Pablo Machado @PabloMachado
Poema

"Aquela coisa dela"

Qual é mesmo o nome Daquela coisa que embora banal Se mantém fascinante? Aquela coisa que fazia salivar E mesmo a sede saciada, Acomodada conforme o tempo, Permanece o gosto viciante Em delirantes doses de euforia Imaginando cenas de tudo Que eu faria se a tivesse ali, Disponível por inteiro para discutir Conceitos e conceber carícias, Tatuando o tempo dela em mim. Não exige o menor esforço Descarta o fracasso a cada chance Dispensando que eu pense o oposto Anulando que ela perca o posto De ser o porto ao meu alcance. Impede que por desventura eu canse Que por uma aventura ela se mande Feito amores de artifício dissolvidos nesse instante. Aquela coisa dela, que simplesmente acontece, Prevalece, me enrijece, manipula a culpa em mim. Se faz presente quando sorri pela metade, Nem por vaidade ou falta de hospitalidade, É raridade que ela aja rude assim Perdendo a oportunidade de pensar antes de agir. A outra parte segue séria, intensa, covarde Faz alarde pra mais tarde deitar, Rolar e entre abraços dormir. Quando quer me convencer a fazer qualquer Coisa boba, bola a ideia, bota o dobro da força Chantageando no meu campo fraco Sucumbindo ao meu copo cheio Ressuscitando o meu corpo morto. Quando inflama em felicidade pelo mínimo motivo, Melhor ainda por motivo nenhum Mesmo que a tendência fosse falar De todos os problemas e situações contrárias. Quando escuta música triste nos fones Esperando que a ordem aleatória Traga alívio em uma que distraia. Acaba deixando transparecer esse ar, Essa coisa quase sem querer Como começar algo sem antes aprender, É especialidade dela Deixaria de ser decisivo no momento Em que se tornasse intencional. Talvez isso nem tenha nome afinal. Apenas ela em estado De existência ao natural. 08/12/2019

Comentários · 1

  1. Manuh

    eu amei! demais