Havia um sonho que não ousei contar
Um silêncio dourado que o mundo não viu
Nela, o vento falava o teu nome baixinho
E o tempo, por um instante, se deteve em ti
Caminhávamos descalços sobre água de luz
Onde as estrelas se inclinavam para escutar
Teus olhos eram portas abertas para o infinito
E eu, sem medo, atravessava-as em silêncio
Não houve palavras que o ar pudesse roubar
Apenas o calor de uma mão que se reconhecia
No fim, quando a manhã tentou nos despertar
guardei o sonho inteiro dentro do peito
E nunca mais o disse a ninguém.
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Penetrando na noite escura
Sinto um prazer sem igual
É o êxtase de uma criatura
Noite que flerta com o mal
Lá dentro existe um pecado
Que ninguém ousou fugir
Noite quente, dá seu recado
Com prazeres a nos destruir.
Nenhum poeta se faz sozinho
O bom leitor é essencial
Dele que vem atenção e carinho
Ter sua companhia especial
O poema só vive no caminho
Que o leitor trilha com zelo total
No silêncio atento do vizinho
Cria-se o laço mais fraternal
Palavras ganham voz e destino
Quando o olhar se torna vital
No abraço mudo, quase divino
Floresce o verso em festa anual
No ninho da página, em gesto fino
O leitor se eleva a rei imperial
Transforma o verso em ouro cristalino
E lança a arte ao plano celestial
Sem ele o sonho resta pequenino
Ecos perdidos no vazio mortal
Mas com seu afeto puro e menino
O poema atinge o eterno imortal
Na troca sutil, no encontro genuíno
Nasce a cumplicidade mais radical
Poeta e leitor, em laço cristalino
Erguem o templo da palavra ancestral.
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Você me acusa e eu te acuso
Não respondo, você também não
E o Brasil assistindo tudo
Parece até um circo essa nossa eleição.
🤡
No café da madrugada, a máquina cospe um espresso amargo como o riff de um Stratocaster desafinado.
As ruas de Manchester dormem sob a chuva fina, eu fico acordado com a cafeína correndo pelas veias como um baixo de Peter Hook.
Solitude não grita, ela sussurra em delay, como Thom Yorke entre as paredes do quarto.
O cigarro se apaga no cinzeiro
enquanto a caneca esfria, e a cidade inteira parece um refrão
que nunca resolve.
Eu sou o solo distorcido que ninguém pediu, só a noite e o café sabem o quanto o silêncio dói quando a bateria pára.
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Ninguém mais me dá bom dia
Mas eu dou bom dia mesmo assim
E faço isso com uma poesia
Te desejando inspiração sem fim.
🌹
Ela carrega nos olhos vulcões adormecidos, capazes de me incendiar por dentro. Nos lábios, um elixir proibido, que até os deuses beberam antes de se perderem.
Seus quadris não caminham: comandam. Cada balanço é sentença, cada curva, decreto imperial. O mundo se ajoelha sem perceber, e eu, que já fui rei de mim, rendo-me antes de entender.
Seu corpo é manuscrito em carne viva, escrito pela língua do pecado. Cada centímetro sussurra o que a boca silencia: vem, afunda, some.
Ela não precisa tocar. Basta existir a dois passos para meu sangue virar lava e minhas veias gritarem seu nome.
Seu sorriso é navalha de mel: corta a razão, rouba a vontade e deixa o desejo pulsando entre a carne e a alma.
É mulher que transforma lençóis em altar e gemidos em oração; que faz o corpo rezar de joelhos, enquanto a boca blasfema.
Eu, outrora senhor de mim, sou território conquistado. Minha pele, mapa sob suas unhas; meu coração, prisioneiro grato às algemas; meu desejo, fera faminta pronunciando seu nome.
Ela é o abismo que me chama pelo nome verdadeiro, o vendaval que desnuda minha alma, o pecado que os santos escondem quando a luz se apaga.
Não há fuga, muralha ou oceano capaz de me salvar. Quanto mais corro, mais seu perfume me alcança; quanto mais nego, mais meu corpo se rende.
Ela não pede: conquista com o olhar, com o silêncio, com a presença devastadora de quem nasceu para ser adorada e desejada como uma deusa.
E eu entrego tudo: a razão, o orgulho, a resistência, o último não.
Porque amar essa mulher não é caminhar à beira do abismo: é saltar de olhos abertos, em chamas, com o coração assinado em nome dela.
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Eu sou escravo da escrita
Sempre preso pela letra
Com uma inspiração infinita
Que tiro da minha gaveta
Essa prisão que me persegue
Me arrebata totalmente
À ela sou um refém entregue
Onde repousa minha mente.
Tenho
Consciência
Da minha
Total
Ignorância
Por isso
Deixo
Que
Os
Que
Se
Dizem
Sábios
Falem
Por
Mim.
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