Ah se meus cadernos falassem!
Já estaria preso, morto
Ou, o mais certo, solitário
Se meus textos fossem afiados
Seria perseguido e não seguido
Seguindo escaladas de assassinatos
Breves, sujos e sem poesia.
O tédio me domina
Acompanhado da raiva, nojo
Mas nunca dá insensatez...
Não passa de um "talvez"
Que talvez nunca tenha vez
Pra acontecer de fato.
Não importa muito...
Nos meus cadernos eu mesmo
Julgo, domino, sangro e me rasgo
Parecem textos simples
Mas eu sei que, no fundo
A cada verso eu me mato
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Eu escrevo pra mostrar que estou vivo
E morrendo aos poucos
Eu escrevo pra mostrar que não ligo
Enquanto dou pérolas aos porcos
Me solto aos poucos em versos curtos
Vezes, longos, mas nunca demais
Mesmo que pareça pouco.
Eu escrevo pra mostrar que sangro
E me cicatrizo
Eu escrevo porque o que sinto
Já não acho em livros
E lido com isso todos os anos
Meses, semanas, dias
Horas, minutos e suspiros...
Eu escrevo pra mostrar que giro
Enquanto o mundo para
Eu escrevo porque o tempo dança
Entre o "para" e o "dispara"
E eu, correndo entre os "tic tacs" dos ponteiros,
Não paro um suspiro, minuto, hora
Dia, mês ou ano
Pra me curar dos efeitos
Que esses eventos me causam
Então, eu escrevo...
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Tentei desenhar a Terra
Uma esfera gigante
Com a mão trêmula
Inconstante
Copiando os traços
Vistos em um velho livro
Da minha velha estante...
Nunca soube desenhar
Ainda aprendendo a escrever
Meus riscos sempre tortos
Minha caneta sempre falha
E, se não me falha a memória,
Tenho um compasso
No meu velho estojo
Com um velho grafite
E velhas lembranças...
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Eu não sei dizer ao certo...
Ela é meio Nirvana
Mas também Pink Floyd
Meio Shakespeare
Mas também Bukowski
Meio lua, meio sol
E ambos me iluminam...
Tem um meio-termo
Que as vezes acho
No meio do dia
Que bebe uma cerveja
Ao meio-dia
E água com limão
A meia-noite...
A paz que alcanço
Em seus olhos
Em meio ao furacão
Do meu dia-a-dia
Espero que você não note
Quando paraliso
Olhando tua face
Eu sempre fico sem graça
Dou um sorriso
De forma desajeita
E me ajeito pra que tu
Deite do meu abraço
23/04/21
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Daquele sorriso bobo
Logo vira um beijo molhado
Um aperto forte,
Um suspiro pesado
Aí então, as mãos ficam bobas
E passeiam no teu corpo.
As roupas pesam
E precisamos arrancá-las
Para sobreviver
Para nos sentirmos livres
Para nos sentirmos eternos!
Em um piscar de olhos
Estamos na cama
Ou no sofá...
No reflexo dos teus olhos
Me vejo vidrado!
A luz que emana da janela
Ou da tv ligada
Destaca teu corpo;
E no reflexo do meu olhar,
A Dança das tuas curvas
No palco da minha alma!
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Nosso amor
É atemporal
Distantes
O tempo não passa;
Juntos
O tempo voa;
No beijo
O tempo para;
No sexo
Ele ecoa!
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Todos falam a mesma merda
De formas diferentes
"Meu deus! Quanta gente!"
E só muda o sotaque
Os bois ainda são os mesmos
Os porcos viraram torresmo
E os cavalos
Já não aguentam a cela...
Por de trás dessa desgraça
Deve haver um arco-íris
Daqueles meio sem graça
Pra alimentar algumas esperanças
Não quero grandes mudanças...
Já não tenho força pra revolução
Porém, sigo questionando:
"Matando em nome de...???"
Como dizia aquela canção
16/04 -13:33
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Ela estava com um batom roxo
Marcado forte na boca
Um contorno em roxo
Ao redor do sorriso mais lindo
Um sorriso que contorna meus medos
Como um abraço quente
Depois de um dia ruim
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Outro dia no trabalho
Outro dia triste
Outro dia distante...
O ponteiro do relógio
Acho que tirou intervalo
E eu nem consegui almoçar
Mais um dia daqueles
Menos um dia no total
Outro dia em que penso
"Quantos mais desses dias virão?"
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Quero sexo, fogo, intensidade
Não quero juras, quero toques, verdades
Um pouco de TOC, moderado, só vaidade
Quero suor, cheiro forte, liberdade.
Quero gana, paixão, orgasmos
Não quero mais poesias fracas, café frio e textos chatos.
Não quero alguém que me queira, que apenas me queira...
Quero alguém que me queira, me tenha e me use
Quero alguém que me arranhe, morda e abuse a alma inteira!
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