Rodrigo Ferreira Magalhães @Rodrigo31
Crença

Fenômeno

Ó flama d'audácia, que em meu peito lavra! Ímpeto que às raias me há-de levar, Do desvario a transpor a palavra, Onde a mente sã vacila em seu lugar! Entre a sombra e a luz que desagrava, Um fio de ser, prestes a se quebrar. Em mim, que neste engenho desta raiva, Ah, falta pouco, um triz, um sopro de ar. Para que o instante, em seu fatal aprumo, Traga a lufada, a força inesperada, Que zombe da face, do néscio resumo, Desta vã matéria, parva e embotada. Assim navego, em rio que me assumo, Qual igarapé por ínvia se torna o nada Sem da alheia estima buscar a sina, Pois mora em minha alma a luz apagada. Nesta pele trago a força que me anima, Pai, esposo, um vate de outra nação. Assim caminho, sob sol que castiga, Ou sob o frio de névoa em escuridão. Fenômeno esquivo à sombra inimiga, Que espreita, agora, sem me compreender. Pois trago a luz que a escuridão mitiga, Um cantador das matas a florescer!

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