Prelúdio
Ela anda com graça nas ruas sujas da cidade Guiada pelo seu corvo, Prelúdio. Ela volta pra casa acompanhada do Abutre E se arruma mais uma vez por dignidade. As bochechas rosadas com maquiagem Suprem a falta da cor da juventude Um sorriso forjado Tenta esconder uma maturidade forçada. Uma lágrima cai, revoltada Borra o rímel recém passado Mas ela limpa com aceitação De um passado que não pode ser esquecido. A altura dos saltos a leva ao céu Assim não poderá ser jogada ao chão Não mais... Não poderá ser pisada Ela enxergará as estrelas e todas as coisas belas Fugindo de sua visão. Os lábios bem desenhados Como arte, enganam o espectador Lentos feitiços de sensualidade Só proferem uma palavra, sussurrada com dor "Socorro"... Será que eles ouvem seus lamentos? Eles querem a despir E roubar tudo que é seu Querem levar sua alma E o que resta da sua vontade. Querem ver de perto Sua força se tornar fraqueza E sua beleza virar trauma. Eu posso ouvir sua voz fraca Posso ouvir seu pedido desesperado Mas você está tão longe Trancada em meio a ossos Imersa em uma banheira Com água até o pescoço E não pode ouvir minha voz. Se alguém me perguntar Eu responderei! "Ela saiu hoje Mas não vai voltar amanhã". Talvez ela não volte nunca mais.
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