Leonardo Dutra @LeoeDutra
Poesia

Homens ao mar

A natureza das coisas me consome. Pouco a pouco, como batidas das águas que tentam afundar um pobre navio pesqueiro. Que traz em seu bojo quatro malandros, maltrapilhos e sem nenhum dinheiro nos bolsos. Suas damas? Ficaram em casa descamando peixe. Seus filhos? Já moços e moças. Daqueles e daquelas que vão dar trabalho... Vão abrir empresas, fundar negócios, fechar acordos e desfazer tantos outros. Ainda me assusto com a poeira que me encima à cabeça. Que se esconde nos cabelos e emaranha entre os cachos. Lembra àquelas finas camadas de areia que se escondem entre os dedos antes de saltarmos ao mar. No fim de tudo, somos eternos pescadores. Mas ainda nos assustamos com as tempestades em alto mar. Eita, saudade besta! Que sede da moléstia! Que vontade de amar!

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