Caixa entreaberta
Às vezes, eles vão embora. E assim que a força volta, escreve cartas veladas. Socorros ocultos, quando força um sorriso. É aí que eles retornam, aos tiros. Chegam de mãos dadas, dando gargalhadas. Trazem um corda, grossa. Doces estranhos que deixam o amargo na pele da gente. É difícil respirar no meio do cinza. Das cinzas dos sonhos, das metas, realizações. E como quem deseja ver o final de um filme, gritam: Passa até o último quadro! Queremos ter-te por escravo! Mas todos os dias, luta. Chora em silêncio. Faz novenas à Nossa Senhora, dos perdidos, dos desacreditados, dos incapazes. A última página também é a primeira. Está em branco.
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