Pablo Machado @PabloMachado
Poema

"Tus"

Cada tu aí dentro de ti É metade de um eu Meu preso no peito Forçando sair. Quando com raiva Quando em estado ardil Quando com sede de água Quando querendo cortar o vazio Quando acanhada, ligeiro brio Quando com fome traz Comida pra alma e Pra barriga frio. No calor, ou colo, torpor, enrolam Nem sempre combinam. Por conveniência opino Dando imprudente meu parecer. Teu tu do momento finge consentir Cessando o assunto Custando o sono que tardio Vem pra confundir E o sol pra sacudir a Poeira de tantos lá atrás. Confesso ontem pensei em parar Pra minha sorte aquele eu Não durou meio suspiro e Seguimos sendo tudo aquilo Que a vida veio a nos reservar. Receita, recado, sussurro De bolo, de boa, desdouro Arrepiando no pé do ouvido Arrancando a roupa do couro Duvido não causar a sensação De pecado que produz prazer Promove sentimentos, ações e Reações sem contraindicação Não necessita locução Quando entre lençóis e colchão, Normalmente quando Com pretensão de namorar Mansinho, pedinte sentimental Apimentando desejos cármicos Adormecendo em amores dármicos E, principalmente, quando Com medo e vontade de Encarar a carga negativa. Cara lavada e coragem na subida. Imperfeito e esforçado ímpar Montanha-russa emocional Tentando ser imparcial Relação a dois, tudo normal Sem capitão, sem capital Soprando Dentes-de-leão Pondo a prova o quão leal Tocando a vida dura a todo pau Traçando em linhas tortas do absurdo Considerando a obviedade dos sem rumo Regra de tanto e qualquer par.

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