POEMICIDA® @Gil_Salluh

Rock, café e solitude

No café da madrugada, a máquina cospe um espresso amargo como o riff de um Stratocaster desafinado. As ruas de Manchester dormem sob a chuva fina, eu fico acordado com a cafeína correndo pelas veias como um baixo de Peter Hook. Solitude não grita, ela sussurra em delay, como Thom Yorke entre as paredes do quarto. O cigarro se apaga no cinzeiro enquanto a caneca esfria, e a cidade inteira parece um refrão que nunca resolve. Eu sou o solo distorcido que ninguém pediu, só a noite e o café sabem o quanto o silêncio dói quando a bateria pára.

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