Eu queria que não houvessem mais lágrimas pra cair
E que meus olhos secassem.
Queria que o mundo fosse vazio
Houvesse apenas meu quarto
E ninguém pudesse me ouvir.
Queria que meu nariz não se enchesse
Que minha cabeça não doesse
E que as memórias não fossem tão dolorosas.
Queria que a vida não fosse cruel
Que eu não pensasse sobre a morte
E que eu não a sentisse ao meu redor.
Eu não posso evitar
Nunca posso evitar...
Só queria que não doesse tanto
Saber que ela não está mais aqui.
Queria parar de chorar
Por hoje, amanhã
E pelo dia que ela se foi.
Queria parar de chorar
Por tudo que me faz sofrer.
Queria descansar...
Porque ela nunca mais vai voltar...
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Hoje caiu uma bela Neve macia.
Ela chegou sem aviso, sem que ninguém a esperasse
Pois gostava de fazer surpresa.
Mesmo assim foi delicada.
Primeiro ela gostava de deixar o Céu preparado.
Uma lenta melancolia circulava no ar
E dava a impressão de que algo iria acontecer.
Mas ninguém sabia o que.
Ela era silenciosa, gostava de se esconder
Para que ninguém soubesse que sofria.
Quando finalmente aparecia deixava todos admirados com sua beleza.
Mas de tão frio, não podiam admira-la por muito tempo.
Logo ela ia, e ficava apenas a melancolia no céu, o frio nas casas e a memória da sua beleza.
Hoje, quando ela caiu novamente
Foi pela última vez.
Veio como sempre vinha, deixando seus flocos desenhados pela mais antiga artista, Natureza, pousarem delicadamente no solo.
Um a um.
Mas dessa vez ela teve dificuldades.
Ela não conseguia se sustentar.
Todos ficaram preocupados com a Neve.
Não estava tão frio, mas o Céu estava incrivelmente mais triste.
Não era belo vê-la cair, era doloroso.
Então ela resolveu me dar um adeus.
Ela me presenteou com seu último floco.
Foi como segurar as mãos de um amado.
Foi como receber um sorriso de uma criança.
Foi tão rápido.
Logo ela não estava mais aqui.
Ela se dissolveu na terra.
O Céu chorou com sua partida.
Eu tentei me segurar, mas não consegui. Parecia errada a ideia da Morte. Por que levar a Neve, de quem todos gostavam tanto? Por que a Natureza a enviou?
As lágrimas caiam por cima da flor de cetim que costurei para dedicar a ela.
Eu não quis acreditar. Mas não é preciso. A artista não precisa de aceitação dos outros, ela faz tudo por si.
Nesse dia eu realmente a vi pela última vez.
Olhei para dentro do meu Coração, e quis manter essa dor ali para sempre.
Até mais, Neve macia.
-dedicado a minha gatinha Mel.
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Eu espero pelo dia
Em que tudo possa mudar
Eu espero pela chance
Que trará meus sonhos
Pra perto de mim
Eu me pergunto
Se ela logo irá chegar...
Eu não me acalmo
Com um travesseiro macio
Nem um colchão da melhor qualidade
Traz o que eu preciso pra descansar .
Eu imagino acordada
E visualizo dormindo
Tudo que eu quero um dia
Eu questiono mais uma vez
Se é possível...
Nas vozes confusas
Que se sobrepoem
Se ouve o chamado
Da consciência...
Relembrando
Quais sonhos eu escolhi pra mim
E qual longe eles estão...
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Me distanciei de meus amigos
Mesmo quando diziam me amar
Achei que eu sentiria falta deles
Mas não sinto nada
E não faço questão de vê-los de novo...
O problema deve ser eu, eu sei
Que não sinto mais nada que seja bom
Só sinto saudades da vontade de ver alguém
Com olhos amorosos
E de como era inspirador
Refrescante e terapêutico
Os momentos ansiosos antes de sair com elas
E a saudade e apreensão doce
Que ficava quando voltava pra casa...
Parece que tudo ficou pra trás
E nada mais me satisfaz
Enquanto nossa distância vai aumentando...
Queria sentir algo forte que não fosse dor
Queria que minhas tentativas se tornassem acertos
Que minhas dúvidas virassem certezas
E que minha frieza se tornasse amor...
Mas todos dizem "não podemos ter tudo o que queremos"
Então devo me contentar com o que tenho
Uma frustração e um desejo de contar poesia
Considerada tão vazia, feita por uma privilegiada
Que tem uma vida tão boa, e nada a reclamar...
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[...]
Nunca sinto que me encaixo. Será que isso é bom? Há um certo ar de autenticidade... Como dos meu ídolos. Mas me dá muito medo e nervosismo. Tecnicamente isso é fobia social, mas aí não vem ao caso.
A única vez que me identifiquei como pertencente a um grupo, foi quando me descobri como "artista".
Pra mim, foi como desvendar a minha alma.
Porém, sinto que ninguém mais acha isso além de mim.
Não deveria importar tanto, afinal, a minha vida é apenas minha. Ninguém pode viver por mim. Eu vivo sozinha. Todos somos sozinhos. Então se importa pra mim, deveria ser o bastante. Sempre crio o que eu tenho vontade, pra me satisfazer, e não para satisfazer os outros.
Acho que todo mundo se sente assim, ou já se sentiu assim em algum momento.
Enfim, me dói muito quando me criticam.
Eu sou um poço de sensibilidade, apesar de não parecer, pois eu escondo muito bem.
Eu sou como uma daquelas taças de cristal, que se tocar um pouquinho mais forte, quebra.
As vezes gostaria de ser de outra forma, porém romantizo muito quem é assim. Pra mim é muito belo. De certa forma, no fundo, acho que eu quero ser assim mesmo.
É muita contradição solta em uma só externação de filosofia instintiva.
E de tanto que eu divago, eu percorro o mundo inteiro, dou a volta, e volto ao mesmo lugar.
O ponto inicial...
Por que é tão difícil tomar uma decisão?
Devo ficar... Ou devo ir embora?
Fato é que eu me magoei, e pensei, pensei, pensei ... Temos muitas diferenças.
Não valorizamos as mesmas coisas. Não quero entrar em detalhes pois me sinto tola explicando.
Acho que as coisas não podem ser como eram antes. Sinto isso fortemente.
Preciso de um tempo sozinha.
Não quero ir embora, mas não posso ficar do mesmo jeito.
Preciso pensar mais, ou simplesmente parar de pensar.
Acho melhor mantermos uma certa distância,
Uma segura superficialidade.
E continuamos amigas.
É isso. Provavelmente vou me arrepender de ter escrito tudo isso.
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Como eu posso saber
Qual a direção certa a se tomar agora?
Nenhuma decisão parece levar
Para o final perfeito que eu queria.
Talvez eu exija muita perfeição
De quem me acompanha
Quero moral intacta, atitudes esplêndidas
Um exemplo que eu queira seguir
Um respeito que eu queira nutrir
Por um personagem fictício.
Ele não existe. As pessoas são imperfeitas.
Todas elas... E todas elas me machucam.
Ferem o meu espírito fraco, que sempre precisa de aprovação.
As críticas sempre soam como aquela vez
Que em um dia qualquer do ensino fundamental
Uma professora me xingou na sala.
Eu estava incomodando porque estava me divertindo. Eu não estava seguindo as regras.
Naquela vez eu fiz o que sempre faço.
Mantenho meu semblante normal,
Concentro minha atenção no nada,
Seguro as lágrimas, e aguento a garganta ardida,
Quando na verdade eu queria um colo.
Como poderia eu, aquela aluna tão exemplar
Ser xingada pela professora?
Ela não gostava de mim? Ela me odiava?
Talvez na verdade ela nem pensou nisso
Apenas mandou calar a boca quem diabos estava conversando enquanto ela dava aula.
Seja quem quer que fosse...
Mas pra mim aquilo destroçou meu corpo
e eu fingi que nem senti nada.
Sempre quando alguém não gosta ou critica algo que eu faço
Eu volto pro mesmo canto da tristeza.
O canto da criança que queria agradar, mas não queria deixar de ser ela mesma.
Sempre quis fazer as coisas do meu jeito.
As vezes eu deixo de me aperfeiçoar por isso, mas não aceito quando me mandam melhorar.
Apenas quando eu quero fazer isso por conta própria.
Não quero que as pessoas me diminuam
Quero que as pessoas me reconheçam
Mas muitas vezes isso não acontece.
Eu sou muito cabisbaixa, não me dou credibilidade
E não acho que possa trabalhar com nada.
Alheio a tudo isso, ou por vezes completamente conectado, há o sentimento ruim que fica sempre quando saio com um grupo de pessoas.
[...]
----CONTINUA EM OUTRO POST. aqui há limite de caracteres----
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Ela anda com graça nas ruas sujas da cidade
Guiada pelo seu corvo, Prelúdio.
Ela volta pra casa acompanhada do Abutre
E se arruma mais uma vez por dignidade.
As bochechas rosadas com maquiagem
Suprem a falta da cor da juventude
Um sorriso forjado
Tenta esconder uma maturidade forçada.
Uma lágrima cai, revoltada
Borra o rímel recém passado
Mas ela limpa com aceitação
De um passado que não pode ser esquecido.
A altura dos saltos a leva ao céu
Assim não poderá ser jogada ao chão
Não mais... Não poderá ser pisada
Ela enxergará as estrelas e todas as coisas belas
Fugindo de sua visão.
Os lábios bem desenhados
Como arte, enganam o espectador
Lentos feitiços de sensualidade
Só proferem uma palavra, sussurrada com dor
"Socorro"...
Será que eles ouvem seus lamentos?
Eles querem a despir
E roubar tudo que é seu
Querem levar sua alma
E o que resta da sua vontade.
Querem ver de perto
Sua força se tornar fraqueza
E sua beleza virar trauma.
Eu posso ouvir sua voz fraca
Posso ouvir seu pedido desesperado
Mas você está tão longe
Trancada em meio a ossos
Imersa em uma banheira
Com água até o pescoço
E não pode ouvir minha voz.
Se alguém me perguntar
Eu responderei!
"Ela saiu hoje
Mas não vai voltar amanhã".
Talvez ela não volte nunca mais.
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É tão estranho
Não ter mais você aqui
É tão dolorido
O seu lugar estar vazio
Sem poeira
Sem beleza...
Meu lado é desolado
E meu peito esburacado...
Sem qualquer explicação
Tudo acabou, num sopro de frio
Foram poucos nossos pecados
Nada que não pudesse ser perdoado
Mas nos foi negada qualquer redenção
Antes que pudessemos tentar buscá-la...
Do meu lado, você contava piadas
Que traziam gargalhadas sinceras
Agora eu lembro delas
Mas a graça se perdeu
E não restam motivos pra rir
Nem qualquer lugar pra ir
E fugir da cela curta do tempo.
Minha grande companhia
Se desfez no ar como mágica
Agora é apenas um sonho de fantasia
Um sonho doce de infância bem vivida...
Eu só tinha um sorriso em mente
E ele se fechou pra sempre
Sem possibilidade de salvação
Só pude assistir você ir embora
Sem cantar comigo uma última canção...
"É impossível, meu amor
Viver uma vida que já morreu
Sentir mãos que não estão mais lá
E felicidades que já se foram
Nunca retornam do mesmo jeito"...
Por favor...
Por que meu amor não pode ficar? ...
?????? [...]
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Sempre ao topo
De uma imensa escada
Que leva ao fundo do poço
Se segurando nos corrimões
Deslizando a ponta dos pés
Não posso chegar a outro lugar
Apenas ao fundo da terra
Devo cair logo
Mas sempre tento me segurar.
Todas as portas trocaram de lugar
E quando tudo escureceu
Sumiram tambem as maçanetas
Nunca mais pude ver o amanhecer
Por trás das cortinas negras
Devo dormir logo
Mas sempre tento me manter acordada.
Devo sumir logo
Mas sempre tento me manter viva
E até que pague minhas dividas
Devo dançar a dança da morte
...
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Você, você...
Vestindo sua regatinha branca
Formada de formas perfeitas
Não deixa meus olhos descansarem
Ah, sua suavidade é enfeitiçante
Todas as cores são convidativas
São doces, belas e inocentes
Você tocou levemente
Seu fino cabelo esvoaçante
Com seu sorriso a espreita
Procurando meu olhar apaixonado
Eu tímida, recuei
Com medo de me sentir drogada
E então te implorar por mais e mais.
Você, você...
Me cativou, primeiro sem querer
E agora testa as possibilidades
Como quem não tem nada a perder
Hoje eu estou nas nuvens
Analisando as loucuras que poderia cometer
Sua delicada regatinha branca
Me condenou...
Eu quero te tocar
Como quem toca uma obra de arte
Não resistindo a tentação da curiosidade
Eu quero te amassar
Como uma doida de amor
Tendo um ataque por extrema fofura
Não sei como me sentirei depois
Sei que não conseguiria tentar
Então faça o primeiro movimento
Esse é o maior momento propício
Um cômodo vazio é reconfortante
Sem ninguém pra bisbilhotar.
Me beije fortemente
E deixe minha boca úmida
Com a memória do seu batom
Com cheiro de balinha
Me deixe diferente
Do que me encontrou hoje
Me ajude a quebrar essas amarras
Que sempre me deixaram aprisionada
Me dê um sabor do paraíso
Faça desse o nosso mistério
Apenas nós, unindo o material ao etéreo
Em uma dança eterna...
Minhas mãos marcarão teu desenho
Minha mente não te tirará da vitrine
Seu calor vai curar minha apatia
E fazer meu corpo vibrar de alegria
Os anjos devem trabalhar duro
Pra poder te servir, e ter um pouco de sua luz
Nos seus jardins, você é a maior, a melhor
A mais próxima de um milagre puro
E caminha livremente
Em meio a essa confusa alma imperfeita
Dona de um magro corpo sedento
Por sua sedutora redenção
Então eu lhe permito
Faça o que quiser comigo.
Se eu for digna de amor recíproco
Eu repito:
Me beije fortemente
Recoste sua regatinha branca em mim
Com ternura eu te abraçarei
Até que esqueçamos das boas maneiras.
[...]
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