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Luna

@MaryYelps · desde 2021

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Sem titulo

Eu queria que não houvessem mais lágrimas pra cair E que meus olhos secassem. Queria que o mundo fosse vazio Houvesse apenas meu quarto E ninguém pudesse me ouvir. Queria que meu nariz não se enchesse Que minha cabeça não doesse E que as memórias não fossem tão dolorosas. Queria que a vida não fosse cruel Que eu não pensasse sobre a morte E que eu não a sentisse ao meu redor. Eu não posso evitar Nunca posso evitar... Só queria que não doesse tanto Saber que ela não está mais aqui. Queria parar de chorar Por hoje, amanhã E pelo dia que ela se foi. Queria parar de chorar Por tudo que me faz sofrer. Queria descansar... Porque ela nunca mais vai voltar...

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Neve macia

Hoje caiu uma bela Neve macia. Ela chegou sem aviso, sem que ninguém a esperasse Pois gostava de fazer surpresa. Mesmo assim foi delicada. Primeiro ela gostava de deixar o Céu preparado. Uma lenta melancolia circulava no ar E dava a impressão de que algo iria acontecer. Mas ninguém sabia o que. Ela era silenciosa, gostava de se esconder Para que ninguém soubesse que sofria. Quando finalmente aparecia deixava todos admirados com sua beleza. Mas de tão frio, não podiam admira-la por muito tempo. Logo ela ia, e ficava apenas a melancolia no céu, o frio nas casas e a memória da sua beleza. Hoje, quando ela caiu novamente Foi pela última vez. Veio como sempre vinha, deixando seus flocos desenhados pela mais antiga artista, Natureza, pousarem delicadamente no solo. Um a um. Mas dessa vez ela teve dificuldades. Ela não conseguia se sustentar. Todos ficaram preocupados com a Neve. Não estava tão frio, mas o Céu estava incrivelmente mais triste. Não era belo vê-la cair, era doloroso. Então ela resolveu me dar um adeus. Ela me presenteou com seu último floco. Foi como segurar as mãos de um amado. Foi como receber um sorriso de uma criança. Foi tão rápido. Logo ela não estava mais aqui. Ela se dissolveu na terra. O Céu chorou com sua partida. Eu tentei me segurar, mas não consegui. Parecia errada a ideia da Morte. Por que levar a Neve, de quem todos gostavam tanto? Por que a Natureza a enviou? As lágrimas caiam por cima da flor de cetim que costurei para dedicar a ela. Eu não quis acreditar. Mas não é preciso. A artista não precisa de aceitação dos outros, ela faz tudo por si. Nesse dia eu realmente a vi pela última vez. Olhei para dentro do meu Coração, e quis manter essa dor ali para sempre. Até mais, Neve macia. -dedicado a minha gatinha Mel.

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Apenas uma recem adulta

Eu espero pelo dia Em que tudo possa mudar Eu espero pela chance Que trará meus sonhos Pra perto de mim Eu me pergunto Se ela logo irá chegar... Eu não me acalmo Com um travesseiro macio Nem um colchão da melhor qualidade Traz o que eu preciso pra descansar . Eu imagino acordada E visualizo dormindo Tudo que eu quero um dia Eu questiono mais uma vez Se é possível... Nas vozes confusas Que se sobrepoem Se ouve o chamado Da consciência... Relembrando Quais sonhos eu escolhi pra mim E qual longe eles estão...

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Algo

Me distanciei de meus amigos Mesmo quando diziam me amar Achei que eu sentiria falta deles Mas não sinto nada E não faço questão de vê-los de novo... O problema deve ser eu, eu sei Que não sinto mais nada que seja bom Só sinto saudades da vontade de ver alguém Com olhos amorosos E de como era inspirador Refrescante e terapêutico Os momentos ansiosos antes de sair com elas E a saudade e apreensão doce Que ficava quando voltava pra casa... Parece que tudo ficou pra trás E nada mais me satisfaz Enquanto nossa distância vai aumentando... Queria sentir algo forte que não fosse dor Queria que minhas tentativas se tornassem acertos Que minhas dúvidas virassem certezas E que minha frieza se tornasse amor... Mas todos dizem "não podemos ter tudo o que queremos" Então devo me contentar com o que tenho Uma frustração e um desejo de contar poesia Considerada tão vazia, feita por uma privilegiada Que tem uma vida tão boa, e nada a reclamar...

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Carta aberta a ela -parte 2

[...] Nunca sinto que me encaixo. Será que isso é bom? Há um certo ar de autenticidade... Como dos meu ídolos. Mas me dá muito medo e nervosismo. Tecnicamente isso é fobia social, mas aí não vem ao caso. A única vez que me identifiquei como pertencente a um grupo, foi quando me descobri como "artista". Pra mim, foi como desvendar a minha alma. Porém, sinto que ninguém mais acha isso além de mim. Não deveria importar tanto, afinal, a minha vida é apenas minha. Ninguém pode viver por mim. Eu vivo sozinha. Todos somos sozinhos. Então se importa pra mim, deveria ser o bastante. Sempre crio o que eu tenho vontade, pra me satisfazer, e não para satisfazer os outros. Acho que todo mundo se sente assim, ou já se sentiu assim em algum momento. Enfim, me dói muito quando me criticam. Eu sou um poço de sensibilidade, apesar de não parecer, pois eu escondo muito bem. Eu sou como uma daquelas taças de cristal, que se tocar um pouquinho mais forte, quebra. As vezes gostaria de ser de outra forma, porém romantizo muito quem é assim. Pra mim é muito belo. De certa forma, no fundo, acho que eu quero ser assim mesmo. É muita contradição solta em uma só externação de filosofia instintiva. E de tanto que eu divago, eu percorro o mundo inteiro, dou a volta, e volto ao mesmo lugar. O ponto inicial... Por que é tão difícil tomar uma decisão? Devo ficar... Ou devo ir embora? Fato é que eu me magoei, e pensei, pensei, pensei ... Temos muitas diferenças. Não valorizamos as mesmas coisas. Não quero entrar em detalhes pois me sinto tola explicando. Acho que as coisas não podem ser como eram antes. Sinto isso fortemente. Preciso de um tempo sozinha. Não quero ir embora, mas não posso ficar do mesmo jeito. Preciso pensar mais, ou simplesmente parar de pensar. Acho melhor mantermos uma certa distância, Uma segura superficialidade. E continuamos amigas. É isso. Provavelmente vou me arrepender de ter escrito tudo isso.

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Carta aberta, a ela

Como eu posso saber Qual a direção certa a se tomar agora? Nenhuma decisão parece levar Para o final perfeito que eu queria. Talvez eu exija muita perfeição De quem me acompanha Quero moral intacta, atitudes esplêndidas Um exemplo que eu queira seguir Um respeito que eu queira nutrir Por um personagem fictício. Ele não existe. As pessoas são imperfeitas. Todas elas... E todas elas me machucam. Ferem o meu espírito fraco, que sempre precisa de aprovação. As críticas sempre soam como aquela vez Que em um dia qualquer do ensino fundamental Uma professora me xingou na sala. Eu estava incomodando porque estava me divertindo. Eu não estava seguindo as regras. Naquela vez eu fiz o que sempre faço. Mantenho meu semblante normal, Concentro minha atenção no nada, Seguro as lágrimas, e aguento a garganta ardida, Quando na verdade eu queria um colo. Como poderia eu, aquela aluna tão exemplar Ser xingada pela professora? Ela não gostava de mim? Ela me odiava? Talvez na verdade ela nem pensou nisso Apenas mandou calar a boca quem diabos estava conversando enquanto ela dava aula. Seja quem quer que fosse... Mas pra mim aquilo destroçou meu corpo e eu fingi que nem senti nada. Sempre quando alguém não gosta ou critica algo que eu faço Eu volto pro mesmo canto da tristeza. O canto da criança que queria agradar, mas não queria deixar de ser ela mesma. Sempre quis fazer as coisas do meu jeito. As vezes eu deixo de me aperfeiçoar por isso, mas não aceito quando me mandam melhorar. Apenas quando eu quero fazer isso por conta própria. Não quero que as pessoas me diminuam Quero que as pessoas me reconheçam Mas muitas vezes isso não acontece. Eu sou muito cabisbaixa, não me dou credibilidade E não acho que possa trabalhar com nada. Alheio a tudo isso, ou por vezes completamente conectado, há o sentimento ruim que fica sempre quando saio com um grupo de pessoas. [...] ----CONTINUA EM OUTRO POST. aqui há limite de caracteres----

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Prelúdio

Ela anda com graça nas ruas sujas da cidade Guiada pelo seu corvo, Prelúdio. Ela volta pra casa acompanhada do Abutre E se arruma mais uma vez por dignidade. As bochechas rosadas com maquiagem Suprem a falta da cor da juventude Um sorriso forjado Tenta esconder uma maturidade forçada. Uma lágrima cai, revoltada Borra o rímel recém passado Mas ela limpa com aceitação De um passado que não pode ser esquecido. A altura dos saltos a leva ao céu Assim não poderá ser jogada ao chão Não mais... Não poderá ser pisada Ela enxergará as estrelas e todas as coisas belas Fugindo de sua visão. Os lábios bem desenhados Como arte, enganam o espectador Lentos feitiços de sensualidade Só proferem uma palavra, sussurrada com dor "Socorro"... Será que eles ouvem seus lamentos? Eles querem a despir E roubar tudo que é seu Querem levar sua alma E o que resta da sua vontade. Querem ver de perto Sua força se tornar fraqueza E sua beleza virar trauma. Eu posso ouvir sua voz fraca Posso ouvir seu pedido desesperado Mas você está tão longe Trancada em meio a ossos Imersa em uma banheira Com água até o pescoço E não pode ouvir minha voz. Se alguém me perguntar Eu responderei! "Ela saiu hoje Mas não vai voltar amanhã". Talvez ela não volte nunca mais.

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Amor

Perdida ao ar

É tão estranho Não ter mais você aqui É tão dolorido O seu lugar estar vazio Sem poeira Sem beleza... Meu lado é desolado E meu peito esburacado... Sem qualquer explicação Tudo acabou, num sopro de frio Foram poucos nossos pecados Nada que não pudesse ser perdoado Mas nos foi negada qualquer redenção Antes que pudessemos tentar buscá-la... Do meu lado, você contava piadas Que traziam gargalhadas sinceras Agora eu lembro delas Mas a graça se perdeu E não restam motivos pra rir Nem qualquer lugar pra ir E fugir da cela curta do tempo. Minha grande companhia Se desfez no ar como mágica Agora é apenas um sonho de fantasia Um sonho doce de infância bem vivida... Eu só tinha um sorriso em mente E ele se fechou pra sempre Sem possibilidade de salvação Só pude assistir você ir embora Sem cantar comigo uma última canção... "É impossível, meu amor Viver uma vida que já morreu Sentir mãos que não estão mais lá E felicidades que já se foram Nunca retornam do mesmo jeito"... Por favor... Por que meu amor não pode ficar? ... ?????? [...]

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Morte

Dança da morte

Sempre ao topo De uma imensa escada Que leva ao fundo do poço Se segurando nos corrimões Deslizando a ponta dos pés Não posso chegar a outro lugar Apenas ao fundo da terra Devo cair logo Mas sempre tento me segurar. Todas as portas trocaram de lugar E quando tudo escureceu Sumiram tambem as maçanetas Nunca mais pude ver o amanhecer Por trás das cortinas negras Devo dormir logo Mas sempre tento me manter acordada. Devo sumir logo Mas sempre tento me manter viva E até que pague minhas dividas Devo dançar a dança da morte ...

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Amor

Vestida de branco

Você, você... Vestindo sua regatinha branca Formada de formas perfeitas Não deixa meus olhos descansarem Ah, sua suavidade é enfeitiçante Todas as cores são convidativas São doces, belas e inocentes Você tocou levemente Seu fino cabelo esvoaçante Com seu sorriso a espreita Procurando meu olhar apaixonado Eu tímida, recuei Com medo de me sentir drogada E então te implorar por mais e mais. Você, você... Me cativou, primeiro sem querer E agora testa as possibilidades Como quem não tem nada a perder Hoje eu estou nas nuvens Analisando as loucuras que poderia cometer Sua delicada regatinha branca Me condenou... Eu quero te tocar Como quem toca uma obra de arte Não resistindo a tentação da curiosidade Eu quero te amassar Como uma doida de amor Tendo um ataque por extrema fofura Não sei como me sentirei depois Sei que não conseguiria tentar Então faça o primeiro movimento Esse é o maior momento propício Um cômodo vazio é reconfortante Sem ninguém pra bisbilhotar. Me beije fortemente E deixe minha boca úmida Com a memória do seu batom Com cheiro de balinha Me deixe diferente Do que me encontrou hoje Me ajude a quebrar essas amarras Que sempre me deixaram aprisionada Me dê um sabor do paraíso Faça desse o nosso mistério Apenas nós, unindo o material ao etéreo Em uma dança eterna... Minhas mãos marcarão teu desenho Minha mente não te tirará da vitrine Seu calor vai curar minha apatia E fazer meu corpo vibrar de alegria Os anjos devem trabalhar duro Pra poder te servir, e ter um pouco de sua luz Nos seus jardins, você é a maior, a melhor A mais próxima de um milagre puro E caminha livremente Em meio a essa confusa alma imperfeita Dona de um magro corpo sedento Por sua sedutora redenção Então eu lhe permito Faça o que quiser comigo. Se eu for digna de amor recíproco Eu repito: Me beije fortemente Recoste sua regatinha branca em mim Com ternura eu te abraçarei Até que esqueçamos das boas maneiras. [...]

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