Pablo Machado @PabloMachado
Poema

"O rarefeito amor"

Tua presença é passeio, presente, Uns dias de grego quando a gente se desentende Dá vontade de tornar passado E ao mesmo tempo pensar nisso causa receio É compromisso reafirmado, passatempo Sem horário marcado ou feito de rodeios Mãos atadas, cabeças livres Amor liberto e anéis nos dedos Roubo uns minutos teus e Com os meus melhores te presenteio Também tem dias de temporal Até o amor atemporal Tira um dia pra dar um tempo Tiroteio emocional pelas vielas do coração Um atira o outro vitimado revida e assim defende Nem por isso eu levo a mal Tens direito de errar, arcar com os custos, Ferroar, se arrepender Tenho o meu de desculpar, Reconhecer, deixar passar, me recolher Prisioneiro de um bem me quer Que nem sempre sabe bem querer Esqueço a culpa e as impossibilidades Pra considerar tuas vontades Dentre outras vantagens Que perco às vezes por não ceder Nesse estranho mar de medos Que a vida nos empurra e impõe tão cedo É fácil sossegar em silêncio, Negociar consentimento, Duro é calar cada voz lá dentro Quando o peito pesa, a cabeça esquenta Incendeia o ambiente Omissões são mato seco Descobertas querosene Só no pós-acontecimento Quando vazios de ressentimentos Bate a consciência como extintor de incêndio Despimos o ego pra buscar Feito agulha num palheiro A fagulha de um rarefeito, insuspeito, amor Prevalecendo sobre a ideia de não sermos Uma fatia cotidiana de um mais do mesmo.

Comentários · 1

  1. Lukas Soares

    li em primeira mão essa belezinha! cara, tu é meu escritor favorito!! sim, já tá acima do Bukowski pra mim!