Seus tenros olhos,
marcaram em mim,
mais que um simples gesto.
Eles são puro,
como mel em favo.
Doce, mas carregados de calor.
No campo cresce a tulipa,
que em toda sua beleza e graça,
traz sentido ao que era vazio.
Na taça, o vinho espesso
já não traz só sensações,
faz memória,
aos castanhos olhos,
que perfumam meu dia
como hibisco em flor.
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O silêncio me mata.
O seu silêncio me mata.
Se eu sei viver com ele?
....
Talvez ele responda por mim.
O bendito silêncio.
Não quero dizer palavras bonitas,
coisas românticas.
Dizem que segunda é dia de luta.
Hipócritas.
De pior espécie.
Você luta todos os dias.
Com a armadura mais singela e rústica:
a alma.
Você por ventura desfere golpes pesados contra a frágil estrutura,
que aos poucos colapsa.
Crec....
Crec...
A cada eco,
o estampido ecoa.
Bruto, sem perdão.
Crec...
Ceec...
O corpo entregue,
aos frangalhos já nem se importa mais.
Cada nova dor,
é mais um corte em um corpo mutilado.
A navalha já cega,
de sangue seco acumulado.
O sangue que por ventura,
corre dentro de ti,
é o mesmo que,
tempo depois escorre,
grosso, escuro.
A vida se esvai.
Lentamente.
Deixo ir, o peso fica.
Ele sempre fica.
Eu, aos poucos me vou.
Pois não sou bem-vinda
dentro do meu próprio ser.
A dor fiel, observa;
atentamente cada passo,
até o dia que seja o último.
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Curar.
O que, afinal?
Se olho dentro
e nada encontro
além de uma dor aguda
que pulsa
como se tivesse nome.
Incomoda.
Resisto.
Quero isso?
Depende.
Ela fica.
Se apossou.
Fez de mim
seu território.
Mesmo que eu a deserde,
o trono ainda é dela.
E eu…
assistindo.
Um corpo sitiado
lutando
mesmo sem forças.
Numa manhã cinza de novembro,
o cansaço não pede licença:
ele toma.
E eu cedo.
Mas não à dor.
Cedo à ruptura.
Derrubo a coroa
com as próprias mãos sujas.
Porque cansei
de ser chão
pisado por aquilo que não sou.
Hoje, não me curo.
Hoje, eu me tomo de volta.
Mauro Augusto Ferreira.
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Cansei,
quando o peso do mundo é de pedra
e meu corpo de pudim.
Cansei,
quando a incompetência transvestida
de afeto ultrapassa barreiras de bambu.
Cansei,
quando fui forte, e mesmo assim,
me chamaram de fraco.
Mas a fraqueza não é de dor,
sim de aguentar pesos
que não são meus.
Tenho sim minhas partes,
mesmo ela estando em sua maioria
que bra da.
Cansei quando promessas vazias
ecoaram em meus ouvidos.
Cansei,
quando tudo pesa
e já não tenho mais forças.
Cansei,
mesmo sem forças pra cansar.
Cansei,
de ser hipócrita com promessas
sem sentido, mas tudo bem,
palavras em sua maioria
não são cumpridas.
Cansei,
até mesmo para escrever este texto.
Cansei.
*Baseado em um cansaço real,
de uma pessoa real.
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Nas mãos enxarcadas
O sangue do pecado.
Ninguém me forçou,
me levei até ele.
Fui seu servo,
degustei banquetes,
bebi licores venenosos.
Mas toda ascensão
tem sua queda.
Não seria diferente comigo.
Aqueles que apunhalei,
me devolveram o presente.
Agora, meus gritos são abafados,
e minhas lágrimas,
minha última esperança.
Sem voz, fraco, imundo,
como uma barata, colho o lixo
de minha própria caminhada.
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Sou Voz
no silêncio
que se narra,
nada se escuta.
Se torna muda,
toda a incompreensível
inaptidão humana
de amar seu semelhante.
No escambo,
vidas trocadas
dão lugar ao ouro,
tão brilhante,
mas
tão sujo.
Quão pecador pode ser,
quem acredita ter o destino
de vidas nas mãos.
Mal sabe ele,
pobre hipócrita,
que belo peão és,
no jogo da manipulação.
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No limiar de palavras
nada descrevem
o quão sutil é a química.
Lábios
denunciam prazeres omissos.
No calor se tem a carne,
sedenta por paixão,
embebida em nuances
que fazem o falo gritar de prazer.
As luzes apagadas
deixam o mistério rolar,
seus encantos rugem no ar,
o que a química nunca deixou faltar.
Por:
Mauro Augusto
Ferreira.
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Me chamam de santo.
Habito templos.
Digo.
Não sou santo.
Sou o Diabo em pessoa.
Visto falsas aparências,
condeno meu irmão.
Sou medíocre.
Sou ganancioso.
Mato por pura futilidade.
Falo em nome do Criador
com a boca carregada de ódio.
Proclamo ele como salvador,
mas condeno quem precisa de abrigo.
Salve-se quem puder,
ou o dinheiro deixar.
Uns brigam por terras
deixadas a séculos,
oportunistas declamam guerras
pelo prazer da morte.
Nada muda,
nada.
Dizem estar evoluindo
tecnologicamente.
Isso é bom, se usado pra curar.
Mas e para amar?
Qual tecnologia usamos?
Para ser acalento, afeto?
Todos nós somos demônios,
mas também anjos,
basta sabermos qual usar.
Afinal,
você tem sido anjo
ou demônio?
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Você sente demais, isso é fraqueza.
Não. Sinto demais, mais isso é arte, e transformo ela em poesia.
Beijo-te no silêncio.
Meu coração borbulha,
ferve em esperança.
Nada digo.
Apenas deixo voar
aquilo que me corrói:
A saudade do teu olhar.