, Na rede brilhamos, Sozinhos, com dor. Atingimos o ápice! Progresso total! Eficiência fria, Primado espectral! A criação última, Tão ágil, refez Até a poesia... Escutem vocês: Roda, roda, roda... Pé, pé, pé... Palma, palma, palma. O poeta robo é.

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Amor

Guerra das rosas

No proscênio sombrio onde a dor impera, Teu olhar de gélida pirâmide insana: Mármore que fere, me cala e me venera Sob véus faísca esta serpente urbana. Dança em compasso que despedaça: Açoite ao toque; cada toque é faca... O corpo que recua, ainda permanece Na fúria lenta onde o êxtase enlouquece. Teu manto de orgulho, couraça brumosa, Velando o caos da carne tenebrosa. Eu, trono e espada, soberano abismo, Cordeiro e lobo no mesmo exorcismo. Rugimos ambos no fragor dos ossos, Erguemos nós o fardo dos destroços: Destroços dos espelhos e deste ardil, Amor de Átropos tece o nosso fio. Por que lutar, se o prêmio é só espinhal? Rodas de fogo no moinho eternal, Tramas da carne torcem em palco exangue. Negue-me a paz: sou réu da sorte langue! Guerra infecunda em rubros carmesins Veste de glória nossos frágeis fins. Que importa o fim? A queda é nosso ofício: Violência esculpe em nós o próprio vício. A sala arde em pira funerária, Teu desafio: um sopro na calvária. Último assalto: enlaço e punhalada Unem num hino a chama e a espada. Roda o destino, ciclópea engrenagem, Esmaga pétalas na fera linguagem. Triunfa o vácuo! Em pórtico sombrio, Se assina a morte do próprio desafio. Não há tréguas, ó Dama da Contenda: Comprei tuas chagas nesta oferenda. A Lua em eclipse e o Sol em brasa Forjaram guerras dentro da nossa casa.

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Crença

Fenômeno

Ó flama d'audácia, que em meu peito lavra! Ímpeto que às raias me há-de levar, Do desvario a transpor a palavra, Onde a mente sã vacila em seu lugar! Entre a sombra e a luz que desagrava, Um fio de ser, prestes a se quebrar. Em mim, que neste engenho desta raiva, Ah, falta pouco, um triz, um sopro de ar. Para que o instante, em seu fatal aprumo, Traga a lufada, a força inesperada, Que zombe da face, do néscio resumo, Desta vã matéria, parva e embotada. Assim navego, em rio que me assumo, Qual igarapé por ínvia se torna o nada Sem da alheia estima buscar a sina, Pois mora em minha alma a luz apagada. Nesta pele trago a força que me anima, Pai, esposo, um vate de outra nação. Assim caminho, sob sol que castiga, Ou sob o frio de névoa em escuridão. Fenômeno esquivo à sombra inimiga, Que espreita, agora, sem me compreender. Pois trago a luz que a escuridão mitiga, Um cantador das matas a florescer!

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Ritual

Sacrilégio (rondel)

Sem liga, nossa! Cansei... Sem gosto, poxa! Mosquei. Sem, sem querer querendo, Eu começo por onde penei. Reboota, faz e acontece, vem... Quem quiser, querendo. Alguém? Sem liga, nossa! Cansei... Sem gosto, poxa! Mosquei. Agora, levanta e me anima, Me ajude com isso, sente a treta. É fogo, é dose, é rima, por rima, Trago, dose, caneta pra esgrima Sem liga, nossa! Cansei...

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Arte

Asas para as nuvens

Em pálida névoa, na cidade do ar, Vêem-se os suplentes da liberdade. Chove no céu, arco-íris a formar, Dissipando qualquer tempestade. Sobre os anônimos, seu grito a soar, Gaivotas escoltam ventos bem cedo. Maresia na praça, marasmo no olhar, Das pipas que sabotam seus medos. Tão doce o vislumbre, em puro fascínio... Fatiam algodões celestes em rebeldia! No ânimo do mar, latrocínio da emoção. Vai do violeta ao ultravioleta, domínio Da maresia neste farfalhar de poesia, Em clave de Céu, em Sol de canção.

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Sanidade

Fantasma

Sentes o frio que à espinha perpassa? Sopro do agouro em mistério envolto! Arapuca da alma que a esquiva enlaça Da lama à glória, de ereto à torto. Sonho de mar ao qual o sono se entrega Feito a Lua em grau febril de euforia Do luar se desconta a paz que se apega Este ser assombrado pescando o seu dia Espanta da cruz, e refaz o quebranto Brumas se erguem e vislumbra o além Sua pesca lhe diz: "Hoje eu não levanto!" Fantasma murmura em tempo olvidado É o fim a levar e não exibe o que vem No anzol, o que fisgou está amaldiçoado!

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Maturidade

Voussê

Vou ser você por um instante, roubar seus olhos, me enxergar, ver-me de fora, mais distante, no meu reflexo me moldar. Julgar-me-ei sob outro viés, ler-me em sua voz singular, ser um estranho que, através de si, ensina-me a julgar. Se quer descrer, pode inventar, faz parte do jogo, a coisa toda. Eu sei, também duvido, enfim. Mas foi na fenda do hesitar. Que esta troca incômoda fez-me mais eu do que eu em mim.

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Vida

Livro sem final

A jornada da vida é um passo em brida. Esconde no seio um destino ambíguo E o sábio pondera, em turva lida, E leva no peito o fardo ferino. Exígua é a senda, em vão o seu trote, Metáfora amarga que à morte alude, Nas línguas das trevas, finda-se o lote, Em tempo de entregar sombra que ilude. Nem todo fruto ao Sol amadurece, Nem todo encanto que a vida encobre, Alguns que tombam se vão sem momento. Mas mesmo a fruta que ao chão apodrece, Ainda há raiz que a terra descobre, Na história sem fim do renascimento!

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Auto-estima

Sonho em gotas

Qual a hipótese Que incita Do homem O intento? Eis a meiose, Cuca que implica E sonhos consomem Cem por cento. Apoteose. Vai e trombica! Resvala em desdém... ...Some com o vento. Agora, mitose. O ciclo incide Neste vaivém Em desalento. Confronta, contorce Aquilo que mede, Metade está sem Cinquenta por cento. Quer que revese Aquilo que fede Por algo, alguém Ou algum acalento. Qual a hipótese Que explica Os que fogem Do tempo? Quando a dose Dissipa. Abdica Do frasco e provém Zero por cento.

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