Rodrigo Ferreira Magalhães @Rodrigo31
Amor

Guerra das rosas

No proscênio sombrio onde a dor impera, Teu olhar de gélida pirâmide insana: Mármore que fere, me cala e me venera Sob véus faísca esta serpente urbana. Dança em compasso que despedaça: Açoite ao toque; cada toque é faca... O corpo que recua, ainda permanece Na fúria lenta onde o êxtase enlouquece. Teu manto de orgulho, couraça brumosa, Velando o caos da carne tenebrosa. Eu, trono e espada, soberano abismo, Cordeiro e lobo no mesmo exorcismo. Rugimos ambos no fragor dos ossos, Erguemos nós o fardo dos destroços: Destroços dos espelhos e deste ardil, Amor de Átropos tece o nosso fio. Por que lutar, se o prêmio é só espinhal? Rodas de fogo no moinho eternal, Tramas da carne torcem em palco exangue. Negue-me a paz: sou réu da sorte langue! Guerra infecunda em rubros carmesins Veste de glória nossos frágeis fins. Que importa o fim? A queda é nosso ofício: Violência esculpe em nós o próprio vício. A sala arde em pira funerária, Teu desafio: um sopro na calvária. Último assalto: enlaço e punhalada Unem num hino a chama e a espada. Roda o destino, ciclópea engrenagem, Esmaga pétalas na fera linguagem. Triunfa o vácuo! Em pórtico sombrio, Se assina a morte do próprio desafio. Não há tréguas, ó Dama da Contenda: Comprei tuas chagas nesta oferenda. A Lua em eclipse e o Sol em brasa Forjaram guerras dentro da nossa casa.

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