Um espectro, uma forma de existir.
Humanos e parte de nós,
Embora em silêncio por fora,
Vivem em seu universo turbulento por dentro.
O mundo humano os fere,
As pessoas parecem assutadoras.
Não faz sentido que o lado cruel exista,
"Deveríamos nos proteger".
O suporte mais importante é o respeito,
Depois a empatia.
Os Autistas amam, do seu modo cultivam o bem.
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No fim, não há véus nem eterno além,
Apenas o silêncio, quieto, sereno.
A vida se encerra, como um poema,
Sem promessas de céu, sem medo de inferno.
Somos pó, somos estrelas cadentes,
Breves chamas que brilham e se apagam.
Não há deuses, nem destinos pendentes,
Apenas o tempo, que tudo carrega e estraga.
E nesse fim, há beleza e verdade:
Vivemos, amamos, fomos parte do todo.
A morte não é dor, nem eternidade,
É o descanso simples, o retorno ao lodo.
E assim, sem temor, seguimos adiante,
Celebrando a existência, breve e vibrante.
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Não faz mais sentido,
A graça da poesia morreu comigo.
Eu tinha que sentir e pensar,
Agora a IA faz poema em meu lugar.
Seria apenas um avanço?
Algo para favorecer o descanso...
São poesias incríveis, reconheço.
Mas sem alma, sem fé e sem começo.
Talvez isso valorize a real poesia,
Raridade ao toque humano, à magia.
Não nego que desanima o poeta,
Mas para outros é motivo de festa.
De fato, não se pode voltar atrás,
A IA veio pra ficar,
Nos resta superá-la, como?
- Reposta se buscar.
De repente aprendamos a sentir o que é humano,
Discernir o que arte, de produto,
Se houve emoções e plano.
"A voz escrita do poeta eu escuto?"
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Roubaram-me a voz, levaram-me o canto!
Destituído, de príncipe das sereias à mudo em pranto.
O que antes ecoava com primor, hoje distoa,
Grunido rouco e sem vida (a beleza caçoa).
◇
Devolvam-me o prazer, a mágica expressão de vibrar!
Já não tenho alegria, incapaz de cantar.
...O assalto:
Foi em um convite de festa, compareci sem desconfiança,
Que lástima, um ataque, pisoteio na garganta!
◇
Foi maior que a dor, despertar a si como mudo!
O grave estrondo do meu verbo se calou. Fim do meu mundo.
◇
Continua...
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No beco úmido e sombrio, sob a lua escondida,
Um homem de chapéu negro conversa com a vida.
Três bonecos de pano, remendados, amarrados,
Sussurram segredos, em fios entrelaçados.
Ele segura firme sua balestra, pronto para a caça,
Mas com seus amigos de tecido, ele faz uma pausa.
Em cada remendo, uma história, uma memória guardada,
Nas noites de Manaus, sua jornada é traçada.
Com botas marrons e sobretudo que o vento leva,
Ele caminha pelas sombras, onde o mistério se eleva.
Os bonecos, seus aliados, em cada passo e decisão,
Guiam o homem de chapéu, na escuridão, com precisão.
Tapeceiro, um herói brasileiro, que se esconde nas sombras, amigo desconhecido de tantos, só falta apresentação para aliviar os prantos.
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Sigo confuso,
Por pensamentos rápidos,
que brotam como intruso.
Por fora calmo e estático,
Por dentro um circo,
Em show acrobático.
Não que tudo seja polarizado...
É que definir o abstrato é arduo.
Maior que a vontade,
Fala mais alto a ansiedade.
Para mim,
raiva vem como sobremesa à decepção,
Tudo vira revolta,
Por fim angustia,
Volta e meia,
Meia volta.
Me canso das pessoas,
Das coisas,
À toa.
Sinto saudade depois de muito tarde,
Só lembro de lembrar quando o peito arde.
É como se a mente funcionasse diferente,
Pareço insensível,
Aquele que me decpciona fica invisível.
Desejos... ah, os desejos,
Me cercam,
Me dopam,
Me arranham.
Entro em contenda com minha moral,
Cedo em euforia,
Meus medos gargalham,
Eu sofro,
Por dentro,
Não chora,
Me sinto mal.
As mesmas coisas de novo,
Um ciclo vicioso.
Radicalizo,
Me odeio,
Me enojo,
Renuncio a tudo e me privo.
Busco culpados para odiar.
Ninguém cabe no meu tribunal,
Porque é dentro de mim,
Um jure,
De ferro,
Severo,
Mental.
A consciência grita e explode,
Aponta meus erros;
Me assusto,
A angústia me morde.
Ela é o cão-de-guarda,
Feroz,
Fareja,
Cochila e acorda,
Tento fugir,
Mas ela é veloz.
Sou dilacerado ainda vivo,
Punido por mim mesmo,
Culpado!
Sem chance de ludibriar com um falso sorriso.
Penso que tenho lidado com sintomas,
Remedio a dor;
A febre me toma,
Enfermidade que não sara,
Como câncer,
Metástase que só piora,
Nunca para.
O socorro vem do silêncio,
Suplício do vento noturno,
É intenso.
Uma voz de razão que não fala,
Sem som,
Sem odor,
Sem voo,
Sem ala...
Paz que vem da natureza,
Encontro com a realidade,
Retorno ao princípio: fogão de barro e comida de verdade.
E.T.C.
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Depois de um tempo se expressar,
Volto para dar notícias...
É sobre meu coração:
Passou por perícia,
Recebeu notificação.
Se poesia fosse ar,
Eu não estaria respirando,
Não por estar morrendo,
Nem pensar!
É que prendi a respiração,
Porque mergulhei de cabeça,
Com alguém,
Uma relação.
Não tem sido fácil,
Desconfio de minha mente...
Será que ela me sabota,
Será que mentes mentem?
Aprendi coisas novas,
Que não se pode voltar atrás:
A fé hoje é mentira,
Deus mudou e não existem Satanás.
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ESVAI-SE,
DESCORANDO,
CHOVENDO,
DESFAZ-SE.
FOGE A COR DO PAPEL,
QUE MURCHA EM UMIDADE,
SOME O ROSTO,
A MÃO E
O ANEL...
TAMBÉM O FUNDO:
O CÉU E
A CIDADE.
NÃO SE PODE MAIS VER A BELEZA.
UM ESTRAGO SILENCIOSO,
QUE APAGA O SENTIDO FORMOSO,
QUE TORNA A ALEGRIA EM TRISTEZA.
PRA QUEM PROVA:
NÃO HÁ SABOR,
PRA QUEM VER:
UMA "ARTE DESASTRE",
SEM COR.
VERÃO ENTRE MUITOS,
INVERNO CHOROSO PRA MIM;
VIDA INTEIRA EM MINUTOS,
RESTANDO DANINHAS ONDE ERA JARDIM.
FALO DE DISFORIA,
QUANDO SOU LEVADO AO ABISMO,
ORA SOL, ORA PAUSA SOMBRIA.
ANGUSTIO AGORA,
MAS SE PUDESSE SORRIA.
#TRANSTORNOBIPOLAR
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Agora quero ficar sozinho.
Encontrar uma concha pelo caminho,
Me encolher na areia,
Desligar a luz que incomoda, clareia.
Melhor é o escuro,
Dormir sem prazo,
Erguer bem alto meu muro,
Aceitar a renuncia, o desprezo.
Desanimar não é uma escolha,
Sentimos sem desejar,
Reagimos por motivos mentais,
Para mim conflitar,
Para outros surtos banais.
Eremita que grita sem falar,
Num mundo pequeno,
Bedendo o que cai da mesa do rico,
"É o mico do circo",
Não é cão,
Não lhe dão veneno,
mas seu prato é penico;
Desses baratos,
De plástico,
Da era de hoje.
O fim é sem rima,
Assim como o trabalho injusto,
Exploração do pobre,
Que sem escolha,
Se vê como nobre
E sofre,
Corre,
Morre.
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O dia amanheceu lindo,
Mas as crianças nem aproveitaram a manhã,
Ficaram dormindo.
Mais tarde,
pegaram tampas de garrafas e linhas de cizal,
Decidiram brincar a tarde toda no quintal.
A alegria durou pouco...
Trovejou no céu,
A ventania fez voar chapéu,
Vi menino correr como louco; recolheram as roupas do varal, passaram pra casa lamentando o temporal.
Foi chuva "com força", chuva pra valer.
Dizem que chuva é benção,
Mas digo que depende do modo de ver:
Em casa que tem goteira,
Chover nunca é coisa boa,
Pra quem mora na ladeira,
Quando o barraco é de madeira,
Paredes de papelão,
Chão de barro...
Chuva vira Maldição.
Ficamos sem água,
Mas sabe como é criança:
- Queremos merendar! - pediram.
Não tem água, meninos...
- Tem da chuva.
Pra fazer a vontade colocamos pra aparar da calha um balde.
Bastiana pôs a água pra ferver,
Tirou um pouco,
Numa bacia quebrou seis ovos,
Jogou 3 colheres de leite-em-pó,
1 xícara de açúcar,
3 xícaras de trigo,
Colocou água da chuva aos poucos,
Depois fermento e uma pitada de sal;
Misturou bem devagar,
Massa pastosa,
Quase líquida,
Da bacia parecia derramar.
Fritou colheradas em óleo bem quente,
Pôs pra escorrer,
Jogou canela em pó com açúcar.
Fez da chuva um sabor aparecer.
Os meninos ficaram admirados,
Comeram os bolinhos-de-chuva com chá de capim-santo,
Depois deitaram na sala ouvindo a chuva no telhado,
O sono veio lijeiro,
Poético como um canto.
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