KAIO SARAIVA @KARAH
Arte

Embaraço

Sigo confuso, Por pensamentos rápidos, que brotam como intruso. Por fora calmo e estático, Por dentro um circo, Em show acrobático. Não que tudo seja polarizado... É que definir o abstrato é arduo. Maior que a vontade, Fala mais alto a ansiedade. Para mim, raiva vem como sobremesa à decepção, Tudo vira revolta, Por fim angustia, Volta e meia, Meia volta. Me canso das pessoas, Das coisas, À toa. Sinto saudade depois de muito tarde, Só lembro de lembrar quando o peito arde. É como se a mente funcionasse diferente, Pareço insensível, Aquele que me decpciona fica invisível. Desejos... ah, os desejos, Me cercam, Me dopam, Me arranham. Entro em contenda com minha moral, Cedo em euforia, Meus medos gargalham, Eu sofro, Por dentro, Não chora, Me sinto mal. As mesmas coisas de novo, Um ciclo vicioso. Radicalizo, Me odeio, Me enojo, Renuncio a tudo e me privo. Busco culpados para odiar. Ninguém cabe no meu tribunal, Porque é dentro de mim, Um jure, De ferro, Severo, Mental. A consciência grita e explode, Aponta meus erros; Me assusto, A angústia me morde. Ela é o cão-de-guarda, Feroz, Fareja, Cochila e acorda, Tento fugir, Mas ela é veloz. Sou dilacerado ainda vivo, Punido por mim mesmo, Culpado! Sem chance de ludibriar com um falso sorriso. Penso que tenho lidado com sintomas, Remedio a dor; A febre me toma, Enfermidade que não sara, Como câncer, Metástase que só piora, Nunca para. O socorro vem do silêncio, Suplício do vento noturno, É intenso. Uma voz de razão que não fala, Sem som, Sem odor, Sem voo, Sem ala... Paz que vem da natureza, Encontro com a realidade, Retorno ao princípio: fogão de barro e comida de verdade. E.T.C.

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