Entre
Quando penso em você, gosto de imaginar que a parede entre nós seja desfeita. Não por força, nem por pressa — mas como o pó que cai quando o tempo decide não sustentar mais o que separa. Do meu lado, o silêncio aprende a respirar. Do seu, não sei — e talvez nem precise saber. Basta que, por um instante, o limite se esqueça de existir, e o que era distância vire apenas espaço para um passo possível. Não te toco. Não me explico. Mas fico. E isso, sem muro algum, já é encontro.
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