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Leonardo Dutra

@LeoeDutra · desde 2019

Escritor iniciante na plataforma Medium e no Revista Poetika. Canal: https://youtu.be/w7wqPjHrSek Links redes: Linktr.ee/leonardoDutra

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Desejo

Se levo a mão ao seio Se pego uma bebida, ou fumo meu cigarro Se orações a Deus, e palavrões para o diabo. Se como manteiga pura E sem pegar o copo, tomo água da garrafa Se minto a minha idade, maquiagem cobre a cara. Falo pelas costas Faço amor comigo Ponho-me de castigo Repito meus padrões [pausadamente digo: São todos os mesmos portões] Somos humanos! E longe de toda criatividade, temos desejos.

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Biografia

EU E O MUNDO

Eu vi o mundo onde meus pés tocaram a areia fofa da praia durante uma tarde calma de verão. Onde o céu se movimentava sobre as nuvens, e meus olhos — lacrimejando por tanta surpresa — deixaram-se inundar. Assisti a mulheres e homens caírem tentados por sua própria cupidez e danação, onde jazia um cadáver imundo tomado pelo pó das horas. E calmamente caminhei até água que, feito menino maroto, se esquivava dos meus pés. Meus cansados pés de sal, que ao tocarem o mar bravo se desfizeram , provando a inutilidade do desejo humano em tentar banhar-se de uma glória que não possui.

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Biografia

Sagrado

Acordo e, vagarosamente, contemplo tudo o que há. Os óculos jogados, a roupa de ontem pendurada, o silêncio de um dia cinza. A coberta que cobre, se nega a tocar o pé direto. A vulnerabilidade do corpo quente, que dedilha o colchão, se defende do ventilador que continua a fazer o seu trabalho. No celular uma mensagem de bom dia ateia fogo, clareia e revela a cama vazia. Meu templo de Eros, sem cupido.

Biografia

O Brasil entre bananas

Pequenas docinhas ou grandonas para fritar. Fato é que lá pelas tantas, governados pelas antas, entre bananas costumamos ficar. Se é de Sampa, das Minas, Bahia, ou da Santa... É! A Catarina. Produção nacional nunca vai faltar. Teremos sempre essa iguaria à nos representar. No cassino, mercado, clube ou bar. Na frente do púlpito, ou pertinho do altar, se procurar direitinho não há de faltar, tem sempre um(a) banana que quer se mostrar. E na estatal? Sei lá! Ah, tem também. E na sua rua? Tá, ok! Tudo bem. Tem também na política, mas essa é complicada de definir. É igual a banana três quinas. Todo mundo sabe como chama, mas ninguém entende. E no fim, você pisa na casca, escorrega e se machuca da mesma forma. Embananou-se!

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Poesia

Homens ao mar

A natureza das coisas me consome. Pouco a pouco, como batidas das águas que tentam afundar um pobre navio pesqueiro. Que traz em seu bojo quatro malandros, maltrapilhos e sem nenhum dinheiro nos bolsos. Suas damas? Ficaram em casa descamando peixe. Seus filhos? Já moços e moças. Daqueles e daquelas que vão dar trabalho... Vão abrir empresas, fundar negócios, fechar acordos e desfazer tantos outros. Ainda me assusto com a poeira que me encima à cabeça. Que se esconde nos cabelos e emaranha entre os cachos. Lembra àquelas finas camadas de areia que se escondem entre os dedos antes de saltarmos ao mar. No fim de tudo, somos eternos pescadores. Mas ainda nos assustamos com as tempestades em alto mar. Eita, saudade besta! Que sede da moléstia! Que vontade de amar!

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Biografia

Compromisso

Desisti de ser médium, fui caminhar. E mirando os olhares ao longe perdidos pus-me a pensar. Seria a brisa mais fresca aqui ou a beira mar? Fui navegar. E de longe escutei o lamentar dos espíritos que ali jaziam com o seu jazigo secular. Deixei-os com a Mãe D'água, fui me secar. E secando nunca se acabavam as lágrimas dos olhos, que de tão grandes não conseguiam ver mais nada além do próprio jornadear. Ao que desistiu de ser a ponte, não é necessário levantar a fronte. Agora era um espírito, que esperava por um médium que deixou de trabalhar.

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Biografia

Caixa entreaberta

Às vezes, eles vão embora. E assim que a força volta, escreve cartas veladas. Socorros ocultos, quando força um sorriso. É aí que eles retornam, aos tiros. Chegam de mãos dadas, dando gargalhadas. Trazem um corda, grossa. Doces estranhos que deixam o amargo na pele da gente. É difícil respirar no meio do cinza. Das cinzas dos sonhos, das metas, realizações. E como quem deseja ver o final de um filme, gritam: Passa até o último quadro! Queremos ter-te por escravo! Mas todos os dias, luta. Chora em silêncio. Faz novenas à Nossa Senhora, dos perdidos, dos desacreditados, dos incapazes. A última página também é a primeira. Está em branco.

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Biografia

Beleza

Beijar a boca e proteger o siso. Fazer o almoço e almoçar contigo Dormir de babar, sem se preocupar. Não rir do sorriso, quando algum dente vier a faltar. Colocar roupa nova com direito a dancinha na frente do espelho. Abraçar, pegar na mão, para tirar o medo. Comunicar com o sorriso, ou quem sabe um olhar. Tudo isso é beleza pra quem sabe amar. Se eu tivesse outra escolha. Mesmo sem rima, escolheria você.

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Biografia

Palavra sagrada

E diariamente, quebram as flores que carrego nas mãos. Mal sabem eles, que guardo a primavera.