A sentença da paixão
Ela carrega nos olhos vulcões adormecidos, capazes de me incendiar por dentro. Nos lábios, um elixir proibido, que até os deuses beberam antes de se perderem. Seus quadris não caminham: comandam. Cada balanço é sentença, cada curva, decreto imperial. O mundo se ajoelha sem perceber, e eu, que já fui rei de mim, rendo-me antes de entender. Seu corpo é manuscrito em carne viva, escrito pela língua do pecado. Cada centímetro sussurra o que a boca silencia: vem, afunda, some. Ela não precisa tocar. Basta existir a dois passos para meu sangue virar lava e minhas veias gritarem seu nome. Seu sorriso é navalha de mel: corta a razão, rouba a vontade e deixa o desejo pulsando entre a carne e a alma. É mulher que transforma lençóis em altar e gemidos em oração; que faz o corpo rezar de joelhos, enquanto a boca blasfema. Eu, outrora senhor de mim, sou território conquistado. Minha pele, mapa sob suas unhas; meu coração, prisioneiro grato às algemas; meu desejo, fera faminta pronunciando seu nome. Ela é o abismo que me chama pelo nome verdadeiro, o vendaval que desnuda minha alma, o pecado que os santos escondem quando a luz se apaga. Não há fuga, muralha ou oceano capaz de me salvar. Quanto mais corro, mais seu perfume me alcança; quanto mais nego, mais meu corpo se rende. Ela não pede: conquista com o olhar, com o silêncio, com a presença devastadora de quem nasceu para ser adorada e desejada como uma deusa. E eu entrego tudo: a razão, o orgulho, a resistência, o último não. Porque amar essa mulher não é caminhar à beira do abismo: é saltar de olhos abertos, em chamas, com o coração assinado em nome dela.
Libia
❤️👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 transcendeu!
POEMICIDA®
Muito obrigado Libia.
Alana Vitória
parabéns muito lindo
POEMICIDA®
Muito obrigado Alana.
Musa ultrarromântica
Profundo 👏🏼
POEMICIDA®
Muito obrigado Musa.