KAIO SARAIVA @KARAH
Biografia

Bolinho De Chuva

O dia amanheceu lindo, Mas as crianças nem aproveitaram a manhã, Ficaram dormindo. Mais tarde, pegaram tampas de garrafas e linhas de cizal, Decidiram brincar a tarde toda no quintal. A alegria durou pouco... Trovejou no céu, A ventania fez voar chapéu, Vi menino correr como louco; recolheram as roupas do varal, passaram pra casa lamentando o temporal. Foi chuva "com força", chuva pra valer. Dizem que chuva é benção, Mas digo que depende do modo de ver: Em casa que tem goteira, Chover nunca é coisa boa, Pra quem mora na ladeira, Quando o barraco é de madeira, Paredes de papelão, Chão de barro... Chuva vira Maldição. Ficamos sem água, Mas sabe como é criança: - Queremos merendar! - pediram. Não tem água, meninos... - Tem da chuva. Pra fazer a vontade colocamos pra aparar da calha um balde. Bastiana pôs a água pra ferver, Tirou um pouco, Numa bacia quebrou seis ovos, Jogou 3 colheres de leite-em-pó, 1 xícara de açúcar, 3 xícaras de trigo, Colocou água da chuva aos poucos, Depois fermento e uma pitada de sal; Misturou bem devagar, Massa pastosa, Quase líquida, Da bacia parecia derramar. Fritou colheradas em óleo bem quente, Pôs pra escorrer, Jogou canela em pó com açúcar. Fez da chuva um sabor aparecer. Os meninos ficaram admirados, Comeram os bolinhos-de-chuva com chá de capim-santo, Depois deitaram na sala ouvindo a chuva no telhado, O sono veio lijeiro, Poético como um canto.

Comentários

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.