memórias do ledo
Parte VI Volto no tempo Uns trinta e oito anos Pelas ruas deserdas do Reviver procuro ladrões e homicidas. Ando por ruelas Calçamento de pedra brita Fumantes disfarçados de flanelinhas Olham-me, com sorrisos malfeitos. Subo até chegar a uma esquina Garotos correm atrás de um cachorro Meninas gozam nos postes. A lua não deixa sua marca Os postes colônias iluminam o pouco que há. Aqui há uma guerra Seres bestiais brigam por beijos sinceros... Fico triste ao escutar aquele casal lastimoso: palavras esdruxulas são cantadas. Não sei mais viver Ela levou o meu coração. Hoje, desesperado, subo na ponte do São Francisco. Não há ninguém depois das duas horas da madrugada Ponho meu corpo no parapeito e abro um sorriso infeliz Meu coração pula e antes que ele caia eu vejo a me mesmo na ponte. Nela eu olho o passado lembro dela. Baixinha, cabelos negros, olhar e sorriso risonho. Seus cheiros entorpecem a minha alma. Seguro o poste no ponto de pular, mas o anjo negro aparece. Não diz nada. Seu olhar é distante. Minha boca grita por seu nome Nenhum nome grita por mim. Coisas, coisinhas. São anagramas de um moço apaixonado. Pulo antes que o anjo fale Caio na água quente e vejo uma sereia desnuda que me beija. É ela que do céu veio morar no mar Ela quer meu amor Faço a doação. Acordo em alguma praia da Litorânea O gosto de sal não lembra em nada o gosto da flor de ledo. Que flor mais gostosa. Agnaeldo Áquila
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