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Agnaeldo

@Knulp · desde 2020

o vento bate sorrateiramente na minha janela e um cachorro chora lá fora ...

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Amor

memórias do ledo

Parte VI Volto no tempo Uns trinta e oito anos Pelas ruas deserdas do Reviver procuro ladrões e homicidas.  Ando por ruelas  Calçamento de pedra brita Fumantes disfarçados de flanelinhas Olham-me, com sorrisos malfeitos.  Subo até chegar a uma esquina  Garotos correm atrás de um cachorro Meninas gozam nos postes.  A lua não deixa sua marca Os postes colônias iluminam o pouco que há.  Aqui há uma guerra Seres bestiais brigam por beijos sinceros...  Fico triste ao escutar aquele casal lastimoso: palavras esdruxulas são cantadas.  Não sei mais viver Ela levou o meu coração.  Hoje, desesperado, subo na ponte do São Francisco.  Não há ninguém depois das duas horas da madrugada Ponho meu corpo no parapeito e abro um sorriso infeliz Meu coração pula e antes que ele caia eu vejo a me mesmo na ponte.  Nela eu olho o passado  lembro dela. Baixinha, cabelos negros, olhar e sorriso risonho.  Seus cheiros entorpecem a minha alma.  Seguro o poste no ponto de pular, mas o anjo negro aparece. Não diz nada. Seu olhar é distante.  Minha boca grita por seu nome  Nenhum nome grita por mim.  Coisas, coisinhas.  São anagramas de um moço apaixonado.  Pulo antes que o anjo fale  Caio na água quente e vejo uma sereia desnuda que me beija.  É ela que do céu veio morar no mar Ela quer meu amor Faço a doação.  Acordo em alguma praia da Litorânea O gosto de sal não lembra em nada o gosto da flor de ledo.  Que flor mais gostosa.   Agnaeldo Áquila

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Amor

memórias do ledo

Parte V Olhava para o céu claro e noturno Esperando que viesse um anjo Descer e avisar que Ela voltaria.  Ela não veio Daqui dessa ilha ancestral  Fico mortalizado pelo tempo Sentido a cólera do vento.  Ele rezava e agora ora por mim.  Uma oração fúnebre.  O ledo sonhado some Volto para a minha triste realidade Em algum lugar ela está me olhando, mas com alguém do lado?

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Amor

memórias do ledo

Parte IV Meu corpo estava rubro Meus cabelos eriçados por seus dedos Meu sexo chorava nela.  Ela sorria. Um sorriso lindo. Eu queria mais!? Deite-a sobre o meu peito Eu beijei a sua testa. Ela molhada queria dormir. Ainda sentia o desejo por beijá-la, Faltavam lugares. Meus lugares.  Beijei seu lindo pescoço Ela gritou, dizendo que gozava ao toque. Beijei suas axilas  E ela riu dizendo – Pare querido.  Coloquei-a, de costas para mim.  Beijei do ápice até aqueles dois pães. Minha boca penetrou aquele pequeno pontinho na fruta.  Beijei, saboreei-o, até suplicou que eu pusesse o anular.  Não neguei o pedido.  Os meus sentidos iam se perdendo Ela gemia ais tão alto que eu sabia que ursos não faltariam ali.  Eu chupei o meu anular E voltei a pô-lo, e chupá-lo.  Seu gosto era mel de amor Depois que ela gozou  Meu gozo se tornou insignificante.  Eu engoli aquele néctar que ela derramava do seu útero.  Seu gosto é mais gostoso do que a cherimoia.  Exausto pelo prazer Adormeci como Lisandro Acordei e ela não estava mais ali Mas o seu cheiro ondulava no meu corpo Mesmo que o vento tentasse matá-lo.  Porém. Aos poucos fui morrendo. A memória daquela flor do ledo Minha flor. A mais bela flor que eu beijei.  O outro dia chegou como uma sentinela A saudade batia como uma agulha  Dilacerava os dias.

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Amor

Memórias do ledo

Parte III Usava um vestido preto Não curto e nem comprido  Seu pé gracioso resplandecia.  Não sabia o que fazer... Ela fitava-me, e eu derretia aos pingos.  Pôs toda a peça ao chão Uma grande ilha se formou Ficando pequenas ilhas: os seios e o sexo.  Desnudei a alma ao vê-los tão de perto Grandes mamilos que me olhavam de soslaio  E eu suplicando que um deles estivesse nos meus lábios... Aproximei-me dela suando gotas de alegria  Toque-a no rosto Ela se deixou roçar nos meus dedos.  Eu suspirei  Sua boca ardia nos meus lábios Sussurrei com as minhas mãos o busto Ela fez cair à penúltima porção.  Parei no tempo ao contemplar tanta beleza numa mulher Eram lindos e femininos Grandes e um com pequeno botão no meio.  Os beijei E senti o néctar fluir na minha boca Não resistiria e chupei-os um por um.  Ela não negou  Deixou que eu mordesse até ficarem vermelhinhos.  Seu cheiro embriagava o meu ser Sonhava acordado com a flor que exalava a minha libido.  Beijei seu umbigo, mordendo... Fui descendo ao céu.  Pedi que outorgasse a mim O poder de dominar aquela ultima ilhéu.  Fechei os olhos e com paladar  Mergulhei o órgão recitador ela cheirava a algo inominável.  Beijei os lábios, primeiramente. E depois o pequeno botão.  Não queria desarruma-me Não queria macular aquela deusa, mas ela pousou suas mãos na península.  E tudo se converteu em pranto.  Eu queria parar  Queria voltar a beijar aquela flor do ledo O meu corpo nela violava os meus sentidos E o cheiro tão irreal se tornava natural.  Eu parei antes que os futuros ids Pudesse fluir nela Voltei a beijar aquele fruto pequeninho.  Que agora rijo eu descobria outro gosto.  Ela pôs-se sob mim Seus seios entumeciam a minha boca Gritei, até o gozo.  Ela desarmou-se no meu colo Ficando imóvel e serena.  Senti o sabor dos seus cabelos molhados A pele que colava na minha.

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Amor

memórias do ledo

Parte II Não esperava nada Não levei nada.  Aquilo tudo era uma útopia da minha alma.  Beijá-la, já seria uma realização.  Andei pelo ledo procurando o anjo encontrar Vi outras mulheres, lindas, cheirosas. Não a minha!  Ela era um jardim secreto.   Na hora marcada Fui com receio...  Que não estivesse no local juramentado.  Todas aquelas flores num só lugar.  Tão bela.  Seu corpo era um oceano.  Eu nadei por rios impassíveis  Até chegar nela.  Ela falou com a Rosinha e eu a vi nos meus sonhos sóbrios.  Entrei naquela alcova  Um urso marrom ficava a duas casas dali Ela pegou a minha mão Eu tremia de corpo e alma.  A cama tinha um mosqueteiro róseo claro Nela um lençol desbulhava o nascente.  Eu estava apaixonado.  Eu a olhava e via o amor Seus cabelos negros, sua pele morena e seus olhos... Uma pequena deusa.

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Amor

memórias do ledo

Parte I Nos meus dias tortos  Eu vi uma divindade descer do céu  Seus cabelos negros ondulavam  E o vento tímido rezava lírios.  Eu olhava deslumbrado  Minhas pernas bambas não suportavam  O peso do amor.  Ela veio corada, cheia de calor.   Seu cheiro era doce  Um anjo negro a escoltava Meu semblante descontrolava ao olhá-la nos olhos.  Parou ao pé da porta Onde eu estava  E eu murmurando versos.  Ela sussurrou aos meus ouvidos  Palavras angelicais  - Vá à casa da Rosinha às vinte.  Ela voou antes que eu pudesse dizer - sim.  Minhas pernas choveram  No chão eu chorei de saudade.

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Drama

O passado no gerúndio

Hoje vivo afundado pelo passado  Gritando para o narciso do espelho – Não era isso, o que eu queria.   Sinto que uma parte de me ficou engessado Ela grita – Você deveria!  Ando pelo Reviver distraidamente  Escapo das ciladas dos homens. Fingindo loucura! Olho para o presente e vejo que tudo é aparente Mas no fundo disso, eu abro um sorriso, pois ao menos aqui há uma abertura.  Leio Rimbaud antes de adentrar o Mercado Central Sinto os aromas vindos das bancas dos vendedores E parece que tudo se conecta numa rede fulcral.  Continuo andando até a Praça Benedito Leite e vejo que todos por lá vivem como nos bastidores.  Eu mostro para eles a minha cara e tudo o que parece ser. Finjo não ser.  - Hamlet, Hamlet! Exclama meu alter ego. Não finja ter loucura, meu amor.  O céu nesta hora parece amarelecer  Por isso jogo o último “B”... Agnaeldo

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Fantasia

saudade

No silêncio da noite  Bate quieto, mansinho o vento  Ele sussurra nos meus ouvidos  Sai correndo com uma criança  Por todos os lados  Escuto levemente ele cantar  O silêncio bate quietinho  Ninguém se levanta  Eu sou o único que o escuta, mas estou triste demais para levantar.   Agnaeldo

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Amor

O divórcio

Vão para o inferno os barrocos  Eu gosto é de Beethoven Estou brincando,... não, eu só gosto de Beethoven.  Mozart, Bach são bons...eu não digo nada, mas aquela música dual, maniqueísta é muito normal  Eu gosto é da explosão, do mergulho solitário, da morte que do lado nos grita  - Vamos continue…. Agnaeldo Áquila

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Fantasia

Em busca de Proust perdido

Quando era menino queria ser anjo, Mas a vida me fez marmanjo  Quando era poeta queria ser escritor  Porém a vida me fez agricultor.  Quando era estudante universitário queria ser revolucionário Mais percebi que não existe revolução sem destruição e morte.  Agnaeldo

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