Pablo Machado @PabloMachado

“Como num passe de mágoas”

Não enxergo mais aquele brilho Que caracterizava euforia no teu olhar Guardado pela fração discreta Entre o intervalo de cada piscar Mesmo que atento a toda palavra que sai da tua boca Não entendo a entonação da tua voz tão doce Vociferando palavras tão tarde, à toa Destoando da educação que sempre Fez questão de exercer sem questionar Questão que eu nunca fiz, aprendi A admirar sem ter que admitir. Ah, se tentasse escutar, pretendo não discutir. Nem todo pensamento que vira pronúncia é feito pra ferir, Mas prefere mesmo é não ouvir O que, de nem tão importante, tenho a dizer. Raramente empresta os teus ouvidos pra desabafar Apesar de ainda me sentir dependente Das pontas dos teus dedos, teus lábios atraentes Teu colo quente, cabelo curto na nuca raspado Me dando as costas lindas, me acidentando em tuas curvas Me faz te deixar subir a escada na frente, Sorriso que bate feito travesseiro de plumas Daqueles que nem a máscara pode mascarar Que nem a calma é capaz de espressar. Persiste a sensação da minha alma perdendo a borda E ela jorra do meu corpo como fogos de final Como copo na mão de bêbado Tropeçando no primeiro degrau Sem derramar o líquido, Sem nem pensar de caber em frases, Desde que pensávamos ser só uma fase De lá pra cá quantos carnavais? Me fazendo sempre cair na tua. É um estrago o contato quando demais Menos quando teu toque é eficaz Eficiente é o que apenas cumpre o prazo Esse já venceu tantos temporais, Feito temporadas de sérias séries Retratando vidas sofridas reais Situações corriqueiras, sensações carnais Além do que já me é suficiente, surpreende, Claramente causa e sara a dor. Se ainda me é concedido o peito aberto para almar Sem perdões milimetricamente calculados para conceder Cruzemos conversar até alcançar o entender. Escassez emocional É a falta que abala o ser Entrando pela porta sem bater.

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