É doce quando fecho os olhos,
o silêncio e o vazio tomam o lugar.
Em um curto período de tempo,
não existe um Eu.
Quando o dia chega trazendo a luz,
Fazendo-me ser presente na existência.
O Eu desperto, se levantou mais uma vez,
A encarar com olhos nublados, um mundo cinza.
Ao decorrer das horas, o desejo vem
— subindo devagar pelas costelas,
Se alojando em meu peito,
Sussurrando belas palavras em meus ouvidos.
Como uma promessa antiga,
O tempo enfim se faz real.
Aproveitem mais um pouco,
Pois esse tempo — está chegando ao final.
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Vagando nessa estrada,
novamente sozinho.
As ruas perderam as cores,
e eu, o caminho.
Meus olhos buscam,
encontrar algum sinal.
No canto dos pássaros,
ao som do vendaval.
Te criei em minha mente
— bela, atemporal.
A realidade insistente,
te dissolve no final.
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Palavras que insistem em sair.
Hoje as coloco em um jazigo.
Enterro no fundo do peito,
lugar escuro, esquecido.
Agora tudo é silêncio,
um abraço frio e vazio.
Histórias e memórias do ser,
afogadas num rio sombrio.
Os passos ecoam distantes,
como um adeus sem destino.
E o tempo, cruel companheiro,
desfaz o que um dia foi brilho.
Mas sob a terra das palavras,
ainda pulsa algo ferido.
Pois até no mais fundo túmulo,
há um coração resistindo.
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Meu pensamento te encontra mesmo no silêncio Invisível ao mundo, mas intenso em mim
Leve como o vento que não sabe onde pousar
Longe e perto ao mesmo tempo, feito lembrança viva
Entre o sonho e a realidade, você mora sem pedir licença
Na curva do tempo, onde tudo desacelera ao te pensar
Ainda assim, você existe em mim como começo infinito
Quando penso em você,
gosto de imaginar
que a parede entre nós seja desfeita.
Não por força,
nem por pressa —
mas como o pó que cai
quando o tempo decide
não sustentar mais o que separa.
Do meu lado,
o silêncio aprende a respirar.
Do seu,
não sei —
e talvez nem precise saber.
Basta que, por um instante,
o limite se esqueça de existir,
e o que era distância
vire apenas espaço
para um passo possível.
Não te toco.
Não me explico.
Mas fico.
E isso,
sem muro algum,
já é encontro.
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Não me peça beleza.
Hoje eu só tenho verdade
em estado bruto.
A vida não me quebrou de uma vez.
Ela me ensinou a aguentar
até esquecer onde doía.
Aprendi cedo
que resistir não é heroísmo —
é falta de escolha.
Fui ficando.
Mesmo quando ir seria mais limpo.
Mesmo quando ficar virou
uma forma lenta de me perder.
Há coisas em mim
que não cicatrizam
porque nunca foram feridas:
já nasceram falhando.
Carrego o peso de existir
sem manual,
sem promessa,
sem plateia.
E quando sorrio,
não é alegria.
É só o rosto cumprindo
o contrato social
de não assustar os outros.
Se ainda estou aqui,
não romantize.
Não é vitória.
É apenas o corpo
continuando
enquanto o resto de mim
aprende a não pedir nada.
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Hoje é um estado de catarse, estado onde as palavras criam vida,
Nem sempre tão belas e por vezes nem sempre tão sinceras.
Há uma beleza nisso — nesse instante de euforia.
Escrever o momento me faz enxergar o além —
Que talvez nunca existirá.
Talvez o além seja só isso:
o excesso do agora
se projetando para frente
como sombra alongada no fim da tarde.
Talvez não haja lugar algum
para onde ir,
apenas essa vertigem breve
de sentir demais
e chamar isso de visão.
As palavras correm porque precisam,
não porque sabem.
Elas tropeçam, exageram, mentem um pouco —
mas iluminam enquanto passam.
Depois, o silêncio cobra o preço.
A euforia se assenta.
O mundo volta a caber
num tamanho suportável.
E fica o registro:
não de uma verdade eterna,
mas de um instante vivo
que ousou existir
antes de desaparecer.
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Que histórias contam os bardos ?
Cantam segredos, dores e pecados
Falam de vidas que o vento levou
E de sombras que trazem frio e terror.
Histórias tão belas e tão temporais,
Reinos antigos, vivos e sem iguais,
Falam do amor, da paixão e rancor,
História que traz honra ou pavor.
Pois toda história que vive e persiste
É chama acesa que nunca se extingue.
Enquanto houver voz, memória e canção,
Um mundo renasce em cada geração.
Contam batalhas que o mundo esqueceu,
Heróis cuja alma jamais se perdeu.
Falam de quedas, de glória e de chão,
De sonhos surgidos da escuridão.
E mesmo quando a noite os silencia,
A voz do passado neles irradia.
Pois há verdades que o tempo não cala,
E ecoam nos bardos — de fala em fala.
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No escuro.
No chão.
No osso.
Eu chamo o bicho.
Eu chamo o bicho.
Eu chamo o bicho que mora na minha carne.
Vem.
Sobe.
Rasga.
Mostra o dente.
Eu bato no peito.
Eu roço o dente.
Eu deixo a garganta abrir como fenda antiga.
O bicho sobe.
O bicho sobe pela minha espinha.
Pelo meu medo.
Pelo meu sangue quente.
Rosna.
Cava.
Respira em mim.
Eu entrego meu corpo ao chão.
Eu ofereço minha dor ao fogo.
Eu abro as mãos e deixo cair aquilo que sobrou de humano.
“Leva.”
“Come.”
“Quebra.”
“Faz do meu osso teu altar.”
O bicho me encontra.
Olho no olho.
Fome na fome.
Sombra na sombra.
Eu mordo primeiro.
Ele morde depois.
Nós viramos a mesma boca.
Sangue no dente.
Sangue no chão.
Sangue no nome.
Eu digo o rito:
“O que eu caço, eu sou.”
E repito.
Até a voz falhar.
Até a língua pesar.
Até a pele esquecer seu próprio nome.
O bicho se curva.
Eu me curvo.
Os dois quebram juntos.
No mesmo som.
Na mesma respiração.
E quando o fogo apaga,
e o chão esfria,
eu olho para o que resta:
Carne.
Sombra.
Eu.
E o rito termina.
Mas o bicho fica.
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Há multidões em mim,
Vozes que sussurram um Ser,
Falam por trás das máscaras,
Acreditando a verdade trazer.
Sou o velho que se lembra,
O jovem que sonha,
O medo que cala,
E o desejo que grita.
E no meio dessa tormenta,
Me pergunto, em silêncio:
Quem sou eu,
Senão o intervalo de uma voz e outra?
Talvez eu não seja ninguém.
Apenas passagem, instante, sopro.
Uma chama que se dobra ao vento,
e ainda assim insiste em arder.
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