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Pablo Machado

@PabloMachado · desde 2021

Boa parte do que escrevo atinge mais de 2048 caracteres e vai parar aqui: https://www.recantodasletras.com.br/autores/machadopablo

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"Desencontros/Desencantos"

Sei que as desculpas São ultrapassadas, algumas Esfarrapadas e as Peço mesmo assim. Peço pra juntar as peças, Sinto pelas conversas bestas, Diferenças indiscutíveis, dúvidas diversas Dívidas que às pressas Pretendo quitar sem manifestar façanha Na falta de afeto, a falha em forma de retrocesso No processo que engrandece o valor de viver E outras que tardam a se dissolver Parecendo apagar o proceder Devolvendo a ilusão de bem estar Desenvolvendo danos pra Mais tarde com o doutor tratar Ou aprender descrente a conviver. Vamos ignorar por um bem maior Nossos desencontros mentais, Discordâncias pessoais, Decadências parciais, Instintos típicos de animais Que somos, por vezes, irracionais. Essa falta de tino incomoda Lúcido, pleno como quando acorda No meio da tarde sem importar a hora. O caminho prum carinho é tão curto Que não é preciso atalhar. Estranho seria o ser humano não falhar. Excitante é o instante em que demonstra Desejo ímpeto de fincar companhia, ficar.  Toda espera há de demorar Vencendo a prova que é não desmoronar. A sublime sensação de manter Os pés firmes no chão e Ainda sim possibilitar sonhar. Propósitos incalculáveis a cumprir Certamente já leu ou ouviu falar por aí, Outdoors, tantos caras, outros tempos Tantos tipos, roupas sujas, pratos limpos Convites e desencantos no fim. O tempo é um vagão lotado de lembranças Passagem já comprada só de ida Sem direito a reembolsar. Insuficiente pra sanar tantas vontades Vantagem seria poder parar, Seguir viagem num instante Pausar com calma e ali morar. Concentrar no presente, consertar a gente Futuro, passado, quem assiste? Um incerto e o outro nem existe mais. Velhos rumores, cobaias e vítimas De amores que não soube eternizar São provas de que já distribuí por aí Um pedaço ou vários de mim. Comprovações acima de tudo De que aqueles planos tolos Teriam que me abandonar Pra só assim eu te encontrar Compreender o par, cobiçar a paz.

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“Como num passe de mágoas”

Não enxergo mais aquele brilho Que caracterizava euforia no teu olhar Guardado pela fração discreta Entre o intervalo de cada piscar Mesmo que atento a toda palavra que sai da tua boca Não entendo a entonação da tua voz tão doce Vociferando palavras tão tarde, à toa Destoando da educação que sempre Fez questão de exercer sem questionar Questão que eu nunca fiz, aprendi A admirar sem ter que admitir. Ah, se tentasse escutar, pretendo não discutir. Nem todo pensamento que vira pronúncia é feito pra ferir, Mas prefere mesmo é não ouvir O que, de nem tão importante, tenho a dizer. Raramente empresta os teus ouvidos pra desabafar Apesar de ainda me sentir dependente Das pontas dos teus dedos, teus lábios atraentes Teu colo quente, cabelo curto na nuca raspado Me dando as costas lindas, me acidentando em tuas curvas Me faz te deixar subir a escada na frente, Sorriso que bate feito travesseiro de plumas Daqueles que nem a máscara pode mascarar Que nem a calma é capaz de espressar. Persiste a sensação da minha alma perdendo a borda E ela jorra do meu corpo como fogos de final Como copo na mão de bêbado Tropeçando no primeiro degrau Sem derramar o líquido, Sem nem pensar de caber em frases, Desde que pensávamos ser só uma fase De lá pra cá quantos carnavais? Me fazendo sempre cair na tua. É um estrago o contato quando demais Menos quando teu toque é eficaz Eficiente é o que apenas cumpre o prazo Esse já venceu tantos temporais, Feito temporadas de sérias séries Retratando vidas sofridas reais Situações corriqueiras, sensações carnais Além do que já me é suficiente, surpreende, Claramente causa e sara a dor. Se ainda me é concedido o peito aberto para almar Sem perdões milimetricamente calculados para conceder Cruzemos conversar até alcançar o entender. Escassez emocional É a falta que abala o ser Entrando pela porta sem bater.

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Poesia

"Paremos com essa"

Tem noites que A gente dorme tão mal, Tem dias em que A gente não levanta muito bem Manhãs, tardes e madrugadas Longas, longe do ideal Trabalho, terapia, fardos, Cartelas, controle sem pilha, maços... Nunca é culpa de ninguém. Não acerta o tempo da fala Nem a entonação da voz Ascende inconsciente a faísca Pisca e a chama surge entre nós. Ainda é importante entender Que é preciso dois indivíduos Individuais pra relação acontecer Que essa vida de mão dupla Requer calma ao conduzir Mesmo que a raiva venha te seduzir Estamos ainda em tempo De por em prática o compreender Do sentimentos, consentimentos, Sensações, ter sensatez. Cada um regula sua lucidez Cada um destila sua acidez. Se lá fora declaram guerra Aqui dentro reclamo paz. Aceitar é o comprimido Que nem água com gás faz descer Aceitar a culpa, as desculpas, É dupla a carga à receber A própria imperfeição do ser Aceitar é um rumo óbvio Que não nos cabe não querer.

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Poema

"Aquela coisa dela"

Qual é mesmo o nome Daquela coisa que embora banal Se mantém fascinante? Aquela coisa que fazia salivar E mesmo a sede saciada, Acomodada conforme o tempo, Permanece o gosto viciante Em delirantes doses de euforia Imaginando cenas de tudo Que eu faria se a tivesse ali, Disponível por inteiro para discutir Conceitos e conceber carícias, Tatuando o tempo dela em mim. Não exige o menor esforço Descarta o fracasso a cada chance Dispensando que eu pense o oposto Anulando que ela perca o posto De ser o porto ao meu alcance. Impede que por desventura eu canse Que por uma aventura ela se mande Feito amores de artifício dissolvidos nesse instante. Aquela coisa dela, que simplesmente acontece, Prevalece, me enrijece, manipula a culpa em mim. Se faz presente quando sorri pela metade, Nem por vaidade ou falta de hospitalidade, É raridade que ela aja rude assim Perdendo a oportunidade de pensar antes de agir. A outra parte segue séria, intensa, covarde Faz alarde pra mais tarde deitar, Rolar e entre abraços dormir. Quando quer me convencer a fazer qualquer Coisa boba, bola a ideia, bota o dobro da força Chantageando no meu campo fraco Sucumbindo ao meu copo cheio Ressuscitando o meu corpo morto. Quando inflama em felicidade pelo mínimo motivo, Melhor ainda por motivo nenhum Mesmo que a tendência fosse falar De todos os problemas e situações contrárias. Quando escuta música triste nos fones Esperando que a ordem aleatória Traga alívio em uma que distraia. Acaba deixando transparecer esse ar, Essa coisa quase sem querer Como começar algo sem antes aprender, É especialidade dela Deixaria de ser decisivo no momento Em que se tornasse intencional. Talvez isso nem tenha nome afinal. Apenas ela em estado De existência ao natural. 08/12/2019

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Poema

"Você abandona coisas demais pra quem diz não ter nada"

A vida saboreou faminta, meu bem Um prato frio de prantos reprimidos Regado a mágoas guardadas de meses atrás Resgatado feito praga, de súbito, em uma noite só. A mesma noite soprou sem pena também Um vento de inverno carregado De vestígios internos em relação a nós, A coberta ficou cada vez mais curta e Quando vimos disputávamos lençóis. Atravessamos noites inteiras, intrépidos Num colchão no chão de solteiro Olhares certeiros encarando o teto Concentrados em carícias, afoitos afetos Agora essa cama imensa parece pequena e Sequer conseguimos dividir o mesmo travesseiro. Algo quanto a encenar não nos foi ensinado Talvez um dia ao invés de inventar A gente volte sem venda e aprenda Como cada cômodo diz sobre quem o frequenta, Entrega o sujeito e o conduz à sentença, Pelo gesto expressado e o volume da voz. Acompanho um elo entre nós partindo e A incerteza desgraçada de valer a pena Relutar contra o óbvio a ser consertado Rotular tudo e determinar prazos. Entenda, Não é só de paredes e teto que se faz um lar. As respostas tão óbvias pras canções de amor Não se completam mais naturalmente Como antigamente fazia questão de ser Ser livre a prosa, ser breve a dor, seja lá como for, Se não for intenso acaba por murchar A rosa decompondo a flor. O que se escreve não condiz com o presente O que se sente ultimamente é triste e O que ainda permite sentir parece impotente. Não é novidade um pro outro abandonar, O ato, negar os fatos, ao ar os pratos, em solo quebrar. Encontrar no comodismo conforto e ser do mesmo refém, A gente já se abandonou há um tempo atrás Porém é preciso postura pra admitir Que libertar traz alívio ao partir Sobrepondo a euforia de quando Permitiu entrar e apreciou amar. 06/03/2021

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Poema

"O rarefeito amor"

Tua presença é passeio, presente, Uns dias de grego quando a gente se desentende Dá vontade de tornar passado E ao mesmo tempo pensar nisso causa receio É compromisso reafirmado, passatempo Sem horário marcado ou feito de rodeios Mãos atadas, cabeças livres Amor liberto e anéis nos dedos Roubo uns minutos teus e Com os meus melhores te presenteio Também tem dias de temporal Até o amor atemporal Tira um dia pra dar um tempo Tiroteio emocional pelas vielas do coração Um atira o outro vitimado revida e assim defende Nem por isso eu levo a mal Tens direito de errar, arcar com os custos, Ferroar, se arrepender Tenho o meu de desculpar, Reconhecer, deixar passar, me recolher Prisioneiro de um bem me quer Que nem sempre sabe bem querer Esqueço a culpa e as impossibilidades Pra considerar tuas vontades Dentre outras vantagens Que perco às vezes por não ceder Nesse estranho mar de medos Que a vida nos empurra e impõe tão cedo É fácil sossegar em silêncio, Negociar consentimento, Duro é calar cada voz lá dentro Quando o peito pesa, a cabeça esquenta Incendeia o ambiente Omissões são mato seco Descobertas querosene Só no pós-acontecimento Quando vazios de ressentimentos Bate a consciência como extintor de incêndio Despimos o ego pra buscar Feito agulha num palheiro A fagulha de um rarefeito, insuspeito, amor Prevalecendo sobre a ideia de não sermos Uma fatia cotidiana de um mais do mesmo.

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"A milésima sala de estar"

Mudamos Séries, filmes, rotinas, diálogos De casas, de cômodos e costumes Uma porção de corações e atos carnais Outros aromas do mesmo café Traram-me em diferentes canecas o conforto Através de temperos e pitadas me conquistar Outras datas comemorar repaginado o calendário Iremos conquistar e abandonar Aprender a amar Ao mar lançar e a alma lavar Pra mais tarde amar de novo Prazos e pessoas indeterminados Virtuoso é vício em sentir.

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Poema

"Tus"

Cada tu aí dentro de ti É metade de um eu Meu preso no peito Forçando sair. Quando com raiva Quando em estado ardil Quando com sede de água Quando querendo cortar o vazio Quando acanhada, ligeiro brio Quando com fome traz Comida pra alma e Pra barriga frio. No calor, ou colo, torpor, enrolam Nem sempre combinam. Por conveniência opino Dando imprudente meu parecer. Teu tu do momento finge consentir Cessando o assunto Custando o sono que tardio Vem pra confundir E o sol pra sacudir a Poeira de tantos lá atrás. Confesso ontem pensei em parar Pra minha sorte aquele eu Não durou meio suspiro e Seguimos sendo tudo aquilo Que a vida veio a nos reservar. Receita, recado, sussurro De bolo, de boa, desdouro Arrepiando no pé do ouvido Arrancando a roupa do couro Duvido não causar a sensação De pecado que produz prazer Promove sentimentos, ações e Reações sem contraindicação Não necessita locução Quando entre lençóis e colchão, Normalmente quando Com pretensão de namorar Mansinho, pedinte sentimental Apimentando desejos cármicos Adormecendo em amores dármicos E, principalmente, quando Com medo e vontade de Encarar a carga negativa. Cara lavada e coragem na subida. Imperfeito e esforçado ímpar Montanha-russa emocional Tentando ser imparcial Relação a dois, tudo normal Sem capitão, sem capital Soprando Dentes-de-leão Pondo a prova o quão leal Tocando a vida dura a todo pau Traçando em linhas tortas do absurdo Considerando a obviedade dos sem rumo Regra de tanto e qualquer par.

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Poema

"Negociando comportamentos"

Cheguei em casa e o silêncio reinava Interrompido pelo "clique" do isqueiro e O som das chaves que ecoava. Retirei o interfone do gancho pretendendo Que nada abalasse aquele estado. Traguei, descalcei os sapatos e resmunguei cansado Qualquer coisa pro universo ou além. Noite passada foi um estresse. Boas intenções nunca são um atraso Exceto quando as ações não sobrevém, Mas por vezes, por mais que quisesse, Caem por terra e terminam em desastre. Sobre a mesa O recibo do aluguel desse mês e um recado dela: "Tô indo pra Ferrugem, é meu esse final de semana. Ando com a cabeça na lua e a carcaça exausta. Me espera domingo na cama Sem pose ou pressa, sem roupa e Faz o favor de despir o drama. Deu a louca e fui espairecer... Beber umas, sentar nas pedras, deixar bater. Contemplar o pôr do sol a sós, fortalecer Livre desse cinza insosso que ultimamente Descolore a plenitude do meu estar testando o ser. Ass: pra sempre teu bem" Enlouqueceu de vez e se foi. Fielmente fiquei e esperei. Creio convicto na carência de espaço dela. Quando precisa de colo, quando bate panela. Pra mãe nem mandou mensagem. Pro trabalho ela não deu satisfação e, quem dera... A liberdade dela é sedutora Aí de mim não cair nessa sedução. Logo ela volta, solta o laço Só pra atar bem forte o nó. Desmentir o desafeto, desfazer a confusão e confesso Não faz sentido querer explicar o coração. A vida é subida de ladeira, etapa a concluir, migração. Porém é inevitável entender A necessidade da desordem que obriga a desconstrução Pra refazer o passo a passo do sentir e seus propósitos Mesmo que o caminho sugira incerteza Ou reine a inconstância e essa é a beleza: Saber seguir sem preparo e caso use atalhos Entender suas consequências. Ainda que a via pareça escura, cara de pagar e contramão. 12/08/2021

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Poema

"Coisas que não posso te dar:"

Não é apenas uma aventura por completude, No que é completo encontra-se um final. Conquanto ainda é sobre um alucinante frenesi Em instantes viscerais.